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 Delator na Lava Jato, doleiro Lúcio Funaro se diz arrependido - Jornal Brasil em Folhas
Delator na Lava Jato, doleiro Lúcio Funaro se diz arrependido


Beneficiado com a conversão de dois mandados de prisão preventiva na possibilidade de cumprir em prisão domiciliar parte da pena que ainda será estabelecida, o operador financeiro Lúcio Funaro disse hoje (19), que está arrependido de ter se envolvido com atividades ilícitas.

“Qualquer pessoa que vá presa fica arrependida. A gente chega à conclusão de que coisas que eram feitas já não podem mais ser feitas; que é preciso atuar de uma nova maneira, totalmente limpa, clara, sem ilicitudes. Quem vivia em um ambiente como aquele em que eu vivia, já não pode mais”, disse Funaro a jornalistas, ao fim da audiência em que o juiz Vallisney de Souza, da 10ª Vara Federal em Brasília, o autorizou a deixar o Complexo Penitenciário da Papuda e cumprir pena em regime fechado domiciliar, em Vargem Grande do Sul, no interior paulista.

Preso na Papuda desde junho de 2016, Funaro fechou, em agosto do mesmo ano, acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República, no âmbito da Operação Lava Jato. “Meu desejo é poder voltar a conviver com a minha filha, com quem ainda não tive tempo de conviver”, afirmou o doleiro.

A defesa de Funaro convenceu o juiz Vallisney de Souza de que o operador financeiro reúne condições de deixar a penitenciária e aguardar pela sentença judicial em prisão domiciliar. Inicialmente, o magistrado considerou a falta de tornozeleiras eletrônicas no Distrito Federal e em São Paulo um impedimento à fiscalização do cumprimento das medidas restritivas, mas acabou por acatar o pedido de Funaro após este se comprometer a incrementar o sistema de monitoramento por câmeras de segurança de sua fazenda, em Vargem Grande do Sul.

Funaro também deverá fornecer à Justiça o acesso remoto ao sistema de vigilância e observar outras medidas, como não deixar a propriedade sem autorização judicial, limitar as visitas às pessoas previamente autorizadas pelo juiz e entregar à Justiça Federal, periodicamente, arquivos contendo toda a movimentação filmada no período. Funaro também manifestou o desejo de cursar Direito.

Alegando ter refletido sobre suas práticas, o operador financeiro disse não que está se beneficiando de recursos ilícitos para custear a implementação das medidas acordadas com o juiz. “Antes de entrar nisso, eu já tinha lastro patrimonial. Meu patrimônio não veio só disso aí”, declarou Funaro, referindo-se ao envolvimento com políticos e empresários investigados por corrupção. “Meu avô veio da Itália para fazer tijolos no Brasil, criou uma indústria de cerâmica, foi fazendeiro. Eu trabalhei. Por isso tenho jato, fazenda. Mas vou ter que me desfazer de tudo, pois tenho uma multa para pagar à PGR [Procuradoria-Geral da República], valores a pagar ao Imposto de Renda. E não estou me importando com isso, pois são coisas que tinham uso quando eu tinha outras atividades.”

Segundo o juiz Vallisney de Souza, esta é a primeira vez que, por causa da falta de tornozeleiras eletrônicas, a 10ª Vara autoriza um acusado a cumprir pena em casa mediante a instalação de um sistema de monitoramento a distância.

“Ainda que o sistema seja instalado pelo acusado, a fiscalização é do juízo”, disse o magistrado, lembrando que outros acusados que tinham direito à prisão domiciliar já foram soltos antes sem condições de ser fiscalizados por falta de tornozeleiras eletrônicas. “O que é melhor? O preso sair e ficar sem ser fiscalizado, ou ficar com uma fiscalização como esta [aplicada a Funaro]?”.

Edição: Nádia Franco

 

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