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25 de Mar de 2019 - Jornal em tempo real - Expediente - Publicidade

 

 
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 Campanha anti-Trump remete à brasileira #MeuPrimeiroAssédio - Jornal Brasil em Folhas
Campanha anti-Trump remete à brasileira #MeuPrimeiroAssédio


O pai para quem eu trabalhava como babá parou numa estrada escura. Eu: 13 anos. Parou ao perceber que seria pego”, diz Martha.
“Meus meio-irmãos, oito e dez anos. O pai deles gargalhou quando contei e os colocou de novo na cama comigo”, conta Rachael.
“Índia, 12 anos. Cara pega na minha bunda no meio da rua. Eu grito, e uma senhora da idade da minha mãe me recrimina com raiva: ‘Por que você está fazendo uma cena?’”, compartilha Ramya.
Não, Donald Trump, não “está ok” —é essa a mensagem que a campanha #NotOkay, com milhares de menções nas redes sociais, quer passar ao presidenciável republicano e a todos que concordam que alusões a abuso sexual por ele ditas há 11 anos.
As declarações só vieram à tona agora e seriam, segundo Trump, apenas “conversa de vestiário” —daquelas em que homeNS falam besteiras que nunca deveriam vir a público.

PRIMEIRO ASSÉDIO

No Brasil, movimento similar, o #MeuPrimeiroAssédio, começou um ano antes, após uma participante de 12 anos do reality “MasterChef” ser alvo de comentários como: “Essa com 14 anos vai virar aquelas secretárias de filme pornô”.
A contrapartida em inglês começou com a escritora canadense Kelly Oxford, que no sábado (8) escreveu no Twitter: “Um velho ‘pega’ minha ‘xoxota’ no ônibus e sorri. Eu tinha 12 anos”.
“Quando você é uma estrela, elas [mulheres] deixam [fazer qualquer coisa]. Pegue-as pela xoxota.” Eis uma amostra do que Trump disse em 2005, num ônibus do “Access Hollywood”, programa então apresentado por Billy Bush, do clã dos ex-presidentes republicanos (que, por sinal, odeiam o atual candidato do partido).
Divulgada pelo “Washington Post”, a conversa privada dava a entender que consentimento não era necessário para “fazer o que quiser” com mulheres. Talvez por isso tenha causado mais danos à campanha do empresário do que outras de suas declarações sexistas –como a vez em que o radialista conservador Howard Stern diminuiu Ivanka, uma das filhas de Trump, a um “baita traseiro”, e o pai concordou: “Yeah”.
O presidenciável pediu desculpas e prometeu ser “um homem melhor”, mas o ceticismo impera dentro do partido, com defecções que vão do ex-presidenciável John McCain ao presidente da Câmara, Paul Ryan, e também no eleitorado feminino.

CULTURA DO ESTUPRO

O #NotOkay também expõe dados sobre o que chama de “cultura do estupro” nos EUA. De cada mil casos reportados no país, a polícia saberá de 344 deles, deterá 63 acusados, 13 serão levados de fato processados, sete condenados e seis acabarão na cadeia.
Para efeito de comparação, 20 em mil denunciados por roubo acaba encarcerados, mais do que o triplo. Os dados foram compilados pela Rainn (rede nacional de abuso, estupro e incesto).
No Brasil, entre 2012 e 2014, a polícia registrou 149 mil boletins de ocorrência por estupros no Brasil, e 42,7 mil pessoas foram presas pelo crime (o número não inclui condenações), segundo levantamento da Agência Lupa.
Lá e cá, há ainda a imensidão de casos que não vêm à tona porque as vítimas não denunciam seus agressores.

 

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