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 Ditador Fidel Castro morre em Cuba aos 90 anos - Jornal Brasil em Folhas
Ditador Fidel Castro morre em Cuba aos 90 anos


Fidel Castro, líder da Revolução Cubana e da única ditadura remanescente nas Américas, morreu aos 90 anos em Havana, à 1h29 deste sábado (horário de Brasília). O anúncio foi feito na TV estatal pelo seu irmão e sucessor, Raúl Castro.

Comandante do levante guerrilheiro que derrubou a ditadura de Fulgêncio Batista em 1959, Fidel permaneceu no poder por 49 anos, até renunciar em favor de Raúl, em 19 de fevereiro de 2008.

À exceção da rainha Elizabeth 2ª, há 64 anos no trono britânico, o ditador cubano foi quem por mais tempo chefiou uma nação entre os líderes ainda vivos.

Ao longo de 57 anos, o regime comunista dos Castro foi diretamente responsável pela morte ou pelo desaparecimento de 9.504 pessoas, segundo o projeto Cuba Archive. Em 2016 ocorreram 9.125 prisões por motivo político.

A ditadura é reconhecida por ter melhorado as condições de saúde e educação na ilha caribenha, embora tenha legado um país empobrecido, para o que concorreu o embargo comercial dos EUA.

Embora não estivesse mais na Presidência do Estado cubano, Fidel permaneceu como o grande líder da ilha. Sua morte marca o fim de uma era de discursos longos, frases emblemáticas e confrontos com os Estados Unidos que levaram a um embargo –indicado por Fidel como o principal determinante para o empobrecimento da população cubana.

"Em cumprimento da vontade expressa do companheiro Fidel, seus restos serão cremados nas primeiras horas" de sábado, disse ainda Raúl.


No longo período em que esteve à frente do país, Fidel sobreviveu a nove diferentes governos americanos e a várias tentativas de assassinato. Para os EUA, ele representava uma lembrança constante e incômoda dos ideais comunistas que, apesar de praticamente abandonados no resto do mundo, permaneceram vivas a apenas 144 quilômetros de distância de sua costa.

Com uma interpretação própria sobre como encerrar as desigualdades sociais na ilha, Fidel liderou um golpe ao regime do ditador Fulgêncio Batista (1933-1959). Sua resistência o transformou em herói nacional e seu carisma o transformou em um líder popular. Assim, ele assumiu após a queda de Batista com promessas de restauração da Constituição de 1940, e de promover uma administração honesta, restabelecer as liberdades civis e políticas e instaurar reformas moderadas.

REVOLUÇÃO E LIDERANÇA

Um dos motivos pelos quais Fidel se manteve durante tanto tempo no poder é a sua figura profundamente carismática. Desde o início da revolução, ele frequentou atividades populares, desde seus longos discursos em tribunas abertas até a participação em debates sobre temas variados na televisão. Fidel costumava frequentar ainda eventos esportivos e culturais, sempre protegido por um forte esquema de segurança.

Membro do Partido Ortodoxo (social-democrata) nos anos 1940 e no começo dos anos 1950, Fidel tinha ideias políticas nacionalistas, anti-imperialistas e reformistas.

Em dezembro de 1956, Fidel e outros 81 rebeldes, incluindo Ernesto Che Guevara, entraram em Cuba e se estabeleceram na Sierra Maestra, de onde lançaram uma guerrilha que derrubou Batista. Fidel assumiu como primeiro-ministro de 1959 a 1976 e presidente do governo e primeiro secretário do Partido Comunista desde 1976.

No poder, nacionalizou os setores do comércio e da indústria, realizou uma extensiva reforma agrária e expropriou negócios norte-americanos e grandes propriedades rurais. Seu governo logo foi tachado de autoritário e radical e Fidel passou a acumular críticas de grupos de defesa dos direitos humanos –principalmente quanto ao tratamento dado a presos políticos e dissidentes do regime.

COMUNISMO E O EMBARGO

Desde o triunfo da revolução, Cuba manteve relações estreitas com o bloco socialista, principalmente com a ex-URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas), o que o afastou dos EUA. Em 1961, Fidel declara Cuba Estado socialista. No mesmo ano, Washington corta relações diplomáticas com Cuba e inicia um embargo econômico ao país, que dura até hoje.

Fidel assumiu para si a causa socialista e a luta contra o capitalismo na Guerra Fria. Já afetado pelo embargo americano, sofreu duro golpe quando Mikhail Gorbatchov (1985-91) assumiu o poder na URSS e instaurou abertura política e econômica e suspendeu o crucial apoio à ilha.

REAPROXIMAÇÃO COM OS EUA

Em dezembro de 2014, os líderes Barack Obama e Raúl Castro iniciaram o processo que restabelece relações diplomáticas entre EUA e Cuba, rompidas em 1961.

O acordo, fechado após 18 meses de negociações em segredo, foi mediado pelo Canadá e pelo papa Francisco. As embaixadas foram reabertas em julho de 2015.

FAMÍLIA

Fidel Alejandro Castro Ruz nasceu no dia 13 de agosto de 1926, em Birán, atual província de Holguín (leste de Cuba). Filho de Lina Ruz, foi reconhecido pelo pai, Ángel Castro, imigrante espanhol e latifundiário, somente aos 17 anos.

Fidel frequentou escolas católicas nas províncias de Santiago de Cuba e Havana, onde estudou também em uma escola jesuíta, o Colégio de Belen. Em 1945, entrou na Universidade de Havana, onde se graduou em Direito e atuou como líder estudantil.

Fidel se casou com Mirta Diaz-Balart em 1948 e se divorciou em 1954. Seu filho, Fidel Castro Diaz-Balart (Fidelito), que nasceu em 1949, trabalhou como chefe da comissão de energia atômica cubana. É físico nuclear e assessor científico do governo cubano. Em 1956, Fidel teve um caso extraconjugal com Natalia Revuelta. Alina Fernandez, filha dos dois, só soube aos dez anos que era filha do grande ditador cubano. Ela vive como exilada nos EUA desde 1993.

 

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