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20 de Fev de 2019 - Jornal em tempo real - Expediente - Publicidade

 

 
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 China confirma detenção do editor sueco Gui Minhai - Jornal Brasil em Folhas
China confirma detenção do editor sueco Gui Minhai


O governo chinês confirmou nesta terça-feira (6) que o editor sueco de origem chinesa Gui Minhai está detido, um caso que abala a relação com a Suécia, que exigiu sua libertação por considerar este um sequestro brutal que viola o direito Internacional.

Gui Minhai, de 53 anos, que comercializava em Hong Kong livros que ridicularizam o regime comunista, foi detido em 20 de janeiro em um trem chinês, quando estava acompanhado por dois diplomatas suecos.

Devido às violações das leis chinesas, as autoridades competentes adotaram medidas judiciais coercitivas contra Gui Minhai, disse o porta-voz do Ministério chinês das Relações Exteriores, Geng Shuang.

O argumento para deter Gui está relacionado com os dispositivos do Direito Penal chinês, que permitem a detenção do suspeito, ou deixar a pessoa sob vigilância policial em um imóvel particular.

Na segunda-feira, a Suécia denunciou o sequestro brutal de Gui na China e exigiu sua libertação imediata, pedido que também foi feito por União Europeia e Estados Unidos.

A ministra sueca das Relações Exteriores, Margot Wallstrom, classificou a captura como uma intervenção brutal que contraria as normas internacionais básicas sobre o apoio consular.

Já a diplomacia chinesa afirmou que ambos os países mantiveram uma comunicação fluida no caso e rejeitou as críticas de Estocolmo, chamando-as de irresponsáveis pelo desconhecimento da soberania judicial chinesa.

O porta-voz da Chancelaria chinesa afirmou ainda que, apesar da cidadania sueca do senhor Gui, o caso deve ser julgado conforme o Direito chinês.

A Suécia tem que ter consciência de que os fatos questionados são graves, frisou Geng.

Pedimos firmemente à parte sueca que se abstenha de fazer coisas que minarão o respeito mútuo e a imagem geral das relações bilaterais, advertiu.

Há até dois anos, Gui Minhai trabalhava em Hong Kong - território chinês autônomo com amplas liberdades públicas - para a editora Mighty Current, especializada em títulos sobre a vida privada de dirigentes chineses. Essas publicações são proibidas do outro lado da fronteira.

Gui foi detido há duas semanas em um trem para Pequim, na companhia de dois diplomatas suecos. Esta foi a segunda vez que desapareceu em circunstâncias obscuras, sob custódia das autoridades chinesas.

Até agora, nenhuma justificativa oficial havia sido dada para sua detenção.

Em 2015, porém, Gui desapareceu durante suas férias na Tailândia, antes de ressurgir em um centro de detenção chinês. Em fevereiro de 2016, apareceu chorando na televisão chinesa e confessou seu envolvimento em um acidente de trânsito anos antes, por estar embriagado.

As autoridades chinesas anunciaram sua libertação em outubro de 2017, mas sua filha, Angela Gui, garantiu a uma rádio sueca que, desde que saiu da prisão, seu pai foi instalado em um apartamento da polícia sob vigilância na cidade portuária de Ningbo.

Ela disse que o pai conseguia circular por Ningbo, mas era seguido pela polícia. Foi autorizado, no entanto, a viajar para Xangai para renovar o passaporte.

Os vagos anúncios não são tranquilizadores. É muito provável que Gui Minhai sofra uma forma de detenção secreta, onde a tortura e os maus-tratos são tremendamente banalizados, afirmou William Nee, pesquisador da ONG Anistia Internacional.

 

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