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 Marília Mendonça: a "Adele brasileira" move multidões - Jornal Brasil em Folhas
Marília Mendonça: a "Adele brasileira" move multidões


O centro cultural de Floriano, uma cidade de quase 60.000 habitantes no Estado do Piauí, tinha um grande show programado para a noite da última quarta-feira, 20 de julho, e por isso a bilheteria pegou fogo. Literalmente. Em frente ao palco, centenas de fãs aguardavam Marília Mendonça, uma jovem cantora sertaneja, mas quem apareceu foi um homem que lhes informou que Marília estava doente e não poderia atuar naquela noite. Num vídeo gravado com celular e publicado no YouTube, se vê que o público reagiu gritando insultos e atirando objetos no palco. Em outro, alguns dos fãs piauienses, irados, ateiam fogo à bilheteria. No dia seguinte, Marília publicou uma postagem no Instagram, onde tem 1,5 milhão de seguidores, dizendo que estava hospitalizada e dando a entender que alguns fãs tinham desejado a sua morte.

Assim está a vida de Maria Dias Mendonça nesta semana em que ela completa 21 anos, transformada no fenômeno mais certeiro da música brasileira recente. Praticamente desconhecida há menos de um ano, ela se tornou uma das artistas mais ouvidas no YouTube, em um país que devora fenômenos digitais: nos 11 primeiros dias de julho, seus vídeos oficiais acumulavam 289 milhões de execuções. A moça de Cristianópolis, pacato município de 3.000 habitantes no interior de Goiás, conseguiu superar gigantes do pop internacional como Ariana Grande, Shakira e Taylor Swift. E também Adele, a quem a imprensa brasileira frequentemente a compara, talvez por terem ambas uma voz potente e a capacidade de comporem seus próprios sucessos; ou porque, como Adele, Mendonça não tem o corpo de modelo infelizmente exigido das rainhas do pop atual.

Mas ela já era assim quando começou a compor, aos 12 anos, e também aos 15, quando começou a trabalhar com a agência WorkShow, especialista em alavancar jovens brasileiros para o sucesso musical. Muitos de seus artistas (nomes como Cristiano Araújo, Lucas Lucco, Jorge & Mateus e, já em outro patamar, a dupla Henrique & Juliano) há anos aproveitam as composições de Mendonça. Algumas delas se tornaram referências do sertanejo moderno.“No escritório, ficaram esperando a hora certa de me lançar”, contou ela há alguns meses ao portal UOL, recordando aquela época. “Meu empresário me dizia: ‘Marília, sua voz é muito jovem, você fica nos bastidores’.” Em agosto de 2015, se apresentou pela primeira vez a um grande público. Não tinha experiência com plateias maiores que a sua própria família. “Foi difícil. Li muito a Bíblia, falei muito com a minha mãe, e ainda assim fiquei bastante nervosa”, continuou. Mas aquela noite mudou tudo. Resultou no clamor popular, nos 15 shows por mês, nas plateias de até 10.000 pessoas… E num novo apelido nos escritórios da WorkShow, Maquininha, por ter se revelado uma máquina de ganhar dinheiro.

E assim, a toda velocidade, chegou a 2016 e à quarta-feira desta semana, quando Marília deixou de subir ao palco. Segundo a WorkShow, ela estava com muita tosse e dor no peito, e um médico lhe diagnosticou pneumonia. E mesmo assim seu show deu o que falar. Até quando Marília não canta, a bilheteria pega fogo.

 

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