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 Google encampa defesa da inteligência artificial contra temores de dominação - Jornal Brasil em Folhas
Google encampa defesa da inteligência artificial contra temores de dominação


Especialistas do Google, uma das empresas que mais aposta no desenvolvimento da inteligência artificial, debateram nesta quarta-feira, na China, sobre o futuro dessa tecnologia que fascina e aterroriza o ser humano.

Pesquisadores como o britânico Demis Hassabis, fundador do DeepMind, um dos principais laboratórios de inteligência artificial do Google, ou Jeff Dean, da subdivisão Google Brain, participam de um fórum inédito no país, dada a complicada relação da empresa com a China, que bloqueia seu popular motor de busca.

A mensagem da conferência foi de otimismo. A inteligência artificial, que agora está vivendo um grande impulso graças a companhias como Google, Apple, além de empresas chinesas como Baidu ou Tencent, nos trará benefícios que ainda não imaginamos, não as ideias apocalípticas de robôs subjugando o homem.

Novas curas de doenças serão obtidas mediante a habilidade de inteligência artificial para buscar novas propriedades médicas, previu o presidente do Google, Eric Schmidt, que destacou que o maior impacto da tecnologia nos próximos será na Medicina.

É um campo ideal para que os cérebros artificiais ajudem os humanos, indicou Schmidt, em uma das apresentações que uniram um conteúdo filosófico ao tecnológico, por tratar de explicar o que são fenômenos como a criatividade e a intuição, e como eles podem ser extrapolados em processadores de dados.

Campos como a Química ou a Biologia são até hoje tão complicados e com tantos dados que nem mesmo o mais inteligente dos especialistas pode ler todos os estudos feitos. Uma inteligência artificial pode fazer isso, contribuindo com ideias enquanto o cientista descansa, explicou Schmidt.

Em resumo, o Google sonha com uma inteligência artificial benigna, como as que Hollywood retratou em filmes como A.I.: Inteligência Artificial ou O Homem Bicentenário. Em ambos, os robôs criados pelo homem chegam a ser, inclusive, capazes de amar.

A hipótese é a aposta da visão de cientistas como o britânico Stephen Hawking, que chegou a prever que a inteligência artificial irá destruir a humanidade.

É importante que a tecnologia seja desenvolvida de forma ética e responsável, para o benefício de todos, afirmou Hassabis, que lidera um dos principais projetos do Google no setor, o Alpha Go, rebatendo as previsões catastróficas.

O AlphaGo é uma tecnologia do Google para o jogo mental mais complexo da humanidade, o Go. Nesta semana, também em Wuzhen, o robô do Google desafiou e venceu o melhor jogador do mundo, Ke Jie, de apenas 19 anos, pela primeira vez.

Segundo Hassabis, o Go é só uma plataforma de lançamento para testar a inteligência artificial em um dos jogos que mais se exige da capacidade de cálculo mental - o número de movimentos possíveis supera o de átomos no universo.

Mas não basta apenas ser bom de cálculo. A intuição é uma das partes mais importantes do jogo, e o desafio é um teste para objetivos mais transcendentais da tecnologia no futuro.

Entre as possíveis aplicações que o sistema AlphaGo pode ter a médio prazo, Hassabis citou projetos de novos materiais, remédios ou até mesmo a educação. Ele ainda deixou de fora o mundo dos assistentes pessoas de smartphones, que já ganharam vida graças a softwares como a Siri, da Apple, e da Cortana, da Microsoft.

A inteligência artificial, destacaram os participantes do fórum, se diferencia dos programas pré-programados por aprender coisas novas, evoluir e ser capaz de enfrentar novos problemas com a experiência adquirida anteriormente.

Foram citados exemplos comuns no nosso dia a dia, como o conhecido tradutor do Google, que, graças à avaliação dos usuários, melhorou a maneira de traduzir muitos idiomas. Apesar de ainda imperfeito, o serviço melhorou muito desde que foi lançado.

Segundo Jeff Dean, do Google Brain, o potencial da inteligência artificial não deve gerar preocupação, já que esse tipo de tecnologia sempre atua para chegar a um objetivo concreto. Assim, o mito do robô que ganha consciência própria e decide atacar o homem é exatamente isso: apenas um mito.

O AlphaGo é criativo, gera novas coisas, mas mantém o objetivo programado, que é ganhar um jogo. Não temo que a inteligência artificial desenvolva suas próprias metas, afirmou.

 

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