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 Em 2016, Daniel Dias se consagra como maior atleta brasileiro nos Jogos do Rio - Jornal Brasil em Folhas
Em 2016, Daniel Dias se consagra como maior atleta brasileiro nos Jogos do Rio


Setembro de 2016. Oito dias de provas no Estádio Aquático, no Rio de Janeiro. Conseguir uma medalha seria a consagração para qualquer nadador. Mas subir ao pódio nove vezes durante a disputa é mais do que um sonho. E quando se trata do nadador Daniel Dias, uma realidade. Foram quatro medalhas de ouro, três de prata e duas de bronze. Nove medalhas nos Jogos Paralímpicos de 2016, que se juntaram às outras 15 conquistadas em Pequim (9) e Londres (6), e fizeram do atleta o recordista mundial da natação paralímpica, após ultrapassar a marca de 23 medalhas do australiano Matthew Cowdrey.

Apesar de ter subido tantas vezes ao pódio, Daniel sempre sente uma emoção diferente a cada conquista. “Cada prova tem sua história, cada lugar tem sua história. Foram os Jogos em que eu mais chorei”, declarou Daniel, que também lembrou do apoio da torcida brasileira, que gritava o nome do atleta sempre que ele pulava na água. “A torcida foi o diferencial. A gente nunca tinha vivido isso. Vai ficar marcado para sempre”, declarou. Na arquibancada, uma torcida especial: a família do nadador. “Minha família é a minha base”, disse Daniel.

Além dos pais Paulo e Rosana e da esposa Raquel, quem se destacava na torcida eram os filhos Asaph e Daniel. Ainda pequenos, os dois tiveram a oportunidade de presenciar o recorde do pai. E quem sabe a carreira vitoriosa de Daniel não pode inspirar os dois a ser nadadores? Para o atleta, o importante é incentivar os filhos a praticar esportes. O primeiro deles não podia ser outro: os dois fazem natação desde os seis meses.

O nadador não esperava conquistar tantas medalhas. Pouco tempo antes dos Jogos de 2016, Daniel teve uma lesão, a primeira em dez anos de carreira. Mas o imprevisto logo foi resolvido e ele conseguiu se recuperar a tempo de entrar para a história do esporte paralímpico brasileiro.

A trajetória vitoriosa de Daniel contou com o apoio especial dos pais dos atletas. Paulo e Rosana sempre incentivaram o filho a fazer tudo que era possível. Quando criança, ele sofreu preconceito e a ajuda dos pais foi fundamental para superá-lo. Daniel mostra que aprendeu com a situação:

“O preconceito não pode existir em cada um de nós. Quando a gente tira esse preconceito e entende que todos somos capazes, o preconceito não existe mais”, disse.

Desde pequeno, Daniel se interessava por esporte. Mas a natação profissional chegou apenas aos 16 anos, após ver o desempenho de Clodoaldo Silva nos Jogos de Atenas, em 2004, e conhecer o esporte adaptado. O maior recordista brasileiro decidiu correr atrás dessa oportunidade e o sonho de praticar esportes se tornou realidade.

Já nos Jogos de Pequim ele saiu vitorioso com nove medalhas e não parou mais. De ídolo, Clodoaldo se tornou amigo de Daniel, que esteve ao lado dele na despedida das piscinas nos Jogos do Rio. “Foi uma emoção muito grande. Conheci o esporte paralímpico através do Clodoaldo. Eu fico muito feliz de poder ter feito parte dessa história”, acrescentou.

E Daniel também poderá fazer parte da história de futuros nadadores. Pensando em ajudar as pessoas com deficiência a encontrar um esporte adaptado, ele criou em 2015 o Instituto Daniel Dias, em Bragança Paulista, cidade onde mora. “Nem todo mundo quer seguir na carreira esportiva, mas é uma grande ferramenta para que a gente possa entender que todos podemos ser campeões na vida”, afirmou. Hoje a instituição atende 15 crianças, com o apoio de três técnicos.

As vitórias de Daniel nas piscinas estão longe de acabar. “Eu quero mais”, afirmou o nadador sobre os Jogos de Tóquio de 2020. “Espero poder fazer uma excelente preparação”, acrescentou. Ele acredita que, após 2016, às atenções se voltarão mais para os esportes paralímpicos. Enquanto os próximos jogos não chegam, o nadador se prepara para o Mundial do México em 2017. Uma promessa de mais medalhas para o nadador que venceu o impossível.

 

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