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 Sou um conservador afetivo”, diz o cantor Oswaldo Montenegro a Roseann Kennedy - Jornal Brasil em Folhas
Sou um conservador afetivo”, diz o cantor Oswaldo Montenegro a Roseann Kennedy


Com 40 CDs gravados, 15 peças musicais, três filmes e mais de 40 trilhas sonoras para cinema, teatro e televisão, o poeta, cantor e compositor Oswaldo Montenegro circula por várias vertentes da arte. Imortalizado por sucessos como Bandolins, Agonia, Léo e Bia e Lua e Flor, o “trovador contemporâneo” atualmente se dedica ao audiovisual, escreve e dirige longas-metragens.

Oswaldo Montenegro é o entrevistado do programa Conversa com Roseann Kennedy, que vai ao ar segunda-feira (18), às 21h30, na TV Brasil.

No bate-papo, ele fala de seus sentimentos, afetos e paixões pela música, a arte, família, os amigos e pelo audiovisual, sua mais recente descoberta. Oswaldo tem feito séries, clips, DVDs e filmes. Entre eles, estão Solidões, Léo e Bia e o O perfume da memória - esse último, com reconhecimento internacional, premiado no Open World Toronto Film Festival (Melhor Som e Música) e no California Film Awards (Melhor Filme Estrangeiro).

O longa O perfume da memória é narrado pelo próprio Montenegro e põe o telespectador como voyer do romance entre duas mulheres. Para ele, a obra trata de sentimentos e escolhas. “Ainda hoje, afetos são desfeitos porque as pessoas pensam diferente. Então a gente colocou isso numa história de amor. Essa é a ideia-base do filme, duas mulheres que se apaixonam fortemente, cada uma com o seu temperamento e com uma filosofia de vida que entra em choque. E aí o que acontece? O sentimento ganha, ou ganha a crença?”.

O drama trata de um dilema, onde cada lado tem a sua razão. Sobre isso, o diretor completa: “A gente tem essa tendência de onipotência, de querer tudo. E, ao mesmo tempo que tem o privilégio de poder escolher, a gente tem esse drama, de ser obrigado a escolher”.

Carioca, 61 anos, Oswaldo Montenegro mantém a barba e os cabelos longos, hoje já grisalhos. Mas quando se trata de seu potencial criativo, conserva no espírito a inquietude da juventude. “Eu sou a pessoa menos zen que conheço. Conheço alegria, tristeza, emoção, mas não conheço a calma. Paz pra mim é uma palavra da qual já ouvi falar... Nunca senti isso. Não sei nem do que se trata. Se eu ficar quatro minutos meditando, com certeza vou me atirar pela janela. E bastam dois dias de férias para que eu queira literalmente me matar. Não é um exagero. Eu preciso fazer arte o tempo todo”.

Quando se trata da criação multimídia, o artista analisa as inúmeras possibilidades de produção. Para ele, a relação que existia entre a música e as pessoas mudou. “Eu acho que, hoje em dia, a música é trilha. Eu acho que a canção é uma coisa do século 20, em que éramos garotos, ouvíamos o disco inteiro e a música bastava pra gente. Hoje em dia, as pessoas veem música. Ela está atrelada à circunstância de um filme, de uma novela, de uma personalidade, de um cantor, de um brinquedo, da internet... E as fronteiras das artes estão cada vez mais dissipadas. Eu quero brincar disso”.

Quando se trata de afetividade, o compositor se orgulha das relações que construiu durante a vida. “Eu sou um apegado. Tenho os mesmos amigos há 50 anos, tenho um apego muito grande à família e, ao mesmo tempo, passei a minha vida na estrada. Então, essa é uma dor que dói sempre. Eu tenho a euforia de mudar todo dia mas, ao mesmo tempo, sou um conservador afetivo”.

Ao ser questionado sobre a música preferida de sua trajetória, Oswaldo não hesita: Por brilho é a música mais importante da minha vida. Disparado. Não tem segundo lugar, porque é a melhor coisa da amizade com Madalena Sales”. A obra é uma homenagem à flautista, ex-companheira do cantor, considerada grande amiga, irmã e atual parceira de seus projetos.

Por outro lado, Montenegro não se furta às próprias críticas. “Tem músicas de que eu não gosto. Algumas eu fiz para trilhas e estavam adequadas para as circunstâncias daquele momento. Quando elas são tocadas fora do contexto, não tenho muito agrado. E tem músicas que são ruins porque são ruins mesmo”.

Se o sucesso de um artista se mede pelo número de elogios que recebe, OswaldoMontenegro não parece dar muita importância às críticas alheias. “Todo mundo tem um ego e uma vaidade muito fortes. A minha vaidade é humana, é no afeto. Não tenho essa vaidade do glamour, da arte, mas tenho muita vaidade. Acho que sou um pai maneiro, acho que sou um filho legal, acho que amo meus irmãos, acho que tenho essa carga muito forte. Se lanço uma arte, alguém não gosta, eu lido muito bem com isso”.

Se esse temperamento autêntico e espontâneo já lhe rendeu críticas, quando se trata de viver entre o dilema de ser amado ou odiado, Oswaldo dá um recado: “Adoro isso. Mas, na parte pessoal, sou metido. Não admito que alguém me critique nessa área. É ali que tá o meu ego”.

 

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