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17 de Jan de 2018 - Jornal em tempo real - Expediente - Publicidade
 

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 Partidários do governo iraniano voltam a se mobilizar - Jornal Brasil em Folhas
Partidários do governo iraniano voltam a se mobilizar


Novas mobilizações pró-regime eram realizadas no Irã nesta quinta-feira (4), um dia após o governo declarar o fim da sedição, na esperança de concentrar as atenções nas demandas econômicas, o ponto de partida dos protestos.

Depois de vários dias de agitação, a capital Teerã e a maioria das cidades provincianas tiveram uma segunda noite tranquila. Agora, o poder quer centrar a atenção nas reivindicações econômicas dos manifestantes.

Em Teerã, foi mobilizado um importante dispositivo policial.

A imprensa e redes sociais não relataram distúrbios noturnos, embora imagens de mobilizações esporádicas em localidades menores tenham sido publicadas sem verificação.

Esta manhã, a televisão iraniana exibiu imagens de novas grandes manifestações em apoio ao governo nas cidades de Isfahan (centro), Mashhad (nordeste), Orumieh (noroeste), Babol e Ardebil (norte).

Estamos todos unidos com o guia, o aiatolá Ali Khamenei, entoavam esses manifestantes, de acordo com imagens da televisão estatal.

Os manifestantes também gritavam morte à América, morte a Israel e morte ao monafegh (hipócrita em persa), termo utilizado pelas autoridades para designar os Mudjahedines do Povo, principal grupo de oposição no exílio, proibido no Irã.

Já na quarta-feira, dezenas de milhares de pessoas se mobilizaram em vinte outras cidades provinciais para apoiar o poder e denunciar a violência dos protestos que se estenderam por uma semana.

As autoridades acusam grupos contra-revolucionários e os Mudjahedines do Povo de tirar proveito das manifestações legítimas da população contra as dificuldades econômicas para criar problemas.

De quinta a segunda-feira à noite, 21 pessoas morreram - a maioria manifestantes - e centenas foram presas, incluindo 450 em Teerã, segundo dados oficiais.

- Moscou adverte Washington -

O comandante em chefe do Exército, Abdolrahim Mussavi, agradeceu às forças de segurança que teriam apagado o fogo da insurreição.

O exército de elite iraniano, a Guarda Revolucionária, proclamou na quarta-feira o fim deste movimento de protesto. Iniciado em 28 de dezembro em Mashhad (nordeste), a segunda maior cidade do país, foi o maior movimento de contestação no país desde 2009, contra a reeleição do então presidente Mahmud Ahmadinejad.

Segundo o ministro do Interior, Abdolreza Rahmani Fazli, 42.000 pessoas participaram das manifestações, muitas menos que as centenas de milhares que foram às ruas em 2009.

O Irã acusa os Mujahedines de estar vinculados à Arábia Saudita, rival regional de Teerã, à qual acusa, junto com os Estados Unidos, de atiçar os distúrbios ao apoiar as manifestações.

O embaixador iraniano na ONU, Gholamali Khoshroo, queixou-se ante o Conselho de Segurança das ingerências dos Estados Unidos em seus assuntos internos.

Desde o início da contestação, Donald Trump tem expressado apoio à causa dos manifestantes e condenado o regime.

Os Estados Unidos pediram formalmente uma reunião de emergência ao Conselho de Segurança da ONU, que será celebrada na sexta-feira às 15h locais (18h de Brasília), anunciou a missão do Cazaquistão, que preside o colegiado.

A reunião se realizaria na sexta-feira às 20H00 GMT (18h de Brasília), mas deve ser confirmada pela presidência do Conselho, exercida este mês pelo Cazaquistão.

Condenamos nos termos mais fortes possíveis as mortes até hoje e as detenções de pelo menos mil iranianos, disse a porta-voz do Departamento de Estado, Heather Nauert.

Esses mortos não serão esquecidos, acrescentou a porta-voz.

Posteriormente, o Departamento do Tesouro informou sobre novas sanções contra o regime iraniano, concretamente contra cinco empresas vinculadas ao programa balístico.

A Rússia, aliada do Irã, advertiu Washington contra qualquer intervenção nos assuntos internos de seu amigo.

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, se expressou no mesmo sentido.

Alguns do exterior provocaram a situação e estas provocações não são corretas, declarou Erdogan à emissora francesa TF1 em Estambul. É um assunto interno do Irã [...] Não devem se meter em assuntos internos dos países, devem deixá-los solucionar seus problemas internos, acrescentou.

- Problemas econômicos -

A classe política no Irã - reformistas e conservadores - se posicionou contra a violência, enfatizando a necessidade de encontrar uma solução para os problemas econômicos, principalmente o desemprego, que atinge 30% dos jovens.

Embora as queixas econômicas tenham contribuído amplamente para esses movimento de protesto, as reivindicações políticas não tardaram a surgir.

A principal demanda das pessoas às autoridades e ao governo é que resolvem os problemas econômicos, apontou na quarta-feira Ali Akbar Velayati, conselheiro do guia supremo para assuntos internacionais, citado pela agência Isna.

Reeleito em maio passado, o reformista Hassan Rohani prometeu, logo que se tornou presidente em 2013 trabalhar para melhorar a situação econômica e social, uma esperança alimentada pelo acordo nuclear assinado em 2015 e a suspensão de algumas sanções internacionais contra Teerã.

Mas o encarecimento do custo de vida e o desemprego não pararam de alimentar as frustrações.

O Parlamento, que revisa o orçamento para o próximo ano fiscal (março de 2018 a março de 2019), já rejeitou os aumentos de impostos que o governo queria adotar, incluindo um aumento de 50% no preço da gasolina.

 

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