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19 de Nov de 2018 - Jornal em tempo real - Expediente - Publicidade

 

 
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 Ministro russo da Economia é acusado de corrupção, demitido e preso - Jornal Brasil em Folhas
Ministro russo da Economia é acusado de corrupção, demitido e preso


O ministro da Economia Alexéi Uliukáyev foi demitido de seu cargo nesta terça-feira depois de ser acusado e ter tido sua prisão domiciliar decretada por receber subornos de dois milhões de dólares da companhia petrolífera Rosneft.

Vladimir Putin publicou um decreto liberando Uliukáyev de suas funções, disse Peskov, citado pelas agências russas, e explicou que o ministro havia perdido a confiança do presidente.

Ulyukayev foi detido no âmbito da investigação conduzida pelo Serviço Federal de Segurança russo (FSB, sucessor da extinta KGB) por um esquema de corrupção de largas proporções.

O ministro de 60 anos, exigiu da direção da companhia Rosneft, o gigante russo da indústria petrolífera, um suborno de dois milhões de dólares para autorizar a compra da empresa Bachneft, propriedade do Estado, indicou o Comitê de Investigação da Rússia (SK).

Trata-se do mais alto funcionário russo a ser preso desde a chegado ao poder, em 2000, de Vladimir Putin, que de acordo com seu porta-voz, Dmitri Peskov, estava ciente da investigação desde o início.

Estou disposto a cooperar com os investigadores em tudo o que for possível, porque só posso reconstruir minha reputação encontrando a verdade, declarou Uliukáyev, citado pelas agências russas, antes de comparecer à justiça.

O ministro teria recebido na segunda-feira dois milhões de dólares para autorizar a companhia petrolífera semi-estatal Rosneft comprar uma participação majoritária na estatal energética Bashneft em outubro, segundo o SK. Ele também teria ameaçado usar de seus poderes ligados ao seu cargo para criar obstáculos para as atividades da companhia, de acordo com a mesma fonte.

Se for considerado culpado, o ministro, membro-chave do governo, pode enfrentar uma pena entre oito e 15 anos de prisão.

Ulyukayev foi flagrado com a mão na massa, completou.

No entanto, Petrenko disse que a compra das ações da Bashneft foi realizada em conformidade com a lei e não é questionada pela investigação.

A venda de 50,07% dos ativos da sexta maior empresa de petróleo da Rússia, com sede na república de Bashkortostan, na região dos Urais, provocou um grande debate na Rússia.

A absorção de uma companhia petrolífera estatal por outra enfrentava a oposição de parte do governo russo, mas Ulyukayev validou o processo.

Uma acusação muito grave

A companhia Rosneft é dirigida por Igor Setchine, um homem discreto e influente muito próximo do presidente Putin e considerado um dos líderes dos siloviki, nome dado ao grupo de autoridades que emergiram do serviço secreto, das forças armadas ou da polícia.

A política russa tem sido marcada nos últimos 15 anos por disputas internas entre os siloviki e os liberais, arbitradas por Vladimir Putin.

Ulyukayev é partidário de reformas de liberalização e havia advertido recentemente para a estagnação da economia russa. Como parte do governo, ele se opunha num primeiro momento à venda de capital da Bachneft a Rosneft. Mas após uma virada do Kremlin, deu início, em outubro, à transação de cerca de 5 bilhões de dólares, o que foi interpretado como uma vitória de Setchine.

Um porta-voz da Rosneft declarou à agência de notícias oficial TASS que a empresa não comenta sobre processos judiciais em curso.

No entanto, o funcionário argumentou que a aquisição das ações da Bashneft foi realizada de acordo com a lei russa, com base na melhor oferta comercial feita ao banco operador.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou à agência Interfax que esta é uma acusação muito séria, que exige provas concretas.

Em todo caso, só um tribunal pode decidir sobre a questão, disse ele.

O vice-presidente do banco central russo, Sergei Shvetsov, mostrou-se surpreso com a prisão do ministro. Ulyukayev é a última pessoa de quem se poderia suspeitar de algo. O que está sendo publicado na imprensa parece absurdo. Por enquanto nada está claro, disse à agência RIA Novosti.

 

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