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16 de Fev de 2019 - Jornal em tempo real - Expediente - Publicidade

 

 
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 Erdogan ameaça ampliar ofensiva turca contra curdos na Síria - Jornal Brasil em Folhas
Erdogan ameaça ampliar ofensiva turca contra curdos na Síria


O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, ameaçou nesta sexta-feira (26) ampliar a ofensiva do Exército turco no distrito de Afrin para outras zonas do norte da Síria a fim de eliminar a presença de uma milícia curda que considera terrorista.

Apesar do chamado de vários países ocidentais a agir com comedimento, Erdogan prometeu, durante um discurso televisionado, limpar Manbij (100 quilômetros a leste de Afrin), e não deixar nenhum terrorista até a fronteira iraquiana.

A operação Ramo de Oliveira, que nesta sexta entrou em seu sétimo dia, aponta para desalojar de Afrin as Unidades de Proteção Popular (YPG).

As YPG, qualificadas de terroristas pela Turquia, são o principal aliado dos Estados Unidos na luta contra o Estado Islâmico (EI) na Síria.

Enquanto o Exército turco e seus aliados sírios, com o apoio da aviação e da artilharia turca, tentam quebrar as linhas de defesa curdas, a administração semiautônoma de Afrin exortou nesta quinta-feira à noite o governo sírio a intervir para impedir o assalto.

A operação turca tensionou ainda mais as complicadas relações entre Turquia e Estados Unidos, que uma conversa por telefone entre Erdogan e o presidente americano, Donald Trump, não conseguiu distender.

A promessa de limpar Manbij é uma forma de colocar lenha na fogueira, já que os Estados Unidos mobilizaram várias centenas de militares nessa zona.

Se Erdogan executar seus planos é possível haver um confronto direto entre o Exército turco e as forças americanas, advertiu Anthony Skinner, analista da consultora de risco e estratégia Verisk Maplecroft.

As profundas diferenças entre Turquia e Estados Unidos sobre as YPG envenenam há um ano as relações entre estes dois membros da Otan.

Na quarta-feira durante a ligação, Trump exortou a Turquia a reduzir e limitar suas ações militares e a evitar qualquer ação que possa provocar um confronto entre as forças turcas e americanas, segundo a Casa Branca.

Alguns nos pedem insistentemente para fazermos o necessário para que esta operação seja curta (...) Esperem, começou há sete dias. Quanto tempo durou o Afeganistão? Quanto tempo durou o Iraque?, respondeu Erdogan nesta sexta.

No campo de operações, a artilharia turca mobilizada perto da fronteira síria continuou bombardeando as posições das YPG em Afrin, indicou a agência de notícias estatal Anadolu.

Iremos até o fim, insistiu nesta sexta-feira o ministro turco das Relações Exteriores, Mevlüt Cavusoglu. Iremos intervir contra a organização terrorista e a eliminaremos, esteja onde estiver.

Desde sábado, os confrontos causaram a morte de mais de 110 combatentes entre as forças sírias favoráveis à Turquia e as YPG, afirmou o Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH).

Também morreram 38 civis, vítimas em sua maioria dos bombardeios da aviação turca.

A Turquia lamentou a morte de três soldados.

- Curdos pedem proteção de Damasco -

Diante da ofensiva turca, a administração semiautônoma de Afrin, dominada pelos grupos curdos, exortou o governo sírio a fazer frente à agressão e declarar que não permitirá os aviões turcos sobrevoarem o espaço aéreo sírio.

Os curdos da Síria, marginalizados durante décadas, aproveitaram a retirada do Exército sírio do norte do país em 2012 para afirmar sua autonomia. Hoje controlam dois terços da fronteira, de cerca de 900 quilômetros, da Síria com a Turquia.

Desde o início da guerra, excetuando-se alguns conflitos esporádicos, combatentes curdos e tropas sírias se evitaram, levando a oposição síria a acusar os curdos de cooperarem com o governo de Bashar al-Assad.

A intervenção turca, evocada há meses, se precipitou depois que os curdos anunciaram a criação de uma força fronteiriça de cerca de 30 mil homens, com a participação das YPG e o apoio dos Estados Unidos.

Vários países, entre eles Alemanha e França, expressaram sua preocupação pela intervenção turca no norte da Síria, que complica ainda mais a guerra síria que desde 2011 deixou mais de 340 mil mortos.

 

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