Terremoto bancário e petróleo derrubam Bolsas mais uma vez

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As Bolsas mundiais voltaram a desabar, nesta quinta-feira, com quedas acentuadas no setor bancário, devido às preocupações com o valor do petróleo e com a situação da economia mundial.

A recuperação de quarta-feira foi de curta duração e, hoje, os mercados não resistiram. Esse movimento de retração de desde o início do ano parece não ter fim.

Na Europa, o índice FTSE-100 de Londres caiu 2,39%; o Dax-30 de Frankfurt, 2,93%; e o CAC-40 de Paris, 4,05%. As quedas foram ainda mais pronunciadas nas praças de Madri, onde o Ibex-35 recuou 4,88%, e de Milão, onde o FSTE-Mib afundou 5,63%.

Em Wall Street, as quedas também se aceleravam, depois que a presidente do Federal Reserve (Fed, o Banco Central americano), Janet Yellen, considerou prematuro avaliar o impacto das turbulências mundiais nos Estados Unidos.

A onda expansiva começou na Ásia, com uma queda de quase 4% do índice Hang Seng de Hong Kong, em sua primeira sessão depois de três dias de feriado pelo Ano Novo lunar.

Terremoto bancário

A queda parece incontrolável no setor financeiro, que já vem lastreando os índices há várias semanas. A imprensa alemã apelidou o momento de terremoto bancário.

Na França, o Société Générale retrocedeu 12,57%, e o BNP Paribas, 6,02%. Na Itália, Ubi Banka caiu 12,11%, e o BMPS, 9,88%. Na Espanha, o España Bankia perdia 7,64%, e o BBVA, 7,14%.

O primeiro banco alemão, o Deutsche Bank, também despencou, perdendo 6,14%. Na quarta-feira, a instituição subiu quase 16% por rumores sobre uma operação de recompra da dívida destinada a acalmar os temores sobre sua solvência.

A situação não foi melhor na City de Londres, onde a Barclays perdeu 7,01%, e a Standard Chatered, 5,09%.

O presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, considerou, porém, que os bancos da zona euro, duramente afetados pela crise econômica e financeira global de 2007 e 2008, estão hoje em melhor situação do que há alguns anos.

Há cada vez mais riscos (…) e certa volatilidade nos mercados, mas podemos dizer que, estruturalmente, a zona euro está mais bem posicionada do que estava há alguns anos. Isso também vale para nossos bancos, declarou Dijsselbloem, ao final da reunião de ministro do Eurogrupo em Bruxelas.

Dijsselbloem ressaltou o papel da União Bancária criada na zona euro para criar uma estabilidade no setor financeiro e romper o vínculo entre bancos e [dívida] soberana.

Antes dessa em Bruxelas, o comissário europeu de Assuntos Econômicos, Pierre Moscovici, também destacou que a economia do continente é sólida, tanto no que diz respeito à economia real quanto à situação dos bancos.

No conjunto, vemos que o sistema bancário europeu é muito mais sólido do que no passado. Está protegido pela União Bancária. Devemos confiar no mecanismo, defendeu.

A Europa continua sua reativação econômica. Ainda é muito modesta. (…) Fatores favoráveis continuam estimulando as exportações e o consumo. Mas também há riscos, sobretudo, exteriores, que aumentaram nos últimos meses, completou Moscovici.

Espectro de outra crise

O rebote de quarta-feira já havia perdido vigor ontem, depois que Janet Yellen manifestou sua preocupação com o impacto das turbulências mundiais na economia americano.

Em audiência no Senado, nesta quinta-feira, Yellen disse considerar que ainda é prematuro avaliar o impacto da volatilidade dos mercados na economia dos Estados Unidos.

Os mercados monitoram cada palavra dela para tentar se proteger diante de um novo aumento das taxas nos Estados Unidos, depois do realizado em dezembro passado.

Suas declarações de hoje aceleraram as quedas de Wall Street, com Dow Jones perdendo 1,60%, e o Nasdaq, 0,39%.

O petróleo manteve sua tendência de queda em Nova York e fechou hoje em seu valor mais baixo desde maio de 2003.

Depois de perder US$ 3,5 nas três sessões anteriores, o barril de light sweet crude (WTI) para março cedeu US$ 1,24 e fechou a US$ 26,21.

No mercado de Londres, o barril de Brent para entrega em abril caiu 78 centavos, a US$ 30,06.

Enfrentamos uma tendência negativa geral da economia mundial, comentou Carl Larry, da firma Frost & Sullivan.

A recuperação é esperada em todo o mundo, e isso pressiona o petróleo, acrescentou.

Enquanto a economia estiver enfraquecida, e a demanda for baixa, o mercado petroleiro continuará em níveis baixos, insistiu.

Os abalos dos mercados desde o início do ano despertaram temores de uma nova crise, como a deflagrada pela quebra do banco Lehman Brothers, em 2008, na avaliação de Sylvain Loganadin, analista da corretora britânica FXMC.

Se isso não for uma crise, trata-se, de qualquer maneira, de movimentos extremamente violentos, alertou René Defossez, da Natixis.
– BRASIL EM FOLHAS COM AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS – I3D 3049

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