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21 de Fev de 2019 - Jornal em tempo real - Expediente - Publicidade

 

 
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 Seminário debate gestão escolar e equidade racial em São Paulo - Jornal Brasil em Folhas
Seminário debate gestão escolar e equidade racial em São Paulo


Um modelo de educação que diminua a evasão escolar mais alta entre estudantes negros no ensino médio foi debatido hoje (24) na capital paulista durante o seminário Gestão Escolar para a Equidade. Participaram diretores de escolas, coordenadores pedagógicos, professores e especialistas.

Para o professor Hélio Santos, presidente do conselho do Fundo Baobar, voltado à promoção da equidade racial no Brasil, é preciso “pensar fora da caixa” para a elaboração de “modelos de gestão inovadores”. Segundo ele, entre os motivos para a escolaridade mais baixa entre os negros está o preconceito vindo dos professores.

“Um dos problemas é a forma com que o educador se comporta dentro da sala de aula. [Alguns] trabalham com a ideia de que determinados grupos não são educáveis, são indisciplinados, não são inteligentes, são perigosos”, argumentou Santos. Para ele, exemplos positivos sobre as culturas indígena e negra precisam ser valorizados no ambiente escolar. “A diversidade em todo o lugar do mundo é uma riqueza. Aqui, é um fator para hierarquizar as pessoas”, disse o professor.

Invisibilidade

A técnica da Secretaria de Educação do Ceará, Maria Socorro Brandão, defende o orgulho de ser negro. “Comecei a perceber, em sala de aula, que a maioria dos alunos notadamente afrodescendentes não se veem dessa forma, porque isso não é trabalhado. O que fica é a questão do preconceito, dos apelidos”, disse.

Professora de história e filosofia há 18 anos e especialista em cultura afro-brasileira, ela destaca a importância da autoidentificação dos jovens negros. “O pior tipo de preconceito é a invisibilidade do povo negro. Eu, como mulher negra, sempre me senti invisibilizada, e levei isso para a minha profissão”, completou.

Maria Brandão acredita que a formação dos educadores é insuficiente. “A gente vê uma carga horária mínima para se trabalhar a questão afro-indígena, a história da África. Os professores chegam despreparados, trabalham de forma negativa, com imagens do passado, reforçando esteriótipos”, disse.

Segundo Valter Roberto Silvério, professor de Sociologia da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), é de fundamental importância levar o ensino sobre a África para as escolas. Ele coordenou o projeto Brasil-África: histórias cruzadas, que traduziu oito volumes de obras sobre a história geral da África para a língua portuguesa, com o objetivo de instruir professores.

“No caso brasileiro, é a história que ainda não foi contada. É a história dos negros no Brasil, para a além da condição de escravo”, avalia Silvério, que também já coordenou duas sínteses sobre o assunto e um livro para ser usado na educação infantil. As obras estão disponíveis em bibliotecas e também podem ser baixadas na internet, gratuitamente. Segundo ele, os livros já foram baixados 1,5 milhão vezes.

Edital

Ao final do seminário um edital será lançado com o objetivo de selecionar projetos com foco em gestão escolar capaz de elevar os resultados dos jovens negros nas escolas. Os dez projetos escolhidos receberão R$ 35 mil e apoio técnico para levar adiante as propostas.

Podem participar escolas públicas de ensino médio em todo o país. As inscrições vão até 30 de novembro no site www.institutounibanco.org.br/juventude-negra. Ricardo Henriques, superintendente executivo do Instituto Unibanco, explica que as escolas podem pensar na reestruturação de disciplinas, na gestão pedagógica e outras estratégias.

 

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