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 Oposição venezuelana bloqueia ruas para promover plebiscito contra Maduro - Jornal Brasil em Folhas
Oposição venezuelana bloqueia ruas para promover plebiscito contra Maduro


Forças de segurança e manifestantes se enfrentaram nesta segunda-feira em Caracas durante um bloqueio de ruas realizado pela oposição venezuelana nas vésperas do plebiscito previsto para domingo contra a Assembleia Constituinte convocada pelo presidente Nicolás Maduro.

Ao menos dez jovens e alguns policiais ficaram feridos e vários manifestantes foram detidos nos distúrbios no leste da capital, constataram jornalistas da AFP.

Com cordas, veículos e barricadas de árvores e de lixo, grupos de opositores participam do grande bloqueio de dez horas convocado pela Mesa da Unidade Democrática.

Este povo está decidido a continuar a luta pela liberdade. No domingo haverá o ato de desobediência civil mais importante da história da Venezuela, declarou o deputado da oposição Freddy Guevara, vice-presidente do Parlamento, de maioria opositora, em um bloqueio no leste de Caracas.

À margem do poder eleitoral, os opositores da MUD realizarão no próximo domingo um plebiscito simbólico, confiantes de que a votação mostrará uma rejeição em massa à Constituinte convocada por Maduro para, segundo eles, perpetuar-se no poder.

Nesse mesmo dia, o poder eleitoral realizará uma simulação das eleições da Assembleia Constituinte convocada por Maduro.

O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) disponibilizará 2.000 máquinas de votação no domingo 16 julho, em um simulacro para orientar os cidadãos sobre as formas de exercer o direito ao voto, informou um comunicado do organismo.

O CNE anunciou que ativará alguns centros de votação em todo o país, sem fornecer mais detalhes.

- Liberdade plena para López -

A defesa do líder opositor venezuelano Leopoldo López pediu nesta segunda-feira ao Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) o acesso à sentença que determinou sua prisão domiciliar, a fim de preparar ações legais por sua liberdade plena.

Em frente à Suprema Corte, Juan Carlos Gutiérrez, advogado de López, disse a jornalistas que não recebeu da corte o texto da sentença, motivo pelo qual desconhece o alcance da medida e as restrições dos direitos do dirigente político.

Quando tiver acesso à sentença para analisá-la, a defesa pretende apresentar recursos que impliquem na nulidade absoluta, plena e inequívoca do processo e de sua condenação, que leve à liberdade plena de López, manifestou Gutiérrez.

O jurista assegurou que o caso foi uma cadeia incessante e constante de violações graves ao devido processo legal.

De qualquer forma, Gutiérrez disse ter recomendado a López absoluta prudência nas palavras, o que explica ele não ter feito qualquer declaração à imprensa ou emitido uma mensagem no Twitter.

- Não queremos uma Síria -

O governo afirma que nada atrapalhará a Constituinte, cujos 545 integrantes serão eleitos no dia 30 de julho. Em todos os estados do país, milhares de apoiadores, vestidos de vermelho, participam nesta segunda-feira de atos de campanha.

Não queremos mais guerra, não queremos uma Síria. Podemos estar chateados com revolução por certas coisas que não estão funcionando, mas todo o povo chavista tem que votar, disse Steven Márquez, em um desses atos.

Em outra concentração, a esposa de Maduro, Cilia Flores, candidata à Constituinte, assim como o filho do presidente, criticou os loucos que se empenham em fechar as ruas e falam de democracia.

Quem não quer a paz são os loucos, os irracionais, os fascistas, um grupinho muito pequeno, mas que causa muitos danos. A Constituinte trará paz, disse a primeira-dama.

Maduro assegura que com a Constituinte, um supra poder que regirá o país por tempo indeterminado, trará a estabilidade política e econômica.

Em uma conversa telefônica, Maduro informou ao presidente russo, Vladimir Putin, seu aliado, sobre os esforços para chegar à normalização da situação política na Venezuela, segundo o Kremlin.

De acordo com o instituto de pesquisa Datanálisis, cerca de 70% dos venezuelanos não concordam com a Constituinte, e 80% rejeitam o governo do presidente socialista.

A Igreja católica, que na semana passada chamou o governo de ditadura, pediu nesta segunda-feira que Maduro retire de forma urgente seu projeto, se quiser resolver os problemas de escassez e insegurança, e devolver a institucionalidade democrática ao país.

- Estamos mais perto -

Animados com a transferência de Leopoldo López da prisão, após três anos e cinco meses, para cumprir pena domiciliar, os opositores dizem que continuarão nas ruas contra a Constituinte, pela libertação plena de 431 presos políticos que dizem haver na Venezuela e pela saída de Maduro.

A (soltura) de Leopoldo é um passo, temos que continuar por todos os presos e até que haja eleições gerais. Este governo quer nos matar de fome. No domingo verá que não tem apoio. Aqui não há medo, disse à AFP Miguel Vielma, universitário de 18 anos.

A oposição garante que os resultados do plebiscito serão o marco zero de manifestações simultâneas e maciças em todo o país, sem descartar uma greve geral.

Vou continuar na rua. Agora que estamos mais perto não podemos parar. Espero que no domingo o país inteiro não tenha medo e se mova contra essa Constituinte com a qual Maduro quer o poder absoluto. A Venezuela será uma Cuba, declarou à AFP Yoleima Zambrano, de 50 anos, enrolada em uma bandeira nacional.

Chavistas críticos ao governo, incluindo vários ex-ministros do falecido presidente Hugo Chávez (1999-2013), expressaram no último domingo sua rejeição à Constituinte e consideraram legítima a consulta opositora.

A procuradora-geral, Luisa Ortega, figura mais forte do chavismo a se opôr à Constituinte, garante que essa iniciativa destruirá o legado de Chávez e violenta a democracia porque não se perguntou em plebiscito se os venezuelanos gostariam de mudar sua Carta Magna.

Até a terça-feira, o Tribunal Supremo de Justiça (TJS) decidirá se processará Ortega.

Uma destituição da procuradora - chamada de traidora por Maduro - desataria outra chuva de críticas contra o governo, após a tormenta da semana passada pela invasão de um grupo chavista no Parlamento.

 

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