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21 de Fev de 2019 - Jornal em tempo real - Expediente - Publicidade

 

 
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 Após prisão, Eduardo Cunha contrata advogado especializado em delações - Jornal Brasil em Folhas
Após prisão, Eduardo Cunha contrata advogado especializado em delações


Foi feita em tom baixo a primeira declaração pública do ex-deputado Eduardo Cunha após sua prisão: “É uma decisão absurda”.
A frase foi pronunciada na saída do IML (Instituto Médico Legal) de Curitiba (PR), diante de um batalhão de repórteres.
Preso há um dia pela Operação Lava Jato, Cunha passou o primeiro dia no cárcere entre reuniões com advogados e a leitura do pedido de prisão, que o acusa de tentar obstruir a investigação e intimidar testemunhas.
Um de seus primeiros pedidos aos advogados foi uma cópia do processo.
Ele vem estudando ponto a ponto os argumentos do Ministério Público Federal, faz anotações e sublinha os trechos que considera mais frágeis, repetindo que “não há fatos novos”.
Os relatos da carceragem são que o ex-deputado mantém uma atitude quase impassível: não sua, não treme e não demonstra nervosismo, permanecendo calmo.
Em Curitiba, Cunha contratou o escritório do advogado Marlus Arns de Oliveira, que fez as delações premiadas dos executivos da Camargo Corrêa, Dalton Avancini e Eduardo Leite, e do empresário João Bernardi Filho.
O defensor diz que a delação “não está no horizonte”, e que é preciso estudar o processo. O escritório também integra a defesa da mulher de Cunha, a jornalista Cláudia Cruz, que responde ação por corrupção na Lava Jato.
Os advogados do ex-deputado devem entrar com um pedido de habeas corpus no TRF (Tribunal Regional Federal) pedindo a sua soltura.
“Vamos discutir a competência da Justiça Federal, porque é um processo que já estava em trâmite no STF, e se estão presentes os requisitos da preventiva”, disse Arns.
Para ele, não há motivos para a prisão. “Se não tem fato criminoso, não precisa prender preventivamente.”

CUNHA NA PRISÃO

Na primeira noite na carceragem da PF em Curitiba, Cunha não fez nenhum pedido especial de alimentação e comeu a mesma refeição servida aos outros presos: arroz, feijão e frango.
No dia seguinte, recebeu dos advogados materiais como papel higiênico e alimentos, entre eles macarrão instantâneo do tipo cup noodles e Coca-Cola.
Cunha está em celas diferentes, mas na mesma ala do ex-ministro Antonio Palocci, preso na semana passada.
Os outros presos da Lava Jato, como o doleiro Alberto Youssef, o empresário Marcelo Odebrecht e o ex-diretor da Petrobras Renato Duque, ficam na outra ala.
A chegada do ex-deputado aumentou a tensão dentro da carceragem. A administração já começou a quebrar a cabeça, por exemplo, para fazer uma escala de banho de sol, de modo que Cunha não cruze com presos da Lava Jato.
O temor é que um eventual acordo de delação do ex-deputado atinja outros presos.
O clima já era tenso antes de Cunha chegar: João Genu, ex-assessor do deputado José Janene, não pode encontrar Youssef nos corredores.
Ele virou inimigo do doleiro antes da Lava Jato explodir. Reclamava que, depois da morte de Janene, Youssef não repassava dinheiro do esquema. Com a operação em curso, Youssef o delatou.
A tentativa de suicídio de Branislav Kontic, ex-assessor de Palocci, no início do mês, deixou a atmosfera pior.
Socorrido, Brani está preso no Complexo Médico Penal. Depois do episódio, a vigilância ficou mais rígida.

 

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