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 Artistas coloniais ganham destaque em exposição no Museu de Arte Sacra em SP - Jornal Brasil em Folhas
Artistas coloniais ganham destaque em exposição no Museu de Arte Sacra em SP


O Museu de Arte Sacra, na capital paulista, apresenta a exposição “Mestres Santeiros Paulistas do Século XVII”, que traz esculturas de santos feitas por artistas do estado de São Paulo. São 54 peças, feitas em barro e madeira, do colecionador Ladi Biezus, que, nos últimos 46 anos, utilizou as características escultóricas para determinar qual seria o mestre que produziu cada uma dessas obras ao longo do século XVII.

“São peças paulistas, produto da arte colonial paulista. Vários mestres foram identificados. Um deles é o Frei Agostinho de Jesus, que é o mais importante deles todos. É atribuída a ele a feitura da Nossa Senhora da Conceição Aparecida, que é a padroeira do Brasil, e é a imagem que está no santuário”, disse a curadora da exposição Maria Inês Lopes Coutinho. Segundo ela, na mostra, há peças do Frei Agostinho de Jesus, feitas no mesmo período.

A construção do acervo começou em 1970, com a aquisição de uma Santa Gertrudes. A partir daí, as obras foram sendo incluídas no acervo sob o critério fundamental de serem imagens paulistas. Mais de 45 anos depois, Ladi Biezus iniciou uma pesquisa para separar as peças de acordo com traços em comum, que poderiam identificar e agrupar as esculturas por suas origens.

Há mestres que não foram identificados pelo nome nem pela data de nascimento e morte, mas que tiveram suas obras divididas somente com base nas características técnicas e estilísticas. “Foram separados grupos e foram dados nomes, que são atribuições a partir dessas questões estéticas. Por exemplo, tem o Mestre do Cabelinho Xadrez, porque ele dava um tratamento especial nos cabelos, então todas essas imagens [com semelhanças] pertencem ao mesmo agrupamento”, disse a curadora.

O trabalho do colecionador não é baseado em uma ciência exata, são observações e estudos a partir das próprias esculturas. De acordo com Maria Inês, “[o colecionador] faz uma proposição, não é uma verdade absoluta, mas a partir disso é que podemos desenvolver um estudo mais aprofundado sobre esse tempo e essas ideias”.

“Conseguimos identificar vários mestres desse período, e isso é um trabalho inédito. É um trabalho que foi desenvolvido pelo colecionador no contato com as obras ao longo de 40 anos”, comemorou a curadora. Para ela, é muito importante que uma coleção particular esteja aberta à visitação pública. Antes, somente o próprio colecionador, sua família e amigos podiam desfrutar das obras. Nessa exposição, a sociedade poderá tomar conhecimento da arte produzia no estado durante o século XVII.

A exposição fica em cartaz entre 20 de fevereiro e 29 de maio, no Museu de Arte Sacra, na avenida Tiradentes, região da Luz. Os ingressos custam R$ 6 e estudantes pagam meia entrada. A entrada é gratuita aos sábados. Idosos acima de 60 anos, crianças até sete anos, professores da rede pública (com identificação e com até 4 acompanhantes) não pagam a visitação.

 

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