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20 de Nov de 2018 - Jornal em tempo real - Expediente - Publicidade

 

 
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 “Real” tenta dar ar descolado à equipe que criou o famoso plano econômico - Jornal Brasil em Folhas
“Real” tenta dar ar descolado à equipe que criou o famoso plano econômico


É um tanto inevitável buscar paralelos entre 1993, quando se passa o longa “Real – O Plano por trás da História”, e a crise econômica, social e política que o Brasil atravessa no presente. Mas também é infrutífero querer nivelar os dois momentos pela mesma régua.

Dessa forma, o filme de Rodrigo Bittencourt (“Totalmente inocentes”) força o bonde da história na tentativa de buscar ecos do passado no presente --especialmente numa menção um tanto artificial ao juiz Sérgio Moro já perto do final da trama.

Ao centro de “Real” está o economista Gustavo Franco, uma espécie de anti-herói arrogante, grosseiro e megalomaníaco que transforma num ato de resistência aguentar os poucos mais de 90 minutos protagonizados por tal personagem, interpretado por Emilio Orciollo Netto.

Trabalhando com um roteiro de Mikael Albuquerque --escrito a partir do livro “3.000 Dias no Bunker”, de Guilherme Fiuza--, Bittencourt vê a equipe econômica que criou o Plano Real, em meados dos anos de 1990, como uma espécie de gângsters descolados da economia --a cena deles andando de óculos escuros em câmera lenta parece saída de “11 Homens e um Segredo--, renegados a uma espécie de porão em Brasília, com suas ideias para salvar o país da crise, capitaneados por Fernando Henrique Cardoso (Norival Rizzo), na época ministro da Fazenda.

É bem verdade que o roteirista e o diretor tentam injetar algum ânimo a uma trama que se baseia em gente discutindo economia de forma didática e acessível. Dessa forma, tudo acaba meio raso, e o que domina é a figura de Gustavo, cuja trajetória é o fio condutor da narrativa.

Nesse sentido, “Real” transforma-o num mártir da modernidade, sacrificando sua vida pessoal, impulsionado pelo seu ego gigantesco para criar o plano econômico e protegê-lo de qualquer pessoa que seja uma ameaça contra sua cria.

Outras figuras reais entram e saem de cena sem deixar muita marca --como Pedro Malan, interpretado por Tato Gabus Mendes; Pérsio Arida, no filme, maior desafeto de Gustavo dentro da equipe, e feito por Guilherme Weber; e José Serra, que esnoba com gosto o economista e é vivido por Arthur Kohl.

Mas o melhor personagem desse grupo é mesmo Itamar Franco, no filme representado por Bemvindo Siqueira. Com seu topete infalivelmente descabelado, o ex-presidente (em sua versão do cinema), sempre preocupadíssimo com os pobres do Brasil, é o alívio cômico em meio a um filme que desperta mais risinhos amarelos do que simpatia.

Há também personagens totalmente fictícios que condensam em si algumas questões --como a assessora pessoal de Gustavo, Denise (Mariana Lima), que, em alguns momentos, funciona como um pêndulo moral. Mas o mais interessante, embora apareça pouco, é um político do PT, interpretado por Juliano Cazarré, cujo sotaque caipira nunca faz muito sentido. Primeiro, aparece como aliado de FHC, pedindo o seu apoio. Depois, mais para o final, é motivo de chacota de Gustavo, quando este depõe numa CPI.

“Real – O Plano por Trás da História” é pobre em suas caracterizações, tem ritmo irregular e uma trilha sonora insuportavelmente onipresente, assinada pelo diretor e Maycon Ananias. E acaba sendo tão inócuo como cinema tanto quanto como releitura da história.

 

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