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 Documentário sobre mulheres da periferia é exibido neste fim de semana em SP - Jornal Brasil em Folhas
Documentário sobre mulheres da periferia é exibido neste fim de semana em SP


Na semana em que é celebrado o Dia Internacional da Mulher, a estreia do documentário Nós, Carolinas questiona a invisibilidade de moradoras da periferia da cidade de São Paulo. Na última quarta-feira (8), o coletivo Nós, mulheres da periferia lançou o filme, que apresenta vivências de mulheres moradoras de quatro regiões diferentes da cidade. A obra entra em circuito durante o mês de março e percorre justamente a periferia da capital.

O nome do filme homenageia Dona Carolina, de 93 anos, uma das entrevistadas e personagem do documentário. Além de fazer menção honrosa à escritora Carolina Maria de Jesus, nome importante da literatura negra e autora do livro Quarto de Despejo - o Diário de uma Favelada.

“Dona Carolina era uma senhora de 93 anos, negra, com uma história de vida muito forte e com um discurso muito forte, então Dona Carolina sempre foi muito especial para a gente. E no meio do ano passado, Dona Carolina faleceu. [Ela] representa muitas histórias, muitas outras mulheres”, disse Regiany Silva, integrante do coletivo que é formado por comunicadoras.

Dona Carolina nasceu na cidade de Piracicaba, no interior de São Paulo, perdeu a mãe muito jovem e foi criada pelo pai. Ela também se casou jovem e teve uma filha, que acabou morrendo há cerca de dois anos, com mais de 70 anos, quando ficou sozinha. “[Ela] viveu experiências muito fortes de racismo durante a vida”.

No documentário, ela contou histórias de quando era jovem em Piracicaba e de lugares dentro da cidade em que ela não podia frequentar. “Ela conta que os brancos passavam por dentro de uma praça e os negros tinham que passar por fora. Que tinha um cinema que era só para os negros e um cinema que era só para os brancos, mas que ela era ousada o suficiente para entrar no cinema dos brancos e peitar eles. Ela até fala o documentário – porque todo mundo olhou para ela quando ela entrou no cinema –, ela perguntou eu estou cagada ou estou mijada?”, contou Regiany.

Origem

As mulheres apresentadas no filme fizeram parte do projeto Desconstruindo Estereótipos, realizado pelo coletivo em 2015, em oficinas que tratavam da representação das mulheres moradoras das periferias pela grande mídia. No final daquele ano, o coletivo lançou, no Centro Cultural da Juventude (CCJ), a exposição multimídia Quem Somos - Por Nós, com fotos e pequenos vídeos de entrevistas. Como uma segunda etapa do projeto, o coletivo criou o documentário.

Os dois projetos foram financiados pelo Programa de Valorização às Iniciativas Culturais(VAI), da Secretaria Municipal de Cultura da Prefeitura de São Paulo. O circuito de exibição gratuita do documentário inclui os bairros de Cidade Tiradentes e Guaianases, na zona leste; Campo Limpo, na zona sul; Jova Rural e Perus, zona norte; que são os bairros das protagonistas do filme Carolina Augusta, Joana Ferreira, Renata Ellen Soares e Tarcila Pinheiro.

“Esse é o nosso exercício de fazer um retorno ao território. [O circuito] vai para Guaianases, e foi lá que conhecemos a Tarsila. Então, agora, retornamos para Guaianases porque queremos acessar o mesmo público que conhecemos nas oficinas, voltar para esse mesmo território e dar esse retorno. Vamos para Perus, que é onde a Renata mora, que é perto da casa dela, porque é essa vizinhança que a gente quer atingir porque é de lá esse documentário nasceu”, disse Regiany.

No bairro Campo Limpo, o filme será exibido na escola em que uma das personagens voltou a estudar em turma de jovens e adultos, depois dos 50 anos. A Joana, no dia de estreia do filme, estava em aula, às 20h, a hora que o documentário foi exibido. A gente queria muito que ela estivesse lá, mas ela não queria perder aula. Então nada mais justo do que o documentário ir lá para o Cieja [Centro Integrado de Educação de Jovens e Adultos], onde a Joana está”, explicou.

Regiany ressaltou a importância dessas mulheres e suas contribuições para a trajetória do coletivo, que vem avançando na linguagem para contras histórias. “Daqui para frente, a gente se sente mais empoderada para contar histórias. Antes a gente começou contando histórias com o que a gente sabia fazer, que é fazer texto. De repente, a gente fez a exposição e viu que a gente podia criar uma exposição, que a gente conseguia. Esses espaços são nossos e a gente tem que ocupar. Estamos muito mais fortalecidas”. O trailer está disponível na página do coletivo no Facebook.

 

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