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11 de Dez de 2018 - Jornal em tempo real - Expediente - Publicidade

 

 
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 Merkel disposta a doloroso compromisso para formar governo - Jornal Brasil em Folhas
Merkel disposta a doloroso compromisso para formar governo


A chanceler alemã, Angela Merkel, afirmou nesta terça-feira (6) que está disposta a um doloroso compromisso para formar um governo de coalizão com os social-democratas, no último dia de negociações.

Nesta terça-feira à noite, as discussões entre os dois grupos continuavam. Entretanto, a União Democrata-Cristã (CDU) convocou uma reunião de seus dirigentes para quarta-feira ao meio-dia a fim de abordar as conclusões destas negociações.

Pela manhã, em sua chegada ao local da reunião, a chanceler conservadora disse que desacordos sobre temas essenciais se mantêm e cada um terá que aceitar um doloroso compromisso.

Estou disposta sim. Ao final, podemos garantir que as vantagens sejam superiores aos inconvenientes, acrescentou, destacando que o interesse superior do país está em jogo.

Depois de semanas de dúvidas e de múltiplos adiamentos nos últimos dias, os democrata-cristãos de Merkel (CDU/CSU) e os social-democratas do SPD devem se resolver: esta terça-feira (6) foi fixada como o último dia do prazo. As conversas poderiam durar até tarde.

- O dia da verdade -

Acho que hoje vão decidir se as duas partes podem entrar em acordo, declarou o presidente do SPD, Martin Schulz. Segundo Julia Klöckner, próxima à chanceler, as negociações poderiam durar até tarde da noite.

As eleições legislativas de setembro, marcadas pela queda dos partidos tradicionais e pelo avanço da extrema direita, não permitiram estabelecer uma maioria clara na Câmara de Deputados.

Em princípio, Merkel tentou alcançar um acordo de governo com os liberais e ecologistas, mas fracassou.

Para se manter à frente do país por um quarto mandato e evitar eleições antecipadas, optou por buscar um acordo com os social-democratas e repetir a coalizão do governo em fim de mandato.

Após as conversas de segunda-feira, os negociadores entraram em acordo sobre o tema europeu, relançado pelo presidente francês, Emmanuel Macron, em setembro.

Para Schulz, ex-presidente do Parlamento Europeu, isso significa o fim da ortodoxia fiscal na União Europeia.

Mas outros dois importantes temas para o SPD continuam sendo um problema: a reforma do sistema de seguro de saúde estatal e a regulamentação dos contratos de trabalho temporários.

Os social-democratas pedem a redução das desigualdades entre fundos públicos e privados, e um menor recurso aos contratos temporários. Sobre os dois pontos os conservadores se mantêm firmes.

Os dois grupos tampouco estão de acordo sobre o nível de gastos para Defesa. Os Estados Unidos pressionam os membros da Otan para que aumentem o orçamento destinado a essa pasta.

- Social-democratas divididos -

Embora as cúpulas dos partidos cheguem a um acordo, deverão aguardar o voto postal dos 440 mil afiliados ao SPD, o que durará várias semanas entre fevereiro e março.

Mas o SPD, que obteve resultados ruins nas legislativas (20,5%) e continua caindo nas pesquisas, está muito dividido. Muitos de seus membros dizem que Schulz não cumpriu com suas promessas de orientar o SPD para a esquerda e de não negociar com Merkel.

Vários social-democratas consideram um acordo com a chanceler uma sentença de morte. Os dois últimos governos de coalizão entre os conservadores e os social-democratas (2005-2009 e 2013-2017) terminaram em derrotas eleitorais para o SPD.

Se as negociações fracassarem, Merkel deverá decidir entre iniciar seu quarto mandato como chanceler à frente de um instável governo minoritário, ou aceitar a convocação de novas eleições, dois cenários inéditos na Alemanha desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

No caso de Merkel conseguir formar o governo com os social-democratas, seu quarto mandato se apresenta complicado. Alguns meios de comunicação ironizam sobre a coalizão dos perdedores.

Segundo a última pesquisa do instituto Insa, publicada na segunda-feira, o SPD obteria apenas 17% dos votos e os conservadores cairiam, ficando com 30,5%. Juntos já não representariam a maioria dos alemães.

 

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