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23 de Set de 2017 - Jornal em tempo real - Expediente - Publicidade
 

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 Delação virou saída para reduzir pena, diz Jaques Wagner sobre Palocci - Jornal Brasil em Folhas
Delação virou saída para reduzir pena, diz Jaques Wagner sobre Palocci


Dias após Antonio Palocci decidir fazer uma delação premiada, o ex-ministro petista Jaques Wagner disse em Oxford estar tranquilo quanto ao conteúdo possivelmente revelado. Assim como devem estar tranquilos, ele afirmou à Folha, os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.
Wagner, ex-ministro do governo Dilma e ex-governador da Bahia, participava do Brazil Forum, série de debates realizada neste fim de semana em Londres e Oxford.
“Eu não sei o que ele vai falar. Se alguém pode estar tenso, é quem teve relacionamento com ele”, disse. “É difícil que o Lula tenha preocupação. O Lula e a Dilma.”
“A coisa do Lula não é o patrimônio. É muito mais fazer política. Inventaram um triplex, um sítio. Dizem que há milhões em uma conta no exterior. Cadê a conta?”.
Questionado sobre as razões que levaram Palocci -ex-ministro da Fazenda e da Casa Civil- à delação, Wagner disse não existir surpresa. “No sistema jurídico que vivemos, a delação virou a única saída para não ficar preso por muito tempo.”
Réu em dois processos em Curitiba, Palocci teme que suas penas possam ultrapassar os 30 anos de prisão. A negociação do acordo será feita pelos advogados Adriano Bretas e Tracy Reinaldet.

INTRIGA

Após falar com a reportagem, Wagner participou de uma mesa com o ex-governador Ciro Gomes (PDT) e Timothy Power, diretor de estudos brasileiros em Oxford.
O tema do debate era o futuro da política após o impeachment e a Lava Jato. No sábado, o juiz Sergio Moro e o ex-ministro José Eduardo Cardozo, do PT, haviam falado entre vaias e aplausos.
“Querem transformar a política em uma torcida organizada de futebol”, disse Wagner, criticando a crescente polarização brasileira.
Wagner criticou também a existência do cargo de vice-presidente, que descreveu como “gasto de dinheiro” e “fórum de intriga”. No caso do afastamento de Dilma, ele disse que teria sido melhor haver eleições antecipadas.
“Vice-presidente, vice-governador e vice-prefeito só servem para tramar”, disse. “Com a rapidez em que a gente chega de avião, não tem sentido ter um vice.”
Ciro Gomes, pré-candidato à Presidência, disse ao público -como já havia feito antes- que “o Brasil está sob um golpe de Estado”, criticando o afastamento da presidente Dilma Rousseff. “O Brasil é um país autoritário. Nós não temos quase nenhuma tradição democrática.”
Ele afirmou que o Brasil “está rachado entre diferenças de opinião e moralismos de goela” e que “a única reforma que Michel Temer não vai poder desfazer é a tomada de três pinos, mais nada.”

ATRITOS

O debate entre Wagner e Gomes não teve grandes demonstrações políticas da plateia, ao contrário do dia anterior, quando Moro e Cardozo causaram comoção. Em outra mesa, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Luís Roberto Barroso foi chamado de “golpista”.
Já o ex-ministro Patrus Ananias, do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, foi chamado de “demagogo”.
Ananias havia feito duras críticas às reformas implementadas pela gestão do presidente Michel Temer. “Do que Karl Marx e Rosa Luxemburgo não conseguiram me convencer, esse governo golpista conseguiu.”
O Brazil Forum, voltado a estudantes brasileiros no Reino Unido, foi organizado em parceria com a embaixada brasileira e firmas como Latam e Uber, entre outras.

 

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