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 No Rio, estilistas formados na comunidade preparam fantasias de grandes escolas - Jornal Brasil em Folhas
No Rio, estilistas formados na comunidade preparam fantasias de grandes escolas


Leonardo Leonel, o Leo, e Leandro dos Santos, o Pedrão, eram adolescentes quando se conheceram nas oficinas comunitárias de adereços na Escola de Samba Mirim Herdeiros da Vila, em Vila Isabel, zona norte do Rio de Janeiro. Ali, eles aprenderam tudo sobre corte, costura, modelagem, pintura de arte e acabaram se destacando.

Hoje, com 33 e 34 anos, respectivamente, os dois respondem pela elaboração das roupas de sete primeiros casais de porta-bandeira e mestre-sala de escolas de samba do Grupo Especial e de cinco das agremiações do antigo Grupo de Acesso.

A primeira porta-bandeira da Estação Primeira da Mangueira, Squel Vieira, faz suas fantasias há cinco anos no Ateliê Aquarela Carioca, montado pela dupla de estilistas há 15 anos. “Confio muito no trabalho deles. São supercompetentes, organizados, profissionais”, disse Squel.

De todas as fantasias feitas por Leo e Pedrão, a de que ela mais gostou foi a do carnaval de 2016. “O campeonato da Mangueira ficou muito marcado para todo mundo”. Segundo Squel, os dois estilistas cumprem bem o papel de dar vida ao que está ali, desenhado pelo carnavalesco.

Alegorias

O primeiro estágio de Leo e Pedrão foi no barracão de alegorias da Escola de Samba Unidos de Vila Isabel. Em seguida, eles passaram à composição de carros alegóricos. O pai de Leonardo, o compositor Izainaldo Vieira Leonel, conhecido como Leonel da Vila, sócio dos dois jovens, ao ver que eles não queriam fazer carros alegóricos, alugou um local onde pudessem realizar o sonho de criar e confeccionar fantasias.

“Com 17 anos, ele deu toda a estrutura de que a gente precisava, montou a bancada, chamou minha avó, compramos máquinas e começamos fazendo fantasias de ala. Ainda não fazíamos roupas especiais”, lembrou Leonardo, em entrevista à Agência Brasil. No primeiro ano, a dupla fez 1.400 fantasias de ala. Para isso, Leo e Pedrão contrataram 40 funcionários temporários. No entanto, por causa da falta de experiência, eles não tiveram lucro algum.

Atualmente, o ateliê tem 15 funcionários fixos e, na reta final do carnaval deste ano, contratou mais quatro para ajudar.

O ateliê gera emprego e renda para artesãos da comunidade do Morro dos Macacos, em Vila Isabel. Segundo Leonardo, em geral, eles começam a confeccionar as fantasias em agosto, para entregar dentro de uma semana a 10 dias antes dos desfiles. Em função da crise financeira no estado do Rio de Janeiro e do corte de verba da prefeitura para as escolas, a entrega das fantasias só começou nesta segunda-feira (5). “Ou seja, vamos entregar a semana inteira. Isso nunca ocorreu em 15 anos”, desabafou.

Luxo

Hoje, a especialidade da dupla são roupas de luxo de porta-bandeira e mestre-sala, comissão de frente e rainha de bateria. “Aumentou mais a responsabilidade”, disse Leonardo. Ele disse que, antes, a nota dada pelos jurados ao casal de mestre-sala e porta-bandeira era uma só. Hoje, a nota é subdividida em dança e indumentária. Por isso, a execução da roupa, hoje, preocupa mais. Em geral, Leo e Pedrão executam o figurino desenhado pelo carnavalesco. Alguns especificam o que querem ver confeccionado e outros dão mais liberdade aos estilistas.

Neste ano, Leo e Pedrão cuidaram da roupa dos primeiros casais da Mangueira, do Salgueiro, da Mocidade, Vila Isabel, São Clemente, União da Ilha e Paraíso do Tuiuti. Eles se encarregaram também da fantasia das rainhas de bateria da Beija-Flor, do Império Serrano e da Paraíso do Tuiuti, no Grupo Especial. Do Grupo de Acesso, é deles a fantasia das rainhas de bateria da Acadêmicos da Rocinha e Império da Tijuca e dos casais do Grupo de Acesso da Viradouro, Império da Tijuca, Unidos de Padre Miguel, Estácio de Sá e Cubango. São responsáveis ainda pela comissão de frente da Imperatriz Leopoldinense e Salgueiro, escolas do Grupo Especial.

Enquanto Leo cuida da negociação com as escolas e da administração do ateliê, Pedrão comanda diariamente a equipe de colaboradores. O ateliê tem um espaço exclusivo para os casais de mestre-sala e porta-bandeira dançarem para verificar se as fantasias estão boas, se permitem que executem todos os movimentos da apresentação sem problemas e se há necessidade de fazer algum ajuste.

O trabalho, porém, não acaba com a entrega das fantasias. No dia dos desfiles, Leo, Pedrão e uma equipe de 10 funcionários vão para a avenida, onde montam as fantasias, pedaço a pedaço, na concentração, e acompanham o desfile ao lado dos sambistas, prontos a solucionar qualquer problema antes da apresentação diante dos jurados.

Edição: Nádia Franco

 

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