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15 de Dez de 2017 - Jornal em tempo real - Expediente - Publicidade
 

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 A estrela de Greta Gerwig, diretora de Lady Bird, não para de brilhar - Jornal Brasil em Folhas
A estrela de Greta Gerwig, diretora de Lady Bird, não para de brilhar


Quantas pessoas já ouviram falar de Greta Gerwig?

É uma pergunta que venho me fazendo nas últimas semanas em meio ao lançamento de seu novo filme Lady Bird - É Hora de Voar, aclamado quase que universalmente pela crítica. [O filme foi o mais bem cotado de todos os tempos no Rotten Tomatoes – site que reúne avaliações de críticos de cinema].

Gerwig tem sido repetidamente rotulada como uma it girl [mulheres muito jovens que criam tendências] nos últimos anos, mas seus filmes de maior bilheteria, Sexo Sem Compromisso e Arthur - O Milionário Irresistível, não são conhecidos como filmes de Greta Gerwig. Não, filmes de Greta Gerwig são coisas como Frances Ha e Mistress America ― suas colaborações com o chefão do cinema indie e companheiro Noah Baumbach ―, bem como comédias dramáticas como Hannah Sobe as Escadas e Lola Contra o Mundo, ambas as quais pertencem ao chamado gênero mumblecore [filmes independentes com roteiros marcados pela improvisação e direcionado ao público jovem]. Nenhum deles conseguiu arrecadar mais do que 5 milhões de dólares [16,2 milhões de reais] nas bilheterias dos Estados Unidos, embora Mulheres do Século 20 ter conseguido 6 milhões de dólares em receitas. Gerwig, de 34 anos, tem muita credibilidade no mundo do cinema experimental, mas o público mainstream avalia sua sensibilidade com o mesmo entusiasmo?

Acho - e espero - que estamos prestes a descobrir.

Lady Bird - É Hora de Voar, um maravilhoso conto sobre a chegada da maturidade, estrelando Saoirse Ronan como uma adolescente de classe média que deseja deixar a Califórnia para estudar em uma faculdade da costa leste, tem potencial de conseguir um êxito considerável à medida que estreia em vários cinemas nos EUA. Anuncia a incursão de Gerwig sozinha na direção de um filme - ela codirigiu Nights and Weekends com Joe Swanberg ― e serve como uma destilação de sua sensibilidade. Os espirituosos e articulados personagens crescem, se separam, buscam contentamento e aprendem lições, não por meio da manipulação do melodrama cinematográfico, mas através do crescimento natural que acompanha a evolução da vida.

No início de novembro, conversei com Gerwig, na sede da distribuidora indie A24, sobre temas como evolução da carreira, Lady Bird, o apoio que ela recebeu de seus colegas do setor e o cansaço da classe média descrito no filme.
A24
Saoirse Ronan e Greta Gerwig no set de

Suponho que esteja consciente das críticas positivas e excelente estreia nas bilheterias. Tudo está indo bem para Greta Gerwing.

Tudo está indo bem para Lady Bird. É emocionante. É tão significativo porque, realmente, isso representou um ato de amor de cada pessoa que fez o filme, do diretor de fotografia, todos os atores, todos os assistentes de produção, os quais eu adoro, que trabalharam neste filme. As pessoas realmente se dedicaram a este filme, então, estar sendo recebido dessa forma me deixa muito orgulhosa — continuo dizendo meus filhos, embora alguns deles sejam mais velhos do que eu. Sinto como se todos fossem meus filhos! Sou muito orgulhosa da família que formamos. É realmente emocionante que as coisas estejam caminhando desta forma.

Ah!

Acho que já vi o filme oito vezes.

Meu Deus. Eu também adoro o filme.

Interpretar a assistente de Jackie Kennedy deve ter sido a coisa mais antigerwig que você já fez até agora.

É verdade. Eu era uma grande fã do cineasta [chileno] Pablo Larraín. Eu amei seus filmes No e O Clube, mas eu o via principalmente como um cineasta de língua espanhola. Ele fez filmes [na América Latina] e pensei que, provavelmente, não estaria em um deles, porque não faz parte de meu conjunto de habilidades. Mas eu o admirava muito, e então fiquei sabendo que ele estava fazendo esse filme e tinha interesse que eu participasse. Como atriz, apenas sigo o diretor, nunca pergunto quão grande é o papel. Não vejo com a perspectiva vai ser bom para minha carreira?. Apenas sigo os diretores, e acredito que parte disso é [porque] sabia que sempre quis ser diretora. Para mim, trabalhar com grandes diretores não é apenas uma grande experiência como atriz; é uma grande experiência como uma pessoa que quer fazer isso.

Eu já era amiga de Natalie Portman e a adorava. Então pensei: Sim, ótimo. Lembro da primeira conversa que tivemos -- eu havia lido o roteiro, mas sabia que iria fazer o filme porque era ele. Conversamos por telefone, e ele disse algo muito interessante: Para mim, é um filme sobre objetos -- todos esses objetos que [Jackie Kennedy] havia trazido para a Casa Branca e como todos esses objetos partiram. É a tragédia, mas também esta construção de um certo sonho americano que foi despedaçado. Ele disse que havia me visto em Mistress America e que eu era muito boa, mas pensou que era bom o fato de eu ser muito maior do que Natalie, porque era como se fosse sua protetora.
FOX SEARCHLIGHT
Greta Gerwig, em

Você quer dizer em termos de sua estatura física?

Sim. Sou fisicamente muito mais alta do que ela, então eu era uma pessoa segura para ela no caos do que estava acontecendo à sua volta. Eu simplesmente amei filmá-lo. Filmamos em estúdios de Paris. Eles recriaram todos os detalhes. Era uma equipe francesa e, claro, Natalie pode falar todos os idiomas, então podia conversar com todo mundo. Eu apenas me virava. Eu simplesmente adorava estar lá. Na verdade, vi Pablo e seu irmão, Juan — eles produziram o filme Uma Mulher Fantástica.

Sim! Um lindo filme.

É muito bom, muito bonito. Adoro esse diretor [Sebastían Lelio]. Ele também fez Gloria, que significou muito para mim. Eu os vi no [Festival de Cinema de Telluride]; na verdade, um pouco antes da estreia de Lady Bird. Pablo disse: Não se preocupe, vai ser ótimo. Se não for, ninguém vai dizer isso na sua cara. O que sempre achei ótimo. Eles assistiram ao filme e foram maravilhosos. Por isso, Jackie foi significativo para mim, porque amei fazê-lo e amei interpretar um papel no qual fui completamente transformada. Foi assim que aprendi meu trabalho. Sinto-me parte da comunidade cinematográfica. É impressionante o quanto as pessoas se apoiam.

Isso, basta pensar sobre esse coletivo de cineastas chilenos, como Larraín e Lelio, que produzem os projetos uns dos outros. Fazem um trabalho muito bom.

Um trabalho muito bom! É sempre interessante para mim como sempre é um grupo pequeno de pessoas. Quando você realmente entra nisso e vê por que todos esses grandes filmes estão saindo de lá neste momento, você percebe que todos se conhecem. A primeira versão disso -- ou não a primeira versão, mas uma grande versão -- foi a Nova Onda francesa. Aqueles cineastas se conheciam e estavam escrevendo sobre cinema e pensando sobre cinema. Aconteceu novamente com os filmes americanos da década de 70. Scorsese, De Palma, Spielberg, Lucas e Coppola eram todos amigos. Eram apenas garotos.

Você viu o documentário de Spielberg na HBO?

Sim, amei.

A imagem daqueles cinco caras saindo juntos nos anos 70 é impressionante. Eu queria um filme inteiro sobre aquilo.

Concordo. Também foi muito divertido de assistir, para uma pessoa que é, você sabe, uma cineasta com aspirações e uma cineasta jovem. Eles sempre estiveram, de certa forma, observando o trabalho do outro. Eram um pouco competitivos, mas, na maioria das vezes, estavam apenas tentando fazer bem o que faziam, como quando Brian De Palma sugeriu o texto de abertura em Star Wars para George, e como conversavam sobre Como você conseguiu essa tomada de cena? e Como você enquadrou isso?. Acho que é uma grande parte do que adoro sobre a comunidade de artistas.

Você sente que conseguiu estabelecer a mesma coisa para si mesma?

Enormemente. E com pessoas que você nem sequer imagina.

A versão mais óbvia disso -- e sei que você não gosta desta palavra, então vou usá-la de maneira geral -- é o movimento mumblecore que começou na década de 2000, no qual um pequeno grupo de atores e diretores de mentalidade independente, incluindo você, rapidamente se conectou.

Claro, claro, claro. Isso foi uma grande parte de simplesmente levar o outro a sério, porque estávamos fazendo aquilo tão fora do radar. Ainda troco mensagens com Josh e Benny Safdie, diretores de Bom Comportamento. Eles são alguns de meus melhores amigos, e acabaram de me mandar uma mensagem no fim de semana dizendo: Get it Greta!, Get it! [Vá em Frente]. Tão doces. E Lena Dunham é parte desse grupo de pessoas. Miranda July. Todos esses diferentes tipos de cineastas e pessoas. Estamos sempre vendo o que o outro está fazendo. Fui ver Bom Comportamento no cinema no primeiro fim de semana, e acho que é a melhor coisa que já fizeram. E conheço Ronnie Bronstein há muito tempo, que escreveu o roteiro com eles e está casado com Mary Bronstein, que me dirigiu em um filme chamado Yeast, há alguns anos. É apenas umas das coisas onde sinto tanto este senso de comunidade que está conversando entre si. Ariel Schulman e Henry Joost, que dirigiram Catfish e outras coisas desde então. E Ry Russo-Young, e o que ela tem feito. E os Dupes. Mark e Jay Duplass.

Os Dupes? É como você os chama?

Os Dupes. Os Dupses. Sim, é uma coisa muito legal sentir que todos estão conectados.

Para alguém desaparecer em um papel, o ator normalmente precisa de uma pessoa que informe o que as pessoas esperam dele. Talvez um certo gênero ou estilo. O seu tende a gerar muitos adjetivos semelhantes. Palavras como quirky [peculiar] são ditas frequentemente. Você acha que as pessoas definiram sua sensibilidade adequadamente? Se isso é algo que você sequer se importa de monitorar.

Bem, eu apenas continuo fazendo meu trabalho. Você vive o momento que está vivendo em termos de como as pessoas o veem, mas, em termos do projeto que está fazendo, seja interpretando em algo como Jackie ou escrevendo e dirigindo um filme; não posso controlar como alguém me vê, então não faço nenhuma tentativa para isso. Apenas tento me concentrar na coisa que é mais desafiadora e mais viva para mim no momento. Eu acho -- bato na madeira -- que terei uma longa carreira, e, no final dela, a avaliação será a que for.

Você não faz tal coisa até fazê-la, é assim. Ninguém sabe o que você tem até que você o faça, então apenas continuo superando os limites, e acho que tudo será revelado.
IFC FILMS
Greta Gerwig. em

Incomoda quando as pessoas chamam obras como Frances Ha de um filme de Noah Baumbach? Vocês escreveram o roteiro jutos. Foi uma grande colaboração.

Quero dizer, ele dirigiu. Ele dirigiu tudo, e isso é ótimo. Mas, em termos do filme ser algo de autoria dos dois, sim [me incomodo]. É de autoria de ambos, e é legal quando é referido dessa maneira.

Realmente sentimos que é um filme com sua sensibilidade artística estampada em tudo e, às vezes, de passagem, parece haver um tipo de divisão entre se é um filme de Noah Baumbach ou um filme de Greta Gerwig. Claro que estou generalizando.

Você conhece aquela banda Traveling Wilburys? Com Tom Petty, Bob Dylan, George Harrison e Roy Orbison. Eram artistas com vida própria, e então, quando fizeram um álbum juntos, surgiu a Traveling Wilburys. Por isso acho que Frances Ha e Mistress America, para ambos, são como a Traveling Wilburys. E, claro, ele fez filmes incríveis sozinho. Ele é meu cineasta favorito, claro. E eu também faço filmes sozinha, e também atuo em projetos de outras pessoas. Mas, para mim, é como se fosse uma banda paralela.

O que mais me impressiona sobre Lady Bird é sua descrição da classe média, a maneira pela qual Lady Bird tem inveja das casas de seus colegas de classe e se sente julgada com base em suas posses materiais. É uma sensação que perdura até a idade adulta, mas que é distintamente adolescente aqui, como os adolescentes litigam o status social dos outros com base em uma riqueza arbitrária.

É interessante para mim, porque tenho interesse nisso como uma questão, e tenho interesse em como lidamos com isso, e como não lidamos com isso na arte que fazemos e nas conversas que temos. O momento que eu queria filmar ocorre um pouco depois de eu começar o segundo grau. Queria estar nesse mundo pós 11/9. Passamos por um trauma nacional; estávamos em guerra no Afeganistão; começamos uma guerra com o Iraque; a internet e os celulares estavam em ascensão, mas não eram tão populares ainda; a aceleração da erosão da classe média havia começado, o que é algo que realmente estamos passando agora. Foi uma forma de falar sobre o agora sem ambientá-lo agora.

Acho que algo como estudantes do ensino médio sendo esnobes sobre o que têm e o que não têm é particularmente absurdo, porque não é deles. É dos pais. Então, se sentir muito bem sobre si mesmo porque você tem uma casa bonita ou um carro não faz sentido -- você não conseguiu nada disso.

É circunstancial.

É circunstancial e por isso é verdadeiramente apenas uma questão de sorte. Eu também estava interessada, em termos de Lady Bird, na maneira como ela sempre está observando as casas ricas e as garotas que têm mais [coisas]. Elas têm mais acesso às coisas que ela acredita querer, e não percebe que é objeto de inveja de outra pessoa. Sua melhor amiga, Julie, olha para ela e diz: Mas ela tem uma família intacta e mora naquela casa bonita. Sua vida é perfeita. Às vezes, a inveja não permite que você veja o que tem e, particularmente, acho que na América você sempre está olhando para mais, mais, mais. Não consegue ver o que está na sua frente.

E a outra coisa é apenas a ideia que acredito ter começado na década de 90, e então realmente se acelerou com a mudança tecnológica e da força de trabalho e a erosão da classe média. É a ideia de que a geração de seus pais, que se veem nos seus 50 ou 60 anos, e, de repente, ficam sem o trabalho que tiveram por 30 anos. Você tem de encontrar um novo trabalho com 50 anos, que não é uma coisa que a geração de seus pais realmente tinha de passar, mas, como o cenário econômico mudou tão drasticamente e o que é exigido dos trabalhadores mudou tão drasticamente, você precisa de uma nova carreira em um ponto quando deveria estar finalizando sua carreira. Acho tudo isso realmente fascinante, e não é que meu filme tenha uma resposta para isso. Apenas queria mostrar isso.

Lady Bird - É Hora de Voar tem estreia prevista no Brasil em 5 de abril de 2018.

 

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