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13 de Nov de 2018 - Jornal em tempo real - Expediente - Publicidade

 

 
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 Em Brasília, festival debate falta de diversidade na mídia tradicional - Jornal Brasil em Folhas
Em Brasília, festival debate falta de diversidade na mídia tradicional


O uso de mídias alternativas e outras formas de comunicação, que dão visibilidade e quebram os estereótipos de grupos marginalizados, foi tema de discussão hoje (27), em Brasília, no Festival Latinidades, que ocorre até domingo (31) na cidade. O evento já se consolidou como o maior festival de mulheres negras da América Latina.

Morando no Morro do Alemão, no Rio de Janeiro, há seis anos, a jornalista Thamyra Thâmara disse que descobriu logo na graduação a falta de diversidade na mídia tradicional e precisou pensar em outras narrativas para comunicar a realidade da periferia.

Para Thamyra, a história de grupos marginalizados, como negros, mulheres e LGBTs, é sempre “contata de cima”. “A mídia tradicional acaba criando estereótipos a todo momento. Estamos tentando contar a nossa história, temos que ocupar os espaços e colocar os nossos códigos ali, dizer que o que fazemos também é cultura e inovação, que temos muito a ensinar”, disse.Thamyra é idealizadora do Gato Mídia, um projeto de convivência e aprendizado em mídia e tecnologia para jovens de espaços populares. O termo gato vem de gambiarra e, segundo ela, a brincadeira com o nome tem relação com a criatividade de quem vive na favela e não é representando pelos grupos oficiais. “É uma forma de resistir e criar”, disse.

Ela explicou, entretanto que a dificuldade de todos que trabalham com mídia periférica e alternativa é o financiamento para continuar produzindo. “O jovem de classe média consegue viver daquilo que ele cria, o jovem preto da favela, não. Esse é um grande desafio do comunicador popular, ser reconhecido como comunicador e viver da sua criatividade”, disse.

A cantora Thabata Lorena, do Distrito Federal, contou que vive de bicos e do seu trabalho como arte-educadora. Ela é cantora de RAP, mas disse que é um cenário ainda muito machista. “Todos os espaços de poder estão acostumados com a presença masculina. Mas o cenário é muito mais favorável hoje do que já foi”, disse.

Para ela, o cenário musical também é “embranquecido”. “O mundo foi comunicado de uma forma que não é pra gente. A população negra tem produzido nesse contexto da diáspora em vários lugares do mundo, são os maiores produtores do século 21. O jazz, o rock, tudo que a gente vê embranquecido é porque quando chega lá é alguém branco que vai mostrar. A cultura negra está na moda, mas o negro não”, disse.

Thabata falou sobre a riqueza de informação que é a música negra, indígena e contemporânea brasileira. “Aí tem essa história da resistência. Mas se passar tanto tempo resistindo, não vamos existir. Não queremos estar sempre no duro, no osso, queremos a abundância que vida tem”, afirmou.

“Mas tem coisas que não conseguimos pautar. E vi que poderia usar meu bom humor para dar o recado. No veículo tradicional, não vão falar de relacionamento abusivo, às vezes o cara pratica um relacionamento abusivo, ele não vai pautar isso. Porque são eles mesmos que estão no comando da mídia tradicional, são homens brancos”, disse.A jornalista baiana Maíra Azevedo também falou no Festival Latinidades sobre a Tia Má, sua personagem nas redes sociais, que fala sobre empoderamento feminino e relacionamentos abusivos. Maíra é repórter de mídia tradicional de um dos jornais mais antigos do Nordeste, A Tarde.

Segundo Maíra, entretanto, existem os critérios de noticiabilidade. “Nós não estamos em nenhum deles. Estamos sempre morando à margem, até quando morremos em quantidade é só para virar dado estatístico. Nossas mortes não chocam tanto, não geram mais notícia, já fazem parte do cotidiano”, disse, destacando que é preciso usar os meios alternativos para pautar a mídia tradicional.

“Por isso, as redes sociais são fundamentais, quando a gente consegue fazer com que um assunto entre nos trending topics, de fato a mídia tradicional vai ter que falar sobre isso. Precisamos criar mecanismos para burlar o boicote que existe na mídia tradicional. A população negra não se vê porque historicamente nunca foi interessante que a gente falasse”, argumentou.

Festival

Criado em 2008, o Festival Latinidades marca as celebrações do Dia da Mulher Afro-Latino-Americana e Caribenha. A 9ª edição do evento tem como tema a comunicação e as atividades se concentram no Museu Nacional, na Esplanada dos Ministérios.

Organizado pelo Instituto Afrolatinas e Griô Produções, o evento deste ano tem a parceria das Nações Unidas no Brasil e patrocínio do governo do Distrito Federal.Na programação, estão previstos debates, conferências, lançamentos de livros, oficinas, cinema, exposição de fotos, feiras e shows, entre outras atividades. O festival ainda tem atrações para crianças no Espaço Infantil, com brincadeiras, roda de conversa e bailinho. A programação completa está disponível no site www.afrolatinas.com.br.

 

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