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 Beija-Flor homenageia o mineiro Marquês de Sapucaí - Jornal Brasil em Folhas
Beija-Flor homenageia o mineiro Marquês de Sapucaí


A Beija-Flor vai atrás de mais um título este ano com o enredo que vai contar influências e momentos da vida do homem que dá nome a passarela do samba: o Marquês de Sapucaí, o mineiro de Congonhas de Sabará, que depois passou a ser chamada de Nova Lima. Vai mostrar também que antes de ele chegar à capital do império foi para Portugal, onde estudou em Coimbra. Depois já com muita saudade do Brasil, voltou.

O enredo é Mineirinho Genial! Nova Lima - Cidade Natal. Marquês de Sapucaí - O Poeta Imortal! Fran Sérgio um dos carnavalescos que compõem a comissão de criação da Beija-Flor, disse que a história do Marquês é até certo ponto desconhecida. “É uma personalidade muito importante para a época dele e que é pouco falada. As pessoas não conhecem; muitos nem sabem que ele é brasileiro. Acham que ele é português e que veio para o Brasil. A gente está muito feliz. O enredo é a cara da escola e trouxe elementos para que a gente fizesse um carnaval muito bonito,”disse.

O carnavalesco que tem 22 anos de Beija-Flor, contou que além da atuação política o homenageado era uma pessoa ligada às artes como músico e poeta, e isso o aproximou ainda mais da escola, que coleciona campeonatos na avenida com o nome dele.

“Isso é uma coisa legal porque o linka ao nosso trabalho, ao carnaval, porque a rua já era Rua Marquês de Sapucaí pela importância dele, e os desfiles foram para esta rua, mas coincidentemente ele foi poeta e músico e ninguém sabia disso. Só se falava no Marquês como político, uma pessoa de confiança do imperador”, completou. “Ele lutou sempre pela justiça social. Era preocupado com a população”, observou Fran Sérgio.

Para desenvolver o enredo, sem contar com o patrocínio esperado que não se concretizou o jeito foi apertar os cintos. Mas Laíla, diretor de carnaval da azul e branco de Nilópolis, no início dos trabalhos para o desfile de 2016, a ordem foi de redução de gastos. Na avaliação dele, cada ano que passa, o carnaval das grandes escolas está ficando mais caro e não há estrutura para manter este nível.

“Quando terminou o carnaval de África (2015), a diretoria financeira me passou o custo, eu fiquei meio assustado e falei: ou a gente começa a pensar de uma outra maneira para elaborar o carnaval, ou daqui a pouco a gente não terá mais condições de fazer. Parecia que eu estava adivinhando alguma coisa lá na frente”, revelou.

Na avaliação de Laíla, pelo retorno econômico que os desfiles de escola de samba dão para a cidade e para o estado do Rio, os apoios culturais com recursos públicos deveriam ser maiores. Para ele, o modelo de financiamento do carnaval precisa ser repensado “O carnaval chegou a um tal tamanho e, por isso tem o título de maior espetáculo a céu aberto do mundo, em função de uma série de coisas. O sambódromo aumentou, os carros podem ser menores? Não. E com isso também tem que pensar no sambista futuro. Se começar a diminuir hoje essa parte humana do carnaval vai chegar a hora em que as pessoas se afastam e não vai ter quem faça”, indicou.

Laíla credita o desempenho da Beija-Flor - 13 títulos desde 1976 - ao a aprimoramento que a escola busca com a avaliação a cada ano, de erros cometidos durante os desfiles. “A ordem na Beija-Flor é sempre de ganhar. Eu não sou perdedor. Não sei perder e isso passo para a escola. O ser humano tem que pensar sempre em vitória e prosperidade. É um trabalho meu para sobreviver tenho que fazer bem, então busco sempre fazer bem, porque é o que dá a minha sobrevivência”, acrescentou.

 

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