Colaboração é única saída para os bancos

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ENTREVISTA – Robert Wardrop, diretor executivo do Centro de Finanças Alternativas da Universidade de Cambridge (Inglaterra)

O que podemos chamar de finanças alternativas?

Trata-se de instrumentos de finanças que emergem de fora do sistema regulado das instituições financeiras. Podemos citar como exemplo o crowdfunding (financiamento coletivo por meio de plataformas online). Ideias assim não partiram de um banco, assim como muitas outras inovações que vemos por aí, em outras áreas como crédito e meios de pagamento. O interessante é que, se bem sucedidos, esses novos instrumentos acabam entrando no sistema regulado. As fintechs têm influenciado o desenvolvimento desses canais alternativos de finanças.

Quais são as áreas dos bancos que serão mais afetadas com essa onda de fintechs que vemos em todo mundo?

Muitas áreas serão afetadas, mas acredito que a principal delas é a de empréstimos para consumidores e pequenos empresários. Se antes os bancos eram os únicos a ter informações sobre os indivíduos ou sobre as empresas para realizar, então, a análise de crédito, hoje, as pegadas digitais que existem na internet permitem que startups com pouco tempo de existência façam uma análise minuciosa e eficiente dos riscos do indivíduo ou empresa não pagar pelo empréstimo. Há uso de tecnologias avançadas, como inteligência artificial, e as análises são feitas em segundos, sem que a pessoa vá a uma agência bancária ou já tenha feito algum empréstimo. Um dos maiores exemplos mundiais nessa área é a empresa Kreditech, de Hamburgo (Alemanha) que, usando Big Data, consegue fazer análise de créditos em 35 segundos, com operações realizadas 100% por meio de canais online.

Diante dessas novas tecnologias como ficam as instituições tradicionais?

Os bancos estão sem outra saída que não seja a colaboração com essas inovações que vem de fora. A tecnologia está mudando tudo de forma muito rápida e eles sabem que têm de inovar. Ao mesmo tempo, operam em um mercado extremamente regulado e com uma cultura corporativa muito conservadora que dificulta esse movimento. Por isso, é cada vez mais comum essa colaboração de empresas tradicionais e mais sólidas com essas startups do setor financeiro.

A colaboração também é positiva para as startups do setor financeiro? Por quê?

Extremamente positiva por três razões. É bacana ter ideias inovadoras, a partir de novas tecnologias, mas elas não podem ser colocadas em prática se você não tem acesso ao mundo real. A partir de parcerias com grandes instituições financeiras, essas startups têm acesso a informações que fazem com que os produtos e serviços sejam desenvolvidos de forma mais rápida e melhor. Além disso, há uma questão de validação, de ganho de credibilidade. A partir do momento que a startup tem um reconhecimento, uma parceria, alguma relação com uma instituição financeira já consolidada no mercado, fica mais fácil de apresentar e validar seu produto perante outras empresas. Por último, essas parcerias podem se transformar em oportunidades lucrativas para as fintechs, por meio da venda de seus produtos e serviços.

Como a onda das fintechs vai mudar o dia a dia das pessoas em todo o mundo?

No que diz respeito a empréstimos, por exemplo, grande parte dos custos para os clientes está relacionada à insegurança da análise de crédito, na capacidade ou não do individuo pagá-lo. A partir do momento que a tecnologia possibilita uma análise mais rápida, eficiente e barata, os custos podem diminuir, assim como as burocracias. Isso é muito positivo para as pessoas. Acredito, no entanto, que as pessoas devem dar uma atenção maior a todas as pegadas digitais que deixam na rede, mesmo sem perceber. As pessoas têm de levar isso em consideração, porque essas informações estão sob análise a todo instante. – BRASIL EM FOLHAS COM AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS – I3D 883

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