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19 de Abr de 2019 - Jornal em tempo real - Expediente - Publicidade

 

 
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 Mostra cultural marca 15 anos do Coletivo Cooperifa - Jornal Brasil em Folhas
Mostra cultural marca 15 anos do Coletivo Cooperifa


A partir de amanhã (15), durante nove dias, diversas expressões artísticas ocuparão praças, escolas e espaços culturais da periferia de São Paulo. É a Mostra Cultural do Coletivo Cooperifa que vai marcar os 15 anos do grupo, incluindo literatura, cinema, música e dança. O coletivo começou com a organização de um sarau, que todas as semanas reúne poetas para declamar versos em um bar da zona sul da capital paulista.

Entre os convidados estão nomes de destaque na literatura contemporânea, como o poeta Marcelino Freire, agitadores culturais e artistas, como o também poeta AkinsKintê, um dos fundadores do sarau Elo da Corrente, da zona norte. Na parte musical, a cantora Fabiana Cozza interpreta Clara Nunes no primeiro dia de festival e o encerramento terá uma apresentação do rapper Criolo.

Entre os temas que serão debatidos durante a mostra está a literatura negra feminina. A discussão ocorrerá no fim da tarde deste sábado, como parte da série Diálogos Ausentes, promovida pelo Itaú Cultural, que se integra à Mostra Cooperifa. Uma das convidadas é a escritora mineira Cidinha da Silva, autora de nove livros, entre crônicas e a histórias infantojuvenis.

Autoras negras

Os escritores negros estão, lembra Cidinha, entre alguns dos mais aclamados do país. Ela chama a atenção, porém, para o fato de que o enfoque racial costuma ser deixado de lado na análise da obra desse autores. “O que ocorre é uma desvinculação desses nomes ao seu pertencimento étnico-racial. Quando a gente estuda esses escritores na escola básica não tem essa vinculação deles com o pertencimento racial que têm e que é fundamental para a compreensão da obra”, ressalta.

No caso das mulheres, o contato só ocorre, segundo Cidinha, com esforço. “Esses autores e autoras existem, mas só costumam aparecer por meio da pesquisa acadêmica”, afirma a escritora, ao citar como exemplo Ruth Guimarães. Nascida em Cachoeira Paulista (19020-2014), no interior da São Paulo, escreveu poemas, cônicas e romances. Foi membro da Academia Paulista de Letras. Sua obra mais famosa é Água Funda.

“Publicou mais de 40 livros. Foi uma tradutora importante. Traduzia muita coisa da chamada literatura rural francesa”, diz Cidinha sobre Ruth. “Quando você passa a escrever, você é uma escritora ou escritor negro, você pesquisa. Mas você não tem acesso a isso na escola”, comenta sobre como ela própria chegou a esses romancistas e poetas.

Ao levar esse tipo de discussão para a zona sul paulistana, a autora espera alargar o debate da dimensão racial na literatura feita nas periferias. “Há uma série de autores e a autoras importantes de São Paulo procedentes das margens, das periferias da cidade. E há uma série de autores e autoras que nem sempre se reconhecem como autores negros, têm uma identidade da periferia que é mais forte. Eu costumo dizer que é um pertencimento geopolítico-afetivo mais forte do que o racial”, afirma.

 

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