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23 de Jan de 2019 - Jornal em tempo real - Expediente - Publicidade

 

 
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 Protestos em defesa da Lava-Jato ocorrem em dezenas de cidades - Jornal Brasil em Folhas
Protestos em defesa da Lava-Jato ocorrem em dezenas de cidades


Manifestantes estão nas ruas em várias cidades do país neste domingo para atos em defesa da Operação Lava-Jato e do pacote anticorrupção, que, ao ser votado na Câmara, foi desfigurado. Das dez medidas sugeridas pelo Ministério Público Federal e que contaram com mais de 2 milhões de assinaturas de apoio, salvaram-se integralmente apenas duas. Os parlamentares ainda incluíram no projeto a tipificação do crime de abuso de autoridade para magistrados e integrantes do Ministério Público.

Os atos foram convocados pelos grupos Vem pra Rua e Movimento Brasil Livre (MBL) — dois dos principais organizadores de protestos que pediram o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. O Vem pra Rua anunciou protestos em 232 cidades dos 26 estados e no Distrito Federal. No Rio, a manifestação ocorre em Copacabana. Os principais alvos dos manifestantes são os presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).

Em Brasília, o juiz Sérgio Moro, responsável pela operação, é uma das figuras mais retratadas no protesto. O trânsito na Esplanda foi fechado na manhã de hoje. Segundo Secretaria de Segurança do DF, 1,7 mil agentes foram destacados para o protesto. Em Belo Horizonte, Belém e Maceió, os atos também acontecem na manhã deste domingo. Em São Paulo, o evento acontece nesta tarde e os manifestantes começam a se concentrar na Avenida Paulista.

Na página do evento no Facebook, 135 mil pessoas haviam confirmado presença até a noite deste sábado. O evento já foi compartilhado mais de 1 milhão de vezes. Também foram convocados atos em oito cidades no exterior: Sydney, Springfield, Nova York, Montreal, Londres, Lisboa, Dublin e Cidade do México.

Os deputados incluíram no “pacote anticorrupção” o crime de abuso de autoridade para juízes e procuradores, que podem passar a enfrentar retaliação dos investigados. E retiraram, por exemplo, o crime de enriquecimento ilícito, que ocorre quando a origem dos bens não é justificada pela renda de agentes públicos.


Para os líderes do protesto, o pacote aprovado pelos deputados é um retrocesso. O ato também servirá para pedir a saída do presidente do Senado, que na última quinta-feira virou réu no Supremo Tribunal Federal, e o fim do foro privilegiado, que alcança praticamente todos os políticos.

Não podemos admitir cangaço, diz promotor

O promotor Roberto Livianu, do Movimento do Ministério Público Democrático (MPD), convidado pelo Vem pra Rua para discursar durante o ato deste domingo na Paulista, afirma que o pacote anticorrupção foi mutilado pelos deputados.

— Intactas mesmo ficaram apenas duas das 10 medidas anticorrupção propostas, a da transparência e a criminalização do caixa 2. Todas as demais foram mutiladas, algumas completamente, outras parcialmente. Não podemos mais admitir cangaço e coronelismo. Metralharam tudo, sobrou menos de 20% do teor original. A cena que vimos na quarta-feira, com o país de luto e dormindo, é de cangaço — critica Livianu.

Em nota, o Vem Pra Rua afirma que a evolução da Operação Lava-Jato levou uma parte expressiva da classe política a demonstrar "preocupação indisfarçável com os rumos da investigação e suas consequências. Por isso, políticos tem buscado formas de impedir a evolução dos trabalhos da força-tarefa e a aprovação de leis que possam punir os que cometeram crimes.

A manifestação deste domingo havia sido convocada inicialmente contra a tentativa dos parlamentares de anistiar crimes de caixa dois, mas o presidentes da República, Michel Temer; da Câmara e do Senado anunciaram que esta emenda não será aprovada.

 

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