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12 de Dez de 2018 - Jornal em tempo real - Expediente - Publicidade

 

 
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 Brasileiros ainda não escolheram candidato nas eleições dos Estados Unidos - Jornal Brasil em Folhas
Brasileiros ainda não escolheram candidato nas eleições dos Estados Unidos


Ao contrário dos imigrantes latinos, que apoiam claramente os candidatos democratas, os brasileiros que vivem nos Estados Unidos – e formam um comunidade de mais de 1,3 milhão de pessoas - ainda não se organizaram politicamente a fim de escolher uma candidato nas eleições para presidente da República, que ocorrerão em novembro de 2016. A avaliação é da diretora executiva do Centro do Trabalhador Brasileiro, Natalícia Tracy.

“Está na hora de a comunidade brasileira escolher um candidato e ter uma posição de poder no plano político norte-americano”, afirmou Natalícia. Ela observou que imigrantes de países como o México e Cuba começaram o movimento em favor do fortalecimento político nos Estados Unidos muitos anos antes dos brasileiros e, por isso, têm candidatos que se elegeram a cargos políticos em diversas esferas. “Isso ajuda muito na hora em que a comunidade precisa levar suas reivindicações”, acrescentou.

O Centro do Trabalhador Brasileiro é uma organização comunitária, fundada por brasileiros, que se destina a ajudar famílias de imigrantes, especialmente as que moram na área de Boston, capital do estado norte-americano de Massachusetts. Boston e outras cidades de Massachusetts têm uma concentração de 300 mil brasileiros, a maior comunidade do país nos Estados Unidos,

“Chegou o momento de termos candidatos que lutem pelos interesses dos brasileiros não só em nível das eleições para a presidência dos Estados Unidos, como também para o Congresso, para os cargos estaduais e os municipais”, acrescentou Natalícia.

Radicado há 27 anos nos Estados Unidos, o cientista brasileiro Álvaro Lima ocupa o cargo de diretor de Pesquisas da Prefeitura de Boston. Ele considera que a comunidade de imigrantes brasileiros que vive no país tende a apoiar candidatos do Partido Democrata. Segundo ele, a simpatia pelos democratas decorre da posição política sobre imigrantes dos candidatos Hillary Clinton e Bernie Sanders, os dois que lutam para representar o partido nas eleições deste ano.

De acordo com Lima, Hillary e Sanders têm defendido para o eleitorado dos Estados Unidos a aprovação de uma nova política que permita a legalização de famílias de imigrantes. “Eles demonstram ter conhecimento das diferenças de origens entre os imigrantes e sabem identificar a posição política de cada governo da América Latina, ao contrário de Donald Trump e Ted Cruz, candidatos a representar o Partido Republicano nas eleições presidenciais, que parecem não fazer distinção entre o Brasil, a Venezuela e Cuba”, disse Lima.

Atendimento a brasileiros

O Centro do Trabalhador Brasileiro atende diariamente a pessoas que enfrentam problemas trabalhistas, de imigração, de aluguel, de trânsito e na área do consumidor. “Há dias em que chegamos a receber 20 pessoas com queixas diversas em nosso escritório”, disse Natalícia Tracy.

Ao chegar aos Estados Unidos, há mais de 20 anos, Natalícia conheceu - por meio da própria experiência - as dificuldades dos imigrantes. Ela viajou como empregada doméstica e foi submetida a excesso de horas de trabalho pela própria família que a levou. Hoje, ela acumula a função de professora da Universidade de Boston com o cargo de diretora executiva do Centro do Trabalhador Brasileiro, e uma de suas preocupações é o direito dos empregados domésticos brasileiros nos Estados Unidos. O centro recomenda, de acordo com Natalícia, que o empregado doméstico não se submeta a longas jornadas de trabalho e nem adicione às suas atividades específicas, por exemplo a limpeza de residências, a função de babá. Os advogados do centro também orientam os empregados domésticos a lutar por salário mínimo, horas extras e compensação do tempo trabalhado.

Natalícia lembrou que outro exemplo de problema apresentado por brasileiros é a ausência de carteira de habilitação para dirigir no país. Pelas leis de alguns estados, estrangeiros que não estejam legalizados não podem retirar a carteira de habilitação. De acordo com Natalícia, a falta da carteira, quando ocorre um acidente de trânsito, gera multas altas e até a possibilidade de deportação para imigrantes que não estejam documentados. Este é um exemplo típico de que, se houvesse um político comprometido com as causas brasileiras, poderíamos levar uma reivindicação nessa área para esse político, afirmou a diretora.

 

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