Construtora Delta lavou R$ 370 mi em obras viárias e do Pan do Rio, diz PF

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As investigações da Polícia Federal e do MPF (Ministério Público Federal) que deram origem à operação Saqueador, nesta manhã de quinta (30), descobriram que a construtora Delta cometeu irregularidades em obras do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) e na construção do parque aquático Maria Lenk, obra realizada em 2006 para o Pan de 2007. O parque aquático será local de competição na Olimpíada. Lá serão disputadas provas de salto ornamental.
Entre 2007 e 2012, segundo os investigadores, a Delta lavou R$ 370 milhões por operadores escolhidos pelo esquema que realizaram pagamentos a 18 empresas de fachada criadas pelo empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, preso esta manhã em Goiânia. Já entre 2006 e 2012, o Dnit repassou à empresa cerca de R$ 11 bi à Delta. O MPF constatou fraudes em licitação, superfaturamento, desvios de verba pública e pagamentos indevidos em projetos de infraestrutura.
“Em cada uma das obras que conseguimos identificar, a Delta obteve alguma vantagem. No caso do parque Maria Lenk houve uma dispensa indevida de licitação. Há casos em que as obras sequer foram feitas”, explicou o procurador da República Leandro Mitidieri.
Até as 12h desta quinta, três haviam sido presas. Duas em Goiás: além de Carlinhos Cachoeira, ainda foi detido o diretor da Delta Cláudio Abreu. Em São Paulo, a PF prendeu o empresário Adir Assad. Outros dois ainda não foram detidos. Um deles, no Rio, é o empresário Fernando Cavendish, dono da Construtora Delta. Cavendish deixou o Brasil no último dia 22. A PF acredita que ele deve fazer algum contato com a polícia nas próximas horas. O outro procurado, este em São Paulo, é Marcelo Aboud. A sua defesa já fez contato com a PF informando que ele irá se entregar nas próximas horas.
A operação Saqueador descobriu um esquema montado, de acordo com o procurador da República Leandro Mitidieri, pela Delta Construções para lavar dinheiro de propina repassados à agentes públicos. Para tentar descobrir o caminho do dinheiro, peritos da Polícia Federal passaram 30 dias realizando análises contábeis na documentação da Delta.
“Seguimos o dinheiro ao inverso tentando chegar à origem. Assim conseguimos o vínculo direto com as obras públicas”, afirmou o delegado Tácio Muzzi, da Delegacia de Repressão à Corrupção e Crimes Financeiros (Delecor).

OUTRO LADO

A defesa de Fernando Cavendish afirmou estar “estarrecida com a decretação de sua prisão” e que “tomará as providências judiciais para reverter esta insuportável ilegalidade”.
“A prisão foi requerida nos autos de inquérito policial que tramita há mais de três anos, no qual Fernando Cavendish sempre atendeu às solicitações da autoridade policial, nada justificando a adoção desta medida extrema”, afirma a defesa.
Procurado, o advogado Miguel Pereira Neto classificou como desnecessária a detenção de seu cliente, Adir Assad, que já cumpria pena em prisão domiciliar. De acordo com ele, não há nenhum episódio novo em relação aos fatos descobertos pelas operações Lava Jato e Monte Carlo que justifiquem a detenção. A defesa entrará com pedido de habeas corpus ainda nesta quinta.
“O Supremo Tribunal Federal já havia se entendido que a reclusão de Adir não era necessária. Não faz nenhum sentido prendê-lo no momento em que estava num regime de restrição de direitos, sem que tenha surgido algo novo”, argumentou. A Delta afirmou que não vai comentar o ocorrido. – BRASIL EM FOLHAS COM AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS – I3D 12772

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