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 Detecção de ondas gravitacionais pode não render Prêmio Nobel, diz pesquisador - Jornal Brasil em Folhas
Detecção de ondas gravitacionais pode não render Prêmio Nobel, diz pesquisador


A primeira detecção de ondas gravitacionais anunciada na semana passada pode render o Nobel de Física deste ano aos pesquisadores responsáveis pelo feito. O fenômeno, previsto pelo físico Albert Einstein há cem anos, nunca havia sido observado. No entanto, o pesquisador do Instituto de Física Teórica da Unesp, Riccardo Sturani não acredita que a descoberta ganhará o prêmio.

“Não acredito que a detecção renderá um Nobel, porque já se sabia que as ondas gravitacionais existiam e já se esperava sua comprovação. Talvez as pessoas responsáveis pela pesquisa inicial e pelo Ligo [Laser Interferometer Gravitational-Wave Observatory, na sigla em inglês] nos anos 80 ganhem o Nobel”, acredita.

Os pesquisadores do projeto Ligo encontraram distorções no espaço e no tempo causadas por um par de buracos negros com massas enormes interagindo entre si. Os prováveis indicados ao Nobel deste ano pela pesquisa são Kip Thorne e Ronald Drever, do Caltech, Rayner Weiss, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), idealizadores da tecnologia por trás do experimento.

O feito já é considerado pela comunidade científica uma das descobertas científicas mais importantes nos últimos anos, graças à cooperação internacional que tornou possível a observação.

Interferômetros

O sistema opera dois interferômetros (dispositivos que medem o deslocamento das ondas de um raio de luz) semelhantes. Um está localizado em Livingston, na Louisiana, e o outro em Hanford, Washington, a uns 3 mil quilômetros de distância. Cientistas de mais de 40 instituições de todo o mundo trabalham continuamente analisando os dados do Ligo.

Sturani, um dos líderes da equipe brasileira responsável pela análise de dados gerados pela detecção de ondas gravitacionais, fez, nesta quinta-feira (18), uma palestra sobre a descoberta. O pesquisador explicou que qualquer objeto com massa deveria gerar essas ondas quando está em movimento. Quanto maior a massa, mais intenso será o movimento, e maiores serão as ondas, completa. Ele também destacou a dificuldade de se separar as ondas gravitacionais dos ruídos que podem sujar o sinal.

O cientista falou, ainda, sobre o novo observatório Ligo que será construído na Índia. Segundo o pesquisador, o projeto vai complementar os esforços dos outros dois observatórios localizados nos Estados Unidos.

Nobel de Fìsica

O Nobel de Física é atribuído anualmente, em outubro, pelos membros da Academia Real das Ciências da Suécia, a eminentes pesquisadores que se tenham destacado na produção de conhecimentos inovadores no domínio na área. A medalha e o diploma da fundação são oficialmente entregues pelo rei da Suécia, a 10 de dezembro, dia do aniversário da morte do criador do prêmio, Alfred Nobel.

John Bardeen é o único premiado por duas vezes, em 1956 e 1972. William Lawrence Bragg é o mais jovem laureado, ganhando o prêmio em 1915 com 25 anos na época. Duas mulheres já foram laureadas com o prêmio, Marie Curie (1903) e Maria Goeppert-Mayer (1963).

Confira a lista dos premiados nos últimos cinco anos:

- 2015: Takaaki Kajita (Japão) e Arthur Bruce McDonald (Canadá) foram premiados pela descoberta das oscilações do neutrino, que mostram que os neutrinos têm massa.

-2014: Os japoneses Isamu Akasaki, Hiroshi Amano e Shuji Nakamura receberam o Nobel de Física pela invenção de diodos azuis emissores de luz (LED) que permitiram fontes de luz brilhantes e economizadoras de energia.

-2013: François Englert (Bélgica) e Peter Higgs (Reino Unido), por trabalhos sobre o bóson de Higgs, também conhecido como partícula de Deus.

-2012: Serge Haroche (França) e David Wineland (Estados Unidos), por métodos experimentais inovadores que permitem a medição e a manipulação de sistemas quânticos individuais, a pesquisas em ótica quântica permite a criação de computadores superpotentes e relógios com precisão extrema.

-2011: Saul Perlmutter e Adam Riess (Estados Unidos), Brian Schmidt (Austrália/EUA), por suas descobertas sobre a expansão acelerada do universo, através de observações de supernovas distantes.

 

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