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 Blairo Maggi: o mundo não pode ficar sem o Brasil no fornecimento de alimentos - Jornal Brasil em Folhas
Blairo Maggi: o mundo não pode ficar sem o Brasil no fornecimento de alimentos


Em entrevista exclusiva ao programa Nos corredores do Poder, da TV Brasil, que foi ao ar na noite desta quinta-feira (4), o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo Maggi, falou da importância do setor agropecuário para a balança comercial brasileira e sobre a importância do país no mercado mundial de alimentos.

“O mundo pode reclamar do Brasil em algumas coisas, mas o mundo não pode ficar sem o Brasil no fornecimento de alimentos. Isso é importante e nos dá mais responsabilidade, somos um player importante e o mundo hoje não vive sem a presença do Brasil”, avaliou, destacando que o país consegue, além de garantir a alimentação dos brasileiros, exportar alimentos para mais de 150 países. “O Brasil construiu nos últimos 40, 50 anos, uma revolução. Nós eramos na década de 70 importadores de alimentos e hoje somos exportadores.”

Carne Fraca

Em 2017, o valor bruto da produção nacional agropecuária foi de R$ 533,5 bilhões, um crescimento de 1,6% em relação a 2016. Mas, enquanto a agricultura cresceu 5,5%, a pecuária caiu 5,8% no período. O ministro explicou que um dos principais fatores que influenciaram na queda do valor da carne nacional no mercado internacional foi a Operação Carne Fraca, deflagrada pela Polícia Federal em 17 de março de 2017, que desarticulou um esquema de corrupção envolvendo fiscais agropecuários e donos de frigoríficos nos estados do Paraná, Minas Gerais e Goiás.

Segundo as investigações da PF, fiscais recebiam propina das empresas para emitir certificados sanitários sem fiscalização efetiva da carne, o que permitia a venda de produtos com prazo de validade vencido. Maggi reconhece que a Carne Fraca foi um desastre para a imagem da carne brasileira, que vinha sendo construída nas últimas décadas, pelo governo e pelas associações de produtores.

“Esse evento atrapalhou demais o Brasil e nós perdemos muitos mercados naquele período. Mas conseguimos ir reconquistando. E os mercados eles são disputados na base da botina, não tem nada de love [amor, em inglês] nesse processo. Então, quando um país percebe que você está em desvantagem, os compradores de lá tentam baixar o preço, e foi o que fizeram, baixaram o preço das carnes brasileiras e, para voltar a fazer as vendas, fomos com preços menores. Mas esses preços já estão sendo recuperados e nós vamos ver a pecuária ter um valor agregado maior”, disse.

O ministro disse que considera que o assunto já foi superado, que “todo mundo já aproveitou do que dava para aproveitar comercialmente”, e que “o importante é que o país recuperou os mercados que havia perdido e estamos ampliando esses mercados, estamos abrindo a Indonésia, entre outros países interessantes, e devemos voltar, agora em 2018, a vender para os EUA novamente”, concluiu.

Febre aftosa

Blairo Maggi também falou sobre a expectativa de que, até maio de 2018, o Brasil receba o Certificado de País Livre de Febre Aftosa com Vacinação da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), o que vai permitir que o país passe a atuar em novos mercados. O ministro disse que essa é uma luta muito antiga do Brasil e que o esforço para a erradicação da aftosa no envolveu vários ministros, secretários, dezenas de governadores, secretários estaduais e produtores.

“Chegando nesse ponto, já estamos iniciando um outro projeto para que, até 2022 ou 2023, o país receba o certificado de país livre de aftosa sem vacinação. Significa que nossos técnicos, o sistema de controle, junto com os produtores, já chegaram a conclusão de que uma vez livre com vacinação, também podemos ser livres sem vacinação, pois não temos o vírus circulando no Brasil há muitos anos.” Segundo o ministro, o Brasil ganhará muito com isso, “o valor da nossa carne vai mudar, teremos outro status pra trabalhar”, disse.

Maggi explicou que a vantagem trazidas por esses certificados é a abertura de mercados hoje fechados para os produtos brasileiros.

“Nós hoje não podemos vender, para a maioria dos países do mundo, carne com osso, por exemplo. Temos que desossar toda a nossa carne porque no osso é que tem o risco de se levar o vírus para outro país. Então, Japão não compra nossa carne, vários só compram desossada, tem países extremamente exigentes, como os EUA, por exemplo, para quem não podemos vender carne com osso também, na grande maioria carne processada. Então isso vai abrir um mercado muito grande. E não é só no mercado de carne bovina, mas também de suína.”

Edição: Amanda Cieglinski

 

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