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18 de Nov de 2018 - Jornal em tempo real - Expediente - Publicidade

 

 
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 Índios fazem pajelança e atribuem prisão de Cabral à praga de ancestrais - Jornal Brasil em Folhas
Índios fazem pajelança e atribuem prisão de Cabral à praga de ancestrais


A prisão do ex-governador Sérgio Cabral foi comemorada hoje (17), por indígenas, no Rio, com uma pajelança feita em frente à sede da Polícia Federal. Eles dançaram em roda, ao som de chocalhos, e lembraram que Cabral foi responsável por sua expulsão do antigo Museu do Índio, prédio histórico que ocupavam ao lado do Estádio Maracanã. Cabral foi preso na manhã desta quinta-feira, na nova fase da Operação Lava Jato, denominada Calicute, que investiga desvio de recursos públicos federais em obras do governo do Rio.

Na desocupação do museu, em 2013, os índios foram retirados à força pela tropa de choque da Polícia Militar, o que causou revolta e deixou muitos feridos. No dia em que foram expulsos, os índios avisaram que o governador havia mexido com os seus ancestrais, o que não era um bom sinal.

“Com certeza, ele mexeu onde não devia. Ele não nos escutou. Nem ele, nem a Dilma. Foram caindo um por um. Nós, com muito respeito e muita fé, pedimos ajuda aos nossos ancestrais. Os povos indígenas não separam espiritualidade e política. Se nós somos atingidos e humilhados, os nossos ancestrais estão aí para nos defender. Nós fizemos fogueiras, fizemos rituais para que fôssemos vingados pelos nossos ancestrais”, disse Michael Oliveira, do povo Baré-Mawé, do Amazonas, que atualmente é professsor e historiador na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ).

Segundo ele, o prédio onde funcionou o antigo Museu do Índio tem uma grande importância histórica, pois foi palco de inúmeras reuniões entre representantes indígenas e autoridades da época.

“Ali, no palacete onde funcionou o Sistema de Proteção ao Índio, todas as querelas dos povos indígenas eram resolvidas. Tem relatos até de mortes que aconteceram lá. Vários caciques e morubixabas de todo o Brasil iam lá, conversar com o marechal [Cândido Rondon] e o professor Darcy Ribeiro. É o local de memória material e imaterial de vários povos indígenas”, lembrou Michel.

 

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