No Dia das Mulheres o machismo ainda é visto como o maior problema

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O dia 8 de março surgiu num contexto de luta por melhores condições de vida e de trabalho para as mulheres, inclusive o direito ao voto. O Dia das Mulheres começou a ser celebrado no início do século XX e até hoje luta-se por mais espaço na política. “É um problema seríssimo da democracia essa ausência de mulheres no meio político. Se a democracia é o governo das maiorias, como então as mulheres, que são maiorias, não estão inseridas?”, questiona a vice-governadora Margarete Coelho.

A primeira mulher a ocupar o cargo de Governadora do Estado do Piauí enxerga a posição não como um bônus, mas sim como uma missão. “Não é uma vitória pessoal. Eu vejo como uma obrigação para dar o melhor de mim, porque as cobranças para as mulheres veem no superlativo”, justifica Margarete. O segundo cargo mais importante no Poder Executivo Estadual, no entanto, não diminui o machismo que a cerca. “É difícil, muito difícil. É revoltante também. Eu acho extremamente injusto”, corrobora.
Alesandra da Silva, delegada titular da Delegacia de Proteção dos Direitos da Mulher, acredita que a maior vitória diz respeito à própria independência. “A mulher agora é conhecedora dos seus direitos. Hoje em dia a mulher não admite mais ser oprimida, ser humilhada”, afirma.

Policial há cerca de 15 anos, Alesandra afirma que a maior dificuldade no enfrentamento do crime contra a mulher é a falta de educação masculina e o machismo. “É a realidade. O homem ainda é muito machista. Há casos aqui do homem agredir a mulher simplesmente porque chegou em casa e a comida não estava feita”, descreve. “Como que uma pessoa agride outra por um motivo tão esdrúxulo?”
Enfrentar homens tão machistas, para a delegada, entretanto, não é nenhum problema. “Eu não sei se porque represento o Estado, mas eu não enfrento tanta dificuldade. Eu deixo todo mundo orientado e falo dos direitos tanto do homem quanto da mulher, mas eu deixo claro qual a minha posição e qual a posição deles”.

Na opinião de Margarete Coelho, a violência contra a mulher é baseada na premissa de que “há um espaço que é da mulher e um espaço que é do homem e quando a mulher não se coloca nesse espaço ela pode ser punida inclusive com a morte”. Uma herança histórica que pouco a pouco vem mudando.

Para a vice-governadora, dizer que alguém é feminista é, pro vezes, visto como uma agressão, uma acusação. “É como se você defender o seu direito de igualdade, de direitos humanos, fosse uma agressão, uma afronta”. A gestora destaca ainda que a mulher pode ser feminista em qualquer ocasião. “Ela apenas não aceita a submissão, ela quer conquistar. Quer ser uma boa profissional, ser politicamente independente. O feminismo é isso. Qualquer uma pode ser mulher e ser feminista do seu jeito. Eu posso optar por não trabalhar fora, por cuidar da minha casa, cuidar dos meus filhos e ser feminista na medida em que eu educo os meus filhos ensinando que não tem tarefa de homem e tarefa de mulher”. – BRASIL EM FOLHAS COM AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS – I3D 5621

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