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171 do coração pode ser evitado

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A psicóloga Máris Eliana Dietz e a jornalista Dalvina Nogueira são autoras do blog Bem Me Quer Mal Me Quer, que trata justamente dos sucessos e insucessos nos relacionamentos que começam online. Elas vêm com bons olhos o fato de a Justiça estar cada vez mais atenta aos chamados casos de estelionato sentimental, com muitas vítimas sendo indenizadas e com as pessoas estando mais imbuídas na busca de orientação sobre como se precaver desse tipo de golpe. O caso é bem retratado na novela da Globo A Dona do Pedaço, onde nem a beleza de Maria da Paz a livrou de ser mais uma vítima do 171 do coração. Na trama ela é vítima de Régis, um playboy bonitão que se aproximou da moça para obter vantagens financeiras.
Porém, a arte imita a vida e cresce a cada dia o número de denúncias de pessoas que se dizem vítimas desse tipo de crime. A internet, onde muitos romances começam atualmente, tem sido um facilitador para quem age com o objetivo de seduzir, devido principalmente ao anonimato que a rede propicia no início. Porém, ao ganhar a seara pessoal, o crime segue os mesmos parâmetros, na qual um lado é levado a garantir vantagens, normalmente financeiras, para a outra parte. Elas destacam a dificuldade de a vítima comprovar perceber que está sendo lesada visto que o golpe se desenvolve numa seara muito delicada: a emocional.
Em caso mostrado pelo Fantástico, a empresária Sílvia Helena de Albuquerque de Brasília conseguiu na Justiça o direito de reaver bens que haviam sido repassados a namorado durante relacionamento. Uma outra ganhou o direito de ser indenizada pelo ex-namorado em R$40 mil. As duas são vítimas do que está sendo conhecido como estelionato sentimental – o 171 do coração – no qual uma das partes do casal se aproxima da outra para obter vantagens, normalmente financeiras.
Um motorista de Goiânia, por sua vez, recentemente, virou manchete nacional ao aplicar o golpe do Don Juan em mais de sete mulheres do País e também se tornou alvo da polícia e do judiciário. Casos como esse têm levado e também outros profissionais se debruçarem para analisar esse tipo de conduta com o objetivo de auxiliar homens e mulheres que buscam relacionamentos, principalmente os que começam virtualmente, e, mais do que isso, orientar para que elas não sejam vítimas seja do estelionato sentimental.
Para as estudiosas do caso qualquer pessoa pode ser vítima desse tipo de estelionato. Elas entendem que deve-se considerar alguns pontos de fragilização da pessoa, como a situação emocional e de autoestima em que a pretensa vítima se encontra. No blog elas retratam diversos casos que, em menor ou maior escala, tenham resultado em traumas ou boas histórias a serem contadas. A dupla está, ainda, produzindo um livro sobre o assunto, no qual narra casos diversos usando-os de pano de fundo para fazer uma análise psicológica e ainda dando dicas para não só se ver livre das chamadas armadilhas emocionais virtuais, mas também para tentar garantir o que as plataformas de relacionamentos propagam: sucesso em encontrar o par ideal digitalmente
De acordo com a jornalista, ela própria usuária dos sites e apps de relacionamento, são muitas as narrativas de pessoas que foram abordadas por um perfil de golpista. “O ideal é que nem aja o primeiro contato com esses perfis, que a pessoa se oriente e adote medidas para identifica-los antes de acontecerem as primeiras conversas, já que eles são sedutores profissionais e sabem muito bem identificar as carências e vulnerabilidades de suas vítimas”, afirma a jornalista. “
Segundo as pesquisadoras do assunto, os golpistas sabem o que estão fazendo, uma vez em contato com a vítima alvo vão estar atentos aos seus menores sinais de carência e de fragilidade para então preencherem, num primeiro momento, esse vazio, tornando-as mais suscetíveis aos golpes. Em poucos dias ele se torna o parceiro ideal de suas vítimas. Associa-se a isso o fato de que existem quadrilhas especializadas em criar personagens com impressionante riqueza de detalhes e verificações de informações.
A psicóloga Máris Eliana acrescenta que, pela velocidade da fala e falsa ideia de intimidade, há uma aproximação irreal do casal que passa a trocar confidências e informações sobre suas vidas privadas. Quando se trata de duas pessoas bem-intencionadas, a relação pode se concretizar e durar no real de forma satisfatória. Se uma das partes não está sendo honesta, ainda que emocionalmente, sempre há o risco de um dos lados sair prejudicado.
Se precaver de golpes estaria, então, ligado se informar sobre ocorrências e perfis não confiáveis, mas também ao preparo emocional do internauta. “Devemos nos fortalecer como pessoas antes de procurarmos o virtual. Entender nossas carências, fechar feridas. Mantenha nesse espaço as mesmas cautelas vivenciadas no real. Se adotar critérios – de autoconhecimento e segurança prática – a internet poderá ser a maravilha que se propõe: uma ferramenta de aproximação não antes vista. Capaz de encurtar distâncias, quebrar castas e fazer o amor acontecer, independente do sexo ou idade”, completa a psicóloga.
– – I5D 3143

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