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 Em discurso, Bill Clinton usa histórias do casal para humanizar Hillary - Jornal Brasil em Folhas
Em discurso, Bill Clinton usa histórias do casal para humanizar Hillary


O ex-presidente Bill Clinton, que carrega status de astro de rock dentro do Partido Democrata, fez um discurso emotivo sobre a moça “loira, de óculos grandões e sem maquiagem” que conheceu em 1971, “muito apropriadamente” numa aula de política e direitos civis.
Hillary Clinton, que entre 1993 e 2001 foi sua primeira-dama, pode fazer dele um inédito primeiro-cavalheiro na história dos EUA. Ela foi oficializada presidenciável democrata nesta terça-feira (26), na Convenção Nacional Democrata, e coube a Bill fechar a noite, numa fala repleta de histórias pessoais sobre a mulher.
Bill adotou uma tática manjada entre aspirantes à primeira-dama: contar anedotas do marido, para torná-lo mais humano aos olhos do eleitorado.
Em 2012, por exemplo, Michelle Obama disse que o objeto mais querido pelo presidente Barack Obama, que tentava ser reeleito para o cargo mais poderoso do mundo, era uma velha mesinha que encontrou num lixão.
Partes mais polêmicas da trajetória do casal ficaram de fora, como as traições que quase resultaram no impeachment de Bill nos anos 1990, após mentir sobre um caso com a estagiária Monica Lewinsky.
Ao remontar toda a cronologia da relação em cerca de 40 minutos, Bill tinha um ponto: retratar Hillary como alguém por décadas engajado em melhorar a vida de crianças e famílias americanas, incapaz de se contentar com menos.
“Esta mulher nunca está satisfeita com o status quo de nada”, afirmou. Mais adiante, disse: “Ela é a maior agente de mudanças que eu já conheci”.
A Hillary de Bill Clinton é desde sempre uma defensora de minorias e arquitetou uma sólida aliança global contra o terror, quando foi secretária de Estado do governo Barack Obama. E uma mulher que toma a iniciativa, como Bill deixou subentendido ao lembrar dos primeiros flertes que trocaram. Ele, paralisado, mal tinha coragem de falar com a colega. Foi Hillary quem o interpelou: “Se você vai continuar me encarando, é melhor saber meu nome: sou Hillary Rodham”.
Contou como se apaixonou pela filha de Hugh Rodham, que descreveu como um “conservador durão” (ele apoiava um dos republicanos mais linha-dura, Barry Goldwater).
Lembrou de quando a mulher aceitou um emprego eviscerando peixes no Alasca —só não mencionou que ela foi demitida em uma semana, o que a própria contou ao “New York Times” em 1992 (os peixes, disse então, eram “roxos e pretos e tinham um aspecto grotesco”).
Sem citar o nome do presidenciável republicano, Donald Trump, o ex-presidente contrapôs suas ideias às da mulher —alguém que prefere uma reforma imigratória a deportar pessoas, disse.
Num dos ápices do discurso, questionou a “real” Hillary e a caricatura que, segundo ele, desafetos lhe impõem. Hillary é vista como “desonesta” e “indigna de confiança” por 67% do eleitorado, segundo pesquisa CBS/”New York Times”.
Na plateia, a filha Chelsea estava sentada ao lado da senadora Elizabeth Warren. A candidata, segundo sua campanha, assistiu à convenção de casa, em Chappaqua, no Estado de Nova York.
O marido é um dos maiores cabos eleitorais de Hillary. Foi um dos ex-presidente mais populares —saiu do cargo com aprovação média de 55%, o que faz dele o quinto mandatário mais querido dos EUA (John Kennedy lidera com 70,5%).
Ao mesmo tempo, é visto como uma faca de dois gumes para a campanha. Em abril, Bill interrompeu um ato para discutir com duas militantes do Black Lives Matter, e um mês depois brigou com um partidário de Bernie Sanders.
Algumas políticas de seu governo também são questionadas, e seus casos com outras mulheres já foram usados por Trump contra a campanha de Hillary. Antes do discurso do ex-presidente, o magnata disse que “não importa o que Bill Clinton disser e não importa quão bem ele se saia, a mídia falsa vai exclamar que foi incrível. Altamente superestimado!”.

 

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