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15 de Nov de 2018 - Jornal em tempo real - Expediente - Publicidade

 

 
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 Dois em cada três alimentos consumidos nas cantinas têm baixo valor nutricional - Jornal Brasil em Folhas
Dois em cada três alimentos consumidos nas cantinas têm baixo valor nutricional


Dois de cada três alimentos consumidos por crianças e adolescentes nas cantinas de escolas privadas do país têm baixo valor nutricional. Essa é uma das conclusões da pesquisa Hábitos Alimentares de Crianças e Adolescentes em Cantinas de Escolas Privadas no Brasil em 2016, realizada pelo Center for Behavioral Research (CBR) da Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas da Fundação Getulio Vargas (FGV Ebape), em parceria com a empresa Nutrebem. A pesquisa foi divulgada hoje (30), no Rio de Janeiro.

Foram analisadas mais de 1,2 milhão de compras feitas no ano passado por mais de 19 mil estudantes em cantinas de 97 escolas localizadas em 25 cidades de sete estados brasileiros (Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Pará, Santa Catarina e Bahia) e do Distrito Federal.

“Ficou claro com esses dados que a maioria do que é consumido é de baixo valor nutricional, tanto para doces, como para salgados e bebidas”, disse à Agência Brasil o professor da FGV Ebape e coordenador do CBR, Eduardo Andrade. “A gente observa isso Brasil afora”, completou.

As amostras permitiram constatar que os estados do Rio de Janeiro e de São Paulo lideram a lista de estados onde os adolescentes consomem mais produtos de baixo valor nutricional. Em torno de 76,9% do que é consumido pelas crianças e adolescentes nas escolas do Rio de Janeiro são de baixo valor nutricional. Esse índice atinge cerca de 60% em São Paulo.

Oferta

De acordo com a pesquisa, nas escolas em que a oferta de itens saudáveis é maior, a compra desses produtos também aumenta. “Há uma luz no fim do túnel. Nossas crianças e adolescentes não estão fadadas a comer mal”, disse o coordenador do CBR.

Embora, na média, se observe um consumo elevado de produtos de baixo valor nutricional, há algumas escolas em que alimentos melhores estão disponíveis. “Existem poucas escolas em que é oferecido muito produto com médio e alto valor nutricional e também são consumidos muitos produtos saudáveis”.

Uma das razões para que a maior parte das escolas ofereça alimentos de baixo valor nutricional é de ordem econômica. Produtos industrializados de mais baixo valor nutritivo são mais convenientes e lucrativos para as cantinas. “Talvez estejam mais expostos que os produtos mais nutritivos”.

Gênero

O consumo pouco saudável é comum tanto para meninos quanto para meninas. A partir da adolescência, porém, as garotas começam a comer de maneira um pouco mais saudável que os garotos. Os pesquisadores da FGV acreditam que a pressão social e estética sobre as meninas seja maior a partir dessa fase, o que leva a um consumo mais consciente de alimentos.

A sondagem constatou ainda que entre os produtos mais saudáveis consumidos nas escolas estão frutas e salada de frutas, que também são mais associados com o gênero do estudante. “A gente vê mais meninas comendo salada de frutas do que meninos.”

Engajamento

Na avaliação de Eduardo Andrade, a mudança desse quadro exige o engajamento de três atores: pais, escolas e o próprio governo. Segundo ele, nem todas as escolas veem o consumo nas cantinas como uma responsabilidade também da instituição. “Não há preocupação tão grande com a educação alimentar”.

O especialista avalia, entretanto, que não há como colocar a culpa só nas escolas e que os pais têm papel preponderante nesse processo uma vez que a educação alimentar também passa pelo que a criança come em casa e pelo monitoramento dos responsáveis em relação a essa questão. “O engajamento dos pais é importante até para salientar essa questão para as escolas”, lembrou.

O terceiro elemento, na avaliação do especialista, são os governos. Atualmente, no país, há diversos municípios e estados com leis específicas sobre o que pode ou não pode ser vendido nas cantinas, mas ainda não há um arcabouço federal que monitore esse processo. Segundo Andrade, dois projetos de lei sobre o tema tramitam na Câmara e no Senado, mas ainda não foram votados.

Andrade destacou a importância do debate sobre educação alimentar uma vez que diversos hábitos são formados na infância e na adolescência. “Se nós aprendermos a consumir de maneira pouco saudável, será mais difícil consumir de maneira saudável na vida adulta.”

 

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