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 Potências mundiais pressionam por sanções contra armas químicas na Síria - Jornal Brasil em Folhas
Potências mundiais pressionam por sanções contra armas químicas na Síria


Representantes de mais de vinte países decidiram nesta terça-feira (24) pressionar pela imposição de sanções contra o uso de armas químicas na Síria, em um encontro em Paris no qual o Secretário de Estado americano, Rex Tillerson, denunciou a responsabilidade da Rússia nesses ataques.

Ontem novamente mais de vinte civis, a maioria crianças, foram vítimas de um ataque supostamente com cloro, disse Tillerson, referindo-se a novas acusações contra o regime sírio por um suposto ataque químico em uma cidade de Guta Oriental, um enclave rebelde a leste de Damasco, no qual se registraram pelo menos 21 casos de asfixia.

Seja quem for o autor desses ataques, a Rússia é em última instância responsável, disse o chefe da diplomacia americana durante esta conferência na qual foi lançada essa nova iniciativa internacional em resposta ao recente veto russo na ONU sobre o tema.

Simplesmente não se pode negar que a Rússia, ao proteger seu aliado sírio, descumpriu seus compromissos com os Estados Unidos como garantidora do marco que supervisiona a destruição das reservas de armas químicas da Síria, segundo o acordado em setembro de 2013, acrescentou.

Após a entrevista coletiva, foi realizada uma reunião a portas fechadas sobre a Síria entre os ministros das Relações Exteriores de Estados Unidos, França, Reino Unido e dos países da região, Jordânia e Arábia Saudita.

A reunião teve por objetivo devolver o processo (de paz) de Genebra e das Nações Unidas ao tabuleiro do jogo antes do Congresso inter-sírio organizado pela Rússia no dia 30 de janeiro em Sochi, informaram fontes próximas ao ministro francês Jean-Yves Le Drian, co-anfitrião do encontro junto com Tillerson.

Os ministros tentaram definir a melhor forma de apoiar este processo da ONU no campo da reforma constitucional e preparativos com vistas à realização de eleições, antes de uma série de reuniões sobre a Síria, acrescentou um alto funcionário do Departamento de Estado americano.

A Rússia criticou na ONU as acusações americanas contra a Síria e pediu um novo mecanismo de investigação internacional verdadeiramente independente.

Durante uma reunião do Conselho de Segurança pedida por Moscou, o embaixador russo na ONU, Vassily Nebenzia, disse que o secretário de Estado americano, Rex Tillerson, formulou declarações rasas contra o regime sírio ao apontá-lo como responsável por um suposto ataque com armas químicas contra o reduto rebelde na Guta oriental.

Não é estranho que este episódio -que ainda precisa ser confirmado- coincida com a reunião de Paris?, perguntou. É uma estranha coincidência.

Durante a reunião do Conselho em Nova York, Nebenzia relançou a ideia de um novo órgão internacional de investigação sobre o uso de armas químicas na Síria, que substituiria os especialistas internacionais do grupo JIM, cujo mandato não pôde ser renovado em razão do veto russo.

- Não pode continuar -

Na reunião desta terça-feira, 24 países se comprometeram a compartilhar informações e a estabelecer uma lista de pessoas envolvidas no uso de armas químicas na Síria, onde a guerra deixou mais de 340 mil mortos.

Essa iniciativa acontece depois de um duplo veto russo ao projeto de resolução para renovar o mandato dos especialistas que investigam o uso de armas químicas na Síria.

Cloro, sarin, gás mostarda, VX, esses nomes da morte voltaram ao cenário internacional e com eles as terríveis imagens das vítimas dessas armas de terror, declarou Le Drian.

A situação atual não pode continuar, sentenciou.

A França anunciou antes da reunião que congelou os ativos de 25 empresas e executivos sírios, franceses, libaneses e chineses acusados ​​de ajudar o regime sírio a desenvolver o uso de armas químicas.

Trata-se principalmente de importadores e distribuidores de metais, eletrônicos e sistemas de iluminação domiciliados em Beirute, Damasco ou Paris.

No entanto, a lista não inclui autoridades do regime sírio. Não temos elementos hoje que nos permitam iniciar esses procedimentos ao nível das autoridades políticas sírias, admitiu o Ministério das Relações Exteriores francês.

Apesar de sua promessa de destruir as armas, o regime sírio foi acusado em várias ocasiões de ter utilizado armas químicas contra seu próprio povo.

Desde 2012 foram registrados pelo menos 130 ataques com armas químicas na Síria, segundo estimativas francesas.

Os investigadores da ONU estabeleceram a responsabilidade do regime sírio em pelo menos quatro desses ataques, incluindo um com sarin que matou pelo menos 80 pessoas em 2017.

As negociações sobre a Síria sob o auspício da ONU serão retomadas nesta quinta-feira em Viena. A Rússia também busca, juntamente com o Irã e a Turquia, construir uma saída para este conflito que já custou mais de 340 mil vidas desde 2011. Espera concretizar uma iniciativa de paz durante uma cúpula em Sochi, a ser realizada nos dias 29 e 30 de janeiro.

Os Estados Unidos anunciaram no dia 17 de janeiro que suas tropas permanecerão na Síria até a derrota total do grupo radical Estado Islâmico.

 

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