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 iPhone chegava há 10 anos; conheça a birra que levou Steve Jobs a criá-lo - Jornal Brasil em Folhas
iPhone chegava há 10 anos; conheça a birra que levou Steve Jobs a criá-lo


Alguns dos maiores aparelhos surgem de um momento de inspiração de um designer. Outros resultam de um avanço na tecnologia.

O iPhone, da Apple, cuja chegada ao mercado completa dez anos nesta quinta-feira (29), começou com uma birra.

"Começou porque Steve odiava um cara da Microsoft", disse Steve Forstall, antigo comandante da área de software da Apple e um dos principais subordinados de Steve Jobs, cofundador e presidente-executivo da empresa, morto em 2011.

A era da tela de toque começou dez anos atrás, em 29 de junho de 2007, quando o iPhone chegou às lojas, e Forstall falou da inimizade que está por trás da criação do aparelho em um evento do Museu da História da Computação, no Vale do Silício, na semana passada, em sua primeira entrevista desde que deixou a Apple, em 2012.

Antes de o iPhone ser um celular, ele foi um tablet, e a tecnologia de tela de toque que posteriormente seria usada também no iPad começou como um projeto secreto de pesquisa criado por Jobs, recordou Forstall.

O funcionário da Microsoft que causou a birra era amigo de um amigo de Jobs e vinha se vangloriando do novo tablet da empresa de software, que requeria uma caneta especial para inserção de dados.

"Sempre que Steve se encontrava socialmente com o sujeito, voltava furioso", contou Forstall.

Um celular com iPod foi como a Folha noticiou a apresentação do aparelho feita em 9 de janeiro de 2007.

VAMOS MOSTRAR COMO SE FAZ

Depois de um fim de semana no qual aconteceu mais um desses encontros, Jobs chegou à Apple na manhã de segunda-feira irritado. "Vamos mostrar a eles como se faz."

O pessoal da Microsoft era "idiota", Forstall recorda ter ouvido de Jobs.

"Usar uma caneta é desnecessário. Nascemos com dez dedos."

A Apple já vendeu mais de 1 bilhão de iPhones, o que faz de seu celular um dos bens de consumo mais bem-sucedidos de todos os tempos e conduziu a empresa a lucros recorde.

Horace Dediu, que comenta sobre o setor de telefonia móvel, estimou que aparelhos e aplicativos acionados pelo sistema operacional iOS gerarão, somados, mais de US$ 1 trilhão em receitas totais para a Apple, até o final de 2017.

No entanto, a despeito da urgência de Jobs quanto ao desenvolvimento daquilo que viria a se tornar a tecnologia multitoques do iPhone, o projeto demorou alguns anos a ganhar impulso.

Ele só foi retomado quando Jobs, contemplando a competição que estava surgindo para o media player iPod, sugeriu que a tecnologia de toque poderia tornar menos "irritante" o uso dos celulares.


NADA ERA GRADATIVO

Na metade dos anos 2000, quando o Motorola Razr se tornou sucesso de vendas, os fabricantes tradicionais de celulares, como a Nokia, estavam promovendo avanços "incrementais", disse Hugo Fiennes, outro antigo engenheiro da Apple que falou no evento do Museu da História da Computação. "Na Apple, nada era gradativo."

Forstall não tinha experiência em telecomunicações antes de começar a trabalhar no projeto e jamais havia enviado uma mensagem de texto antes de fazê-lo com um iPhone. Mas, a despeito disso, a Apple considerou comprar frequências de telefonia móvel para se tornar uma rede "virtual" de telefonia móvel, revendendo serviços de outros provedores de telefonia sob sua marca, ele disse.

Por fim, a empresa decidiu formar parceria com a AT&T para a distribuição do serviço.

O iPhone chegou ao mercado em um momento oportuno, com a ascensão de serviços de Internet como o YouTube e o Google Maps e o surgimento de contratos de Internet móvel com preços acessíveis.

O iPhone começou realmente a realizar seu potencial em 2008, com a estreia da App Store, apesar da relutância inicial de Jobs de permitir a oferta de software produzido fora da Apple.

O iPhone redefiniu o que um aparelho móvel era capaz de fazer e gerou inúmeros imitadores (e muitos processos judiciais da parte da Apple, como resultado).

O iPhone hoje responde por dois terços da receita da Apple e por proporção ainda maior do lucro total do setor de comunicação móvel.

Embora Forstall tenha admitido que definir o preço "foi um desafio" —o preço de venda do iPhone teve de ser cortado em US$ 200 alguns meses depois que ele chegou às lojas—, ele jamais duvidou de que o novo aparelho seria "imenso".

"Usá-lo não dava trabalho algum", disse. "E eu imediatamente soube que aquela era a resposta —tudo mais passaria a se comportar daquela maneira."

 

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