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19 de Sep de 2018 - Jornal em tempo real - Expediente - Publicidade
 

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 Cardozo oficiliza hoje sua saída do Ministério da Justiça - Jornal Brasil em Folhas
Cardozo oficiliza hoje sua saída do Ministério da Justiça


O ministro da Justiça José Eduardo Cardozo oficializa ainda nesta segunda-feira sua saída do cargo. Ele participou pela manhã de reunião com a presidente Dilma Rousseff e os ministros Jaques Wagner (Casa Civil) e Ricardo Berzoini (Secretaria de Governo). Ele voltou ontem a Brasília para falar com Dilma para ter a conversa decisiva sobre sua saída. Cardozo vem sendo muito cobrado pelo seu partido e pelo ex-presidente Lula por não controlar a Polícia Federal e acabar permitindo investigações que afetam o PT e, especialmente, o ex-presidente.

Como a saída do ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Luís Inácio Adams, revelado pelo GLOBO, Cardozo será remanejado para essa função.

Seu substituto, segundo o colunista Lauro Jardim, deve ser Wellington César, antigo procurador-geral do MP da Bahia.

A reunião do Diretório Nacional do PT, no último fim de semana no Rio, teria contribuído para a decisão de Cardozo, na qual foi muito criticado e aumentou o seu desejo de deixar a pasta.

Ausente da festa de comemoração de 36 anos do PT, na noite deste sábado, e em rota de colisão com o partido, a presidente Dilma enviou uma nota na qual afirma que é “solidária” ao ex-presidente Lula que, segundo ela, está sendo “duramente atacado, de forma injusta”.

Em outubro do ano passado, a operação de busca e apreensão feita pela Polícia Federal no escritório da LFT Marketing Esportivo, de Luis Claudio Lula da Silva, filho do ex-presidente Lula, fez crescer no PT a insatisfação com o ministro Cardozo. Também há reclamações sobre supostos excessos na Operação Lava-Jato, que investiga esquema de corrupção na Petrobras, e de vazamentos considerados seletivos. Lula tenta derrubar Cardozo desde o final do ano passado, mas, nesse período, Dilma já fez duas reformas ministeriais e não mexeu na pasta da Justiça.

A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF), que recentemente teve divergências com Cardozo em relação ao orçamento da corporação, soltou nota demonstrando "extrema preocupação" com a possível saída do ministro do cargo.

"Os Delegados da Polícia Federal receberam com extrema preocupação a notícia da iminente saída do Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, em razões de pressões políticas para que controle os trabalhos da Polícia Federal. Os Delegados Federais reiteram que defenderão a independência funcional para a livre condução da investigação criminal e adotarão todas as medidas para preservar a pouca, mas importante, autonomia que a instituição Polícia Federal conquistou", diz trecho da nota.

A ADPF também voltou a pregar a autonomia funcional e financeira da Polícia Federal.

Na semana passada, como mostrou O GLOBO, um grupo de deputados petistas, entre eles o líder na Câmara, Afonso Florence (PT-BA), Wadih Damous (PT-RJ) e Moema Gramacho (PT-BA), estiveram no Ministério da Justiça e cobraram duramente de Cardozo providências sobre os vazamentos das investigações sobre Lula e sobre a forma como a PF está conduzindo os trabalhos. Os deputados alegaram que Lula havia se tornado "alvo preferencial" e que havia "descontrole" na condução das investigações.

Os deputados subiram o tom com o ministro e um deles chegou a dizer que, caso Cardozo não tomasse providências, "Lula acabaria sendo preso".

DA CAMPANHA AO MINISTÉRIO

Formado em Direito em 1981 pela PUC de São Paulo, Cardozo cursou mestrado e doutorado pela mesma instituição, obtendo o título de doutor sob a orientação de Celso Antônio Bandeira de Melo. No meio acadêmico, já trabalhou como professor da própria PUC.

Seu primeiro cargo público foi como secretário Municipal de Governo da cidade de São Paulo, durante gestão de Luiza Erundida, à epoca no PT. Nas eleições de 2000, José Eduardo Cardozo foi reeleito vereador da cidade de São Paulo com o maior número de votos da história. Em 2001, foi eleito presidente da Câmara Municipal de São Paulo.

Em 2002, Cardozo se licenciou do cargo para concorrer ao cargo de deputado federal, sendo eleito com uma das maiores votações do PT no estado e conseguindo a reeleição em 2006.

No Congresso, foi um dos principais relatores do projeto de Lei Ficha Limpa. Em 2008, tornou-se secretário-geral da diretoria do PT. Dois anos depois, nas eleições presidenciais de 2010, foi um dos principais articuladores da campanha de Dilma Rousseff. No dia 3 de dezembro daquele mesmo ano, foi escolhido por Dilma para assumir o Ministério da Justiça, cargo que ocupa desde então.

No ano passado, Cardozo fez uma cirurgia para retirar um câncer na tireoide.

 

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