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 Crise bancária europeia pode fazer Bolsa devolver o rali, dizem analistas - Jornal Brasil em Folhas
Crise bancária europeia pode fazer Bolsa devolver o rali, dizem analistas


SÃO PAULO - A saída do Reino Unido da União Europeia aumentou as preocupações com os problemas dos bancos europeus, principalmente os italianos, para os quais já se avalia um resgate em vista do grande número de empréstimos inadimplentes. Para analistas, esse foco de tensão, que não foi ainda precificado pelo mercado, tem grandes chances de votar ao radar, e isso é um importante risco para aqueles que continuaram comprados em ativos de risco na euforia das últimas semanas.

Para entender esse risco, é bom lembrar primeiro que a preocupação com os bancos europeus já está em pauta há um bom tempo, e teve seu ápice durante a crise do petróleo que levou o barril a US$ 26 no começo deste ano. Na época, os investidores temeram por conta da exposição das instituições financeiras às companhias do setor de Óleo e Gás. Dessa vez, o medo tem a ver com a possibilidade de que uma desaceleração no cresicmento da zona do euro, causada principalmente pelo Brexit, pressione ainda mais os já pesados balanços dos bancos da região. Às voltas com altas taxas de inadimplência, os italianos seriam os mais frágeis nesse cenário.

Exposto esse quadro geral, é bom lembrar que essa quarta-feira (27) tem divulgação do resultado do Deutsche Bank referente ao segundo trimestre de 2016. Dependendo dos números apresentados, muitos analistas temem a reação das bolsas por conta do aumento do risco sistêmico na zona do euro. Uma eventual quebra dos bancos italianos, geraria uma reação em cadeia semelhante ao que vimos nos EUA em 2008 e o Deustche Bank está bastante exposto a esses riscos, afirma Pablo Stipanicic Spyer, diretor da mesa de trade da corretora Mirae Asset.

Reflexo desse medo dos investidores é o atual nível do CDS (Credit Default Swap) - uma espécie de seguro contra o calote da dívida de um determinado país ou empresa - do Deutsche em relação aos seus pares. São 219 pontos-base para o banco alemão contra 149 do banco Santander ou 140 do Credit Suisse, por exemplo. Em relação aos bancos americanos a diferença é ainda maior. Os CDSs do Goldman Sachs e do Morgan Stanley estão respectivamente em 96 e 93 pontos-base. Ou seja, o mercado quer receber mais para segurar contra o calote do Deutsche em comparação com outras instituições financeiras.

E o mundo claramente não vai querer ver uma possibilidade de quebra dos bancos europeus, ainda mais um gigante como o Deutsche Bank. Sem dúvida se o sistema bancário Europeu se fragilizar, devolveremos o ralli das últimas semanas. Mas, se o sistema bancário Europeu se fragilizar a ponto de poder ruir, devolveremos os ganhos das bolsas do ultimos 6 meses... Isso seria outra crise de credito de grandes proporções e agora com a economia global ainda mais fragilizada, poderiamos ter consequências graves. Não me parece ser o cenário mais provável, mas o cisne negro parece estar aparecendo bastante ultimamente, avalia Spyer.

Muita calma Apesar disso, alguns gestores brasileiros acreditam que a fragilidade dos bancos europeus vai bater no mercado, mas não agora. De acordo com Rodrigo Octávio Marques, o que o mercado quer saber é se o Deutsche quebra ou não quebra, e seria quase impossível ele quebrar. Se o resultado não vier um horror, pode até dar uma aliviada, afirma.

Isso não quer dizer que está tudo bem e que não há razão para se preocupar. Marques vê grandes riscos no sistema financeiro europeu, só não acredita que o gatilho deles na bolsa seja o resultado do Deutsche. Já havia sinais de que os bancos europeus não estavam bem desde o ano passado, mas o mercado tem sido resiliente em relação a isso. Uma hora ele vai começar a precificar isso, explica.

Uma próxima oportunidade para essa crise voltar ao radar, caso não seja o resultado do banco alemão, é o resultado dos testes de estresse conduzidos pela Autoridade Bancária Europeia, que será liberado na próxima sexta-feira.

Portanto, fica claro que será importante acompanhar o resuldado do DB, mas talvez esse não seja o grande gatilho que vai começar a precificação da crise bancária europeia nas bolsas mundiais. Mais testes à paciência do investidor virão no futuro, e isso pode atrapalhar um pouco os planos de quem não espera que o rali do mercado engate uma marcha à ré.

 

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