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17 de Nov de 2018 - Jornal em tempo real - Expediente - Publicidade

 

 
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 Segunda fase da Operação Porta Fechada comprova fraude no Enem 2016 - Jornal Brasil em Folhas
Segunda fase da Operação Porta Fechada comprova fraude no Enem 2016


Por ocasião das investigações da venda de vagas e fraude do concurso de Delegado de Polícia, investigadores da Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Contra a Administração Pública (Dercap) se depararam com provas da venda de vagas e fraude do Enem 2016. Em consequência do resultado das diligências empreendidas com vistas à elucidação dos indícios, a especializada deflagrou a segunda fase da Operação Porta Fechada. O objetivo da ação foi cumprir oito mandados de prisão, 11 de condução coercitiva e 19 de busca e apreensão na manhã de segunda-feira, dia 30.

A candidata Bianca Soares de Oliveira e Oliveira confessou que seu cônjuge, Ailton Martins de Oliveira, que é prefeito de Urutaí, comprou a vaga no concurso de Gabriel Ribeiro de Araújo. Entretanto, por conta de um desacordo durante um encontro com Ronaldo Rabelo, ela deixou de participar do esquema e não foi aprovada, em que pese parte do pagamento ter se consumado por meio da emissão de dois cheques.

Ailton, por sua vez, confessou que Gabriel lhe ofereceu a vaga no concurso de delegado de polícia pelo valor de R$ 250 mil. Metade desse valor deveria ser paga antes da prova. O restante, após a aprovação. Ailton repassou a Gabriel dois cheques: um no valor de R$ 75 mil e outro de R$ 50 mil.

Gabriel solicitou a Ailton e Bianca que se encontrassem com Ronaldo no dia da prova objetiva para receber informações sobre a fraude. Na oportunidade, o casal se deslocou até uma lanchonete em Goiânia, onde conheceu Ronaldo. Durante o encontro, Ronaldo disse à candidata Bianca para preencher apenas dez questões na folha de respostas e, em seguida, passou a exigir a emissão de outro cheque como garantia do restante do pagamento. Como tal exigência não estava previamente acordada, houve um desacordo entre as partes, motivo pelo qual Bianca não foi inserida na fraude e nem aprovada.

Segundo Ailton, após a não aprovação de Bianca, Gabriel lhe ofereceu uma casa em garantia à restituição do valor pago. Esse imóvel foi identificado. Seus proprietários, João Batista Gonçalves e Iza Maria Lucas dos Santos Fernandes, foram intimados. Na DERCAP, eles confessaram que esse bem que foi repassado a Gabriel Ribeiro de Araújo em pagamento à aprovação no Enem do seu filho, Marcus Vinícius Fernandes, fato ocorrido no ano de 2016.

policia civil fraude enem 2016 1Durante sua oitiva, Marcus Vinícius confirmou sua participação na fraude no Enem por meio de Gabriel. Cerca de duas semanas após as provas, este foi levado por Ronaldo Rabelo até um posto de combustível no Distrito Federal, possivelmente em Taguatinga, local em que terminou de fazer a redação e Marcos Vinícius, que entregara o texto incompleto. Marcus relatou ainda que, durante essa viagem, dois carros se deslocaram de Goiânia até Brasília com cinco candidatos do Enem, todos com intuito de fazerem a redação, acompanhados por Ronaldo e Gabriel.

Marcus e outros três candidatos, identificados e apontados por este como beneficiários da fraude e venda de vagas realizadas por Ronaldo e Gabriel, encontram-se atualmente estudando o primeiro ano do curso de Medicina junto a Universidade Federal de Goiás.

Duas aprovações
A candidata Simone, por intermédio do advogado e amigo Flávio César Teixeira, acordou o pagamento da quantia de R$ 850 mil junto aos aliciadores Antônio Carlos da Silva Francisco e José Rosa Junior, visando tanto à sua aprovação no concurso de delegado de polícia de Goiás quanto a aprovação da sua filha, Mariana Rassi Assad, no Enem 2016.

Para garantir o pagamento, Simone, simulou um contrato particular de compra e venda de imóvel por intermédio de Antônio e Flávio, no qual supostamente vende um imóvel de família, objeto de inventário), a Weverson Vinícius da Silva. Trata-se de um sobrado geminado, situado na rua 115, do Setor Sul, em Goiânia, pelo valor de R$ 850 mil.

“Trata-se de um negócio simulado, visando ocultar a finalidade do contrato: garantir o futuro pagamento pela fraude e aprovação no concurso, bem como o verdadeiro beneficiário do negócio, o aliciador Antônio Carlos da Silva Francisco”, afirma o delegado responsável pelo caso, Rômulo Figueredo Matos. “A prova disso reside no fato de que, durante o cumprimento do mandado de busca e apreensão na residência de Antônio Carlos, foi apreendida uma nota promissória emitida por Weverson no mesmo valor da casa, sendo que Simone endossou tal título em seu verso” informa a autoridade policial.

Diante da repercussão da fraude provocada pelas prisões em flagrante no dia da 2ª fase do concurso publico, Simone, por intermédio de Flávio, encaminhou uma notificação para Antônio Carlos de distrato do negócio acima referido, na qual manifestou o desejo de não vender o seu imóvel.

Tal fato é confirmado, ainda, no relatório de análise da agenda apreendida em poder do aliciador Antônio Carlos, na qual constam o nome, o número de inscrição e a senha de login de Mariana. Na página relativa ao dia 04 de março, constam diversos nomes e valores relativos à possível venda de aprovação no Enem. Junto ao nome de algumas pessoas, a exemplo de Mariana, Fábio e Kleverson, há a expressão “não deu”.

“Acredita-se que alguma circunstância alheia ao grupo criminoso impediu que a fraude dos cartões respostas dessas pessoas fosse consumada, motivo pelo qual Mariana e outras pessoas da relação não foram aprovadas”, comenta o delegado Rômulo Figueredo.

Durante a busca no veículo de Antônio Carlos da Silva Francisco, um dos líderes da organização criminosa, foi apreendida uma agenda contendo nomes de vários candidatos, bem como concursos e vestibulares fraudados por todos país. Foi possível identificar ainda uma relação de nomes contendo número de CPF e/ou número de inscrição e senha referentes ao Enem. Todas essas pessoas relacionadas na agenda de Antônio Carlos com seus respectivos dados participaram do Enem 2016. Nessa relação, foi possível identificar aprovados para o curso de medicina por meio da nota de desempenho no Sisu-Enem.

 

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