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18 de Fev de 2019 - Jornal em tempo real - Expediente - Publicidade

 

 
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 Palestinos perdem outra chance de avançar em reconciliação - Jornal Brasil em Folhas
Palestinos perdem outra chance de avançar em reconciliação


Grupos palestinos rivais perderam nesta quinta-feira (1) uma nova oportunidade de alcançar uma reconciliação, anunciada no final de 2017, mas que parece morrer, apesar da importância humanitária e política de tudo o que está em jogo.

O movimento islamita Hamas aceitou em 12 de outubro, no Cairo, passar todos os poderes na Faixa de Gaza para a Autoridade Palestina.

Entre algumas datas marcadas, os irmãos inimigos estabeleceram para o início de fevereiro o prazo para resolver uma das questões mais espinhosas e cruciais do processo: o destino de dezenas de milhares de funcionários empregados em duas administrações paralelas. Até a data, nenhum progresso foi feito a respeito.

Ambos os grupos definiram o dia 1º de dezembro para realizar a transferência de todos os poderes, pelo menos civis. Depois, adiaram para 10 de dezembro, para finalmente constatarem apenas desacordos.

No terreno, apesar da significativa transferência da autoridade nos postos fronteiriços, o movimento islamita Hamas mantém firmes as alavancas do poder.

As duas partes continuam jogando a culpa uns nos outros por este fracasso. Fayez Abu Eita, uma autoridade da Faixa de Gaza do Fatah, o partido que domina a Autoridade Palestina, pediu ao Hamas que respeite os acordos. Já Basem Naim, um responsável de alto escalão do Hamas, acusou a Autoridade de ter se distanciado dos acordos, sem motivo evidente.

Considerado como terrorista por Israel, Estados Unidos e União Europeia (UE), e isolado por parte da comunidade internacional, o Hamas expulsou a Autoridade Palestina do enclave em 2007.

A Autoridade, reconhecida internacionalmente e considerada a instância capaz de projetar um Estado palestino, governa apenas, devido às restrições impostas pela ocupação israelense, alguns fragmentos do território da Cisjordânia, separados da Faixa de Gaza pelo próprio Israel.

- Risco de desmoronar -

As divisões palestinas constituem um obstáculo maior no caminho até a paz com os israelenses e um fator primordial dos males sofridos pelos cidadãos de Gaza, desgastados pelas guerras, pela pobreza e pelos bloqueios por parte de Israel e Egito.

O enviado especial da ONU para o Oriente Médio, Nickolay Mladenov, advertiu na terça-feira que a Faixa de Gaza, onde vivem amontoados dois milhões de palestinos, está à beira do desmoronamento total, e que corre perigo de explodir novamente.

Precisamente, a questão dos funcionários é potencialmente explosiva. Quando foi expulsa do enclave, a Autoridade Palestina ordenou milhares de funcionários a ficarem em suas casas, o que foi feito, embora continuassem recebendo salário. O Hamas, por sua vez, contratou dezenas de milhares de pessoas para substituí-los. Esses dois corpos de funcionários concorrentes vivem com um número considerável de moradores de Gaza.

Desde outubro, o Hamas parou de pagar boa parte de seus funcionários, enquanto a Autoridade reduziu os salários dos seus em 2017.

Nos dão 1.000 shekels (300 dólares), não é suficiente para comer e beber, afirma Bashir Amer, de 30 anos, funcionário do Ministério da Educação do Hamas, que está a cargo de sua família.

Outro quebra-cabeças é o futuro das forças armadas do Hamas, que tampouco foi resolvido.

Se não forem capazes de alcançar um acordo sobre os funcionários, não serão capazes de chegar muito longe, destaca Grant Rumley, especialistas do think-tank americano Foundation for Defense of Democracies.

O Egito, outro vizinho de Gaza e Israel, e o chefe de seus serviços de Inteligência, Jaled Fawzy, particularmente tiveram um papel essencial no acordo de outubro. Mas Fawzy acaba de ser substituído e o Cairo, com eleições presidenciais marcadas para março, tem outras preocupações além de Gaza.

 

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