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18 de Fev de 2019 - Jornal em tempo real - Expediente - Publicidade

 

 
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 A mulher que carrega seu coração em uma mochila - Jornal Brasil em Folhas
A mulher que carrega seu coração em uma mochila


Selwa Hussein, de 39 anos, notou que havia algo errado no início do ano passado.

Primeiro, ela teve uma grave retenção de líquido. Depois, começou a sentir dores no peito e a ter dificuldade para respirar.

“Fiquei muito preocupada, porque sentia que era algo sério”, conta.

Em junho, foi diagnosticada nela uma insuficiência cardíaca grave, fruto de uma cardiomiopatia dilatada familiar, um mal hereditário.

Essa doença deixa o músculo do coração enfraquecido, afetando sua capacidade de bombear sangue.

Selwa precisaria de um transplante, mas sua situação era tão séria que os médicos decidiram que ela não conseguiria esperar por um doador.

Foi assim que ela se tornou a segunda pessoa do Reino Unido a receber um coração artificial – e a primeira a sair do hospital com ele fora do corpo.
Como funciona?

Em 27 de junho, em uma operação de seis horas no Hospital Harefield, em Londres, o coração de Selwa Hussein foi retirado. No lugar, foi implantado um órgão de plástico.

“De antes da cirurgia, só me lembro de chorar e dizer adeus à minha família. Quando acordei, disseram que tinham removido meu coração”, conta.

“Estava tão desorientada que pensei: ‘O que isso significa? Será que eu morri?’”

Hoje, Selwa carrega o tempo todo nas costas seu “coração temporário”, em uma mochila que pesa 7 kg.

O aparelho movido a bateria faz o trabalho de um coração de verdade e mantém o sangue circulando em seu corpo.

Para isso, dois tubos conectados à mochila entram no corpo de Selwa na região do estômago e vão até o tórax.

Uma bomba envia ar pelos tubos para encher dois balões, que cumprem a função das cavidades cardíacas, bombeando sangue pelo corpo.

Um equipamento reserva fica a postos caso o principal apresente algum problema. Selwa ainda precisa ter a seu lado, 24 horas por dia, uma pessoa treinada para lidar com o aparelho.
‘Valorizo mais a vida’

Ela começou a reabilitação em agosto e recebeu permissão para passar o Natal com a família.

“Sua recuperação tem sido excelente”, diz o médico Andre Simon, que conduziu a cirurgia.

“Para a equipe médica, ter um coração artificial à disposição nos dá uma opção quando já não havia outras alternativas. Sem isso, Selwa não teria sobrevivido.”

A mulher é uma das muitas pessoas no Reino Unido à espera por um transplante.

Mas nem todas conseguirão um doador a tempo: no período 2016/2017, 40 pessoas morreram enquanto esperavam por um coração no país.

O órgão artificial permitirá que Selwa leve uma vida quase normal até ser possível fazer o transplante.

“Eu me dei conta de várias coisas quando estava naquele leito de morte”, diz ela.

“Uma delas é que não devo me importar com coisas nos estressam, como problemas domésticos ou com as pessoas. Valorizo muito mais a vida agora.”

 

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