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23 de Jan de 2019 - Jornal em tempo real - Expediente - Publicidade

 

 
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 Merkel recebe famílias de vítimas do atentado de Berlim um ano depois - Jornal Brasil em Folhas
Merkel recebe famílias de vítimas do atentado de Berlim um ano depois


Após um ano de espera, os familiares das vítimas do atentado do mercado natalino de Berlim foram recebidos nesta segunda-feira (18) por Angela Merkel, pressionada por uma polêmica sobre a falta de compaixão e as negligências das autoridades.

A chanceler, acusada nas últimas semanas de falta de empatia, reuniu-se a portas fechadas com famílias durante três horas, segundo a chancelaria.

Merkel recebeu cerca de 80 pessoas, entre eles feridos e parentes dos 12 mortos.

Segundo Kurt Beck, autor de um relatório oficial muito crítico sobre o tratamento às vítimas do atentado, a chanceler conseguiu diminuir a tensão da situação. Houve discussões intensas com cada um, declarou a agência alemã DPA.

Doze pessoas morreram e cem ficaram feridas no pior atentado cometido no território alemão, reivindicado pelo grupo extremista Estado Islâmico (EI).

Em 19 de dezembro de 2016, às 20H02, o tunisiano Anis Amri, de 24 anos, jogou a van que havia roubado contra um mercado de Natal muito popular do centro de Berlim.

Ele foi executado quatro dias depois pela polícia na Itália, depois de ter fugido pela Holanda e pela França.

- Sem pêsames -

Em uma carta aberta dirigida a Angela Merkel no começo de dezembro, os familiares dos desaparecidos lamentaram sua inação política e expressaram sua principal reprovação: Ressaltamos que você não nos deus os pêsames, nem pessoalmente, nem por correio.

Realmente, embora Angela Merkel tenha chegado ao local do atentado no dia seguinte, nunca atendeu pessoalmente às famílias das vítimas.

Nenhuma cerimônia de homenagem foi celebrada na Alemanha, ao contrário do que fez a França após os atentados de 13 de novembro de 2015.

Entretanto, não se trata de uma questão de respeito, de decência, disseram as famílias das vítimas na mensagem.

- Reconhecimento nacional -

Um recente relatório oficial lamentou que se tenha negado às pessoas implicadas um reconhecimento nacional.

Algumas coisas não devem se repetir, segundo um autor do relatório, o ex-dirigente do Partido Social-Democrata (SPD) Kurt Beck, que cita erros especialmente inoportunos, como o envio aos familiares dos mortos de faturas para que pagassem os gastos da autópsia em um prazo de 30 dias.

Desde então, Berlim se comprometeu a melhorar rapidamente a atenção às vítimas e a seus familiares.

O governo também prometeu aumentar o montante das indenizações para as famílias, enquanto que até a data se pagou 2 milhões de euros, o que o relatório considera insuficiente.

Acho que é uma pena, pois ela [Angela Merkel] é em parte responsável pelo o que aconteceu, lamentou Marcel Knauer, de 29 anos, que visitou o mercado natalino com sua mãe para depositar flores em um pequeno altar de velas, fotos e cruzes antes das comemorações de terça-feira.

Merkel poderia ter feito para dar a sensação de que estamos ao lado dos familiares das vítimas e que se fez tudo o possível para esclarecer as circunstâncias do atentado, defendeu o jovem.

- Falhas graves -

A investigação revelou grandes falhas antes do atentado, principalmente porque Anis Amri apresentou pedido de refúgio com várias identidades e deveria ter sido expulso há tempo.

Ele conseguiu passar desapercebido apesar de ter sido detectado como um extremista islamita e traficante de drogas.

Outro relatório assegura que existia uma oportunidade real de prender o tunisiano, que costumava visitar uma mesquita salafista de Berlim antes do ataque.

Segundo o jornal Die Welt, a polícia vigiava Anis Amri um ano antes do atentado por suspeita de atividades extremistas.

Em quase todos os campos, houve erros, negligências e irregularidades, afirma o relatório.

Entre os mais graves, se suspeita que a polícia de Berlim falsificou a posteriori certos informes de vigilância de Anis Amri, enquanto que suas atividades talvez pudessem justificar sua prisão.

 

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