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 Em seu 1º dia de governo, Trump tentará apagar legado de Obama - Jornal Brasil em Folhas
Em seu 1º dia de governo, Trump tentará apagar legado de Obama


Desmantelar a reforma da saúde de Barack Obama, suprimir regulamentações, deportar imigrantes ilegais, anular tratados comerciais e construir um muro na fronteira mexicana. Em seu primeiro dia na Casa Branca, na sexta-feira, Donald Trump lançará simbolicamente a concretização de suas promessas de campanha, tentando apagar o legado de seu antecessor.

Alguns atos do presidente democrata, que passou oito anos no governo, podem ser anulados com uma simples assinatura. Donald Trump prometeu anular cada decreto, memorando e ordem contrários à Constituição e assinados pelo presidente Obama.

Mas outras medidas vão exigir a adoção de novas leis pelo Congresso, de maioria republicana.

Ele não pode desembarcar e fazer o que quiser no primeiro dia, aponta David Leopold, um advogado especializado em imigração, um assunto caro ao 45º presidente dos Estados Unidos. Em uma democracia, não há CEO.

Saúde

Este é um dos temas mais complexos, mas onde a retórica é a mais simples: a reforma do sistema de saúde, adotada em 2010 e apelidada de Obamacare, deverá ser revogada e substituída.

Pessoas próximas ao bilionário indicaram que ele assinaria logo após sua chegada ao poder decretos relacionados ao desmantelamento da lei, a fim de cancelar as multas aplicadas aos americanos que se recusarem a comprar um seguro de saúde, legalmente obrigatório.

Mas o problema será na subsequente votação pelo Congresso de uma nova lei redefinindo o sistema de saúde, uma tarefa titânica cujo calendário é incerto.

Trump gostaria que este texto fosse votado quase simultaneamente a revogação.

Imigração

Na campanha, o candidato Trump prometeu expulsar os imigrantes ilegais infratores o que, segundo ele, representa dois milhões de pessoas.

Primeiro dia, primeira hora, essas pessoas serão mandadas embora, declarou em agosto no Arizona.

Mas David Leopold relativiza a aparente firmeza de uma tal proposta, recordando que a administração Obama já dava prioridade à deportação de imigrantes sem documentos que representavam um risco ou com ficha criminal.

Segundo o advogado, o republicano poderia anular por meio de uma simples assinatura o programa administrativo Daca, criado por Barack Obama em 2012 e que permitiu mais de 750.000 jovens imigrantes ilegais a obter visto de residência e trabalho.

O próximo presidente também se comprometeu a propor logo no primeiro dia um projeto de lei para financiar a construção de muros para complementar as barreiras e muros existentes na fronteira entre os Estados Unidos e o México. O Congresso vai votar sobre o financiamento.

Donald Trump também terá o poder de suspender imediatamente o acolhimento de refugiados sírios, bem como de imigrantes vindos de áreas sujeitas ao terrorismo.

Meio ambiente e energia

O próximo vice-presidente, Mike Pence, anunciou o fim da guerra contra o carvão desde o primeiro dia.

Esta promessa poderia se materializar pela anulação da moratória sobre as concessões de carvão e pela abertura de mais terras federais para as empresas de mineração para aumentar a produção de petróleo, carvão e gás natural.

O futuro presidente tem manifestado a sua intenção de aprovar o oleoduto Keystone XL entre o Canadá e os Estados Unidos, um projeto rejeitado por Barack Obama.

Também pretende cancelar imediatamente o pagamento de bilhões para programas da ONU sobre mudanças climáticas, redirecionando os fundos para projetos de infraestruturas ambientais.

Comércio

Donald Trump poderia anunciar a saída dos Estados Unidos da Parceria Transpacífica (TPP), negociada há mais de uma década por Washington com onze países da região Ásia-Pacífico, apoiada por Barack Obama, mas que nunca foi aprovada pelo Congresso.

O Acordo de Livre Comércio do Atlântico Norte (NAFTA) com o México e o Canadá também está na mira do republicano, que quer renegociá-lo para evitar a transferência de empresas para o vizinho do sul.

E prometeu pedir ao seu secretário do Tesouro para condenar a China como um país que manipula sua moeda, um rótulo que pode gerar pesadas consequências e a ira de Pequim.

Governança

O candidato que prometeu curar o remanso de Washinton, prevê proibir a toda pessoa nomeada por ele em sua administração de se tornar lobbyista nos cinco anos seguintes após ocupar o cargo público.

E ele quer congelar os empregos no funcionalismo público federal.

 

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