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 Síria de Bashar al-Assad volta a negar posse de armas químicas - Jornal Brasil em Folhas
Síria de Bashar al-Assad volta a negar posse de armas químicas


Menino sírio segura máscara de oxigênio no rosto de um bebê em um hospital improvisado depois de suposto ataque com gás no reduto rebelde de Duma, na periferia de Damasco, em 22 janeiro de 2018

Damasco negou mais uma vez, nesta quarta-feira (14), possuir armas químicas, ressaltando que seu uso é imoral e inaceitável, um dia depois de uma advertência por parte da França.

Submetido a fortes pressões internacionais, o governo de Bashar al-Assad autorizou a entrada de equipes de ajuda humanitária a Ghuta Oriental. Esta foi a primeira vez desde os letais ataques, na semana passada, contra esse território rebelde sitiado e que fica próximo a Damasco.

O governo sírio foi acusado de ter lançado, recentemente, ataques químicos contra as zonas sob controle dos rebeldes.

O governo sírio nega, categoricamente, possuir (...) armas químicas. Consideramos o uso dessas armas imoral e inaceitável, qualquer que seja o contexto, afirmou o vice-ministro das Relações Exteriores, Fayçal Moqdad, citado pela agência oficial de notícias Sana.

Ontem, o presidente Emmanuel Macron garantiu que a França lançará ataques na Síria, se tiver provas concretas de que armas químicas proibidas são usadas contra os civis por parte do governo.

Atacaremos o lugar, de onde esses lançamentos são feitos, ou onde estejam sendo organizados. A linha vermelha será respeitada, prometeu Macron, adotando, ao mesmo tempo, uma leve redução no tom, ao acrescentar que os serviços de Inteligência ainda não têm essas provas.

Nestas últimas semanas, França e Estados Unidos fizeram soar o alarme diante da suspeita de ataques químicos por Damasco. Já o governo Assad denunciou as mentiras e as acusações de Paris e de Washington.

Um desses ataques teria acontecido no início de fevereiro em Saraqeb, localidade da província de Idleb, no noroeste do país, controlada por extremistas e por rebeldes. Lá foram relatados 11 casos de asfixia, segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH). Em janeiro, a ONG já havia relatado a ocorrência de 21 casos de asfixia em Ghuta Oriental.

- Primeiro lote de ajuda desde novembro -

Nesta quarta-feira (14), ajudas humanitárias destinadas a cerca de 7.200 pessoas chegaram a seu destino: Ghuta Oriental. Este foi o primeiro comboio a entrar na região desde o final de novembro passado.

Primeiro comboio da ONU e do Crescente Vermelho sírio este ano para a localidade de Nachabiye em Ghuta Oriental para distribuir comida, provisões de saúde e nutricionais, afirmou o Escritório de Assuntos Humanitários da ONU (Ocha) em Damasco, em sua conta no Twitter.

Nenhuma ajuda pode entrar nessa região sem o sinal verde de Damasco.

Desde 2013 cercados pelas forças do governo, os cerca de 400 mil habitantes de Ghuta Oriental sofrem com a escassez de comida e de medicamentos, o que tem levado a centenas de casos de desnutrição - em especial entre as crianças.

A ONU pede com insistência uma trégua humanitária de um mês em toda Síria, para poder distribuir ajudas e evacuar feridos e doentes em estado crítico.

Assistimos a um dos piores períodos de combate desde o início do conflito, com centenas de civis mortos e feridos, deslocamentos em massa (da população) e a destruição de infraestruturas civis, incluindo instalações médicas, condenou na segunda-feira (12) o coordenador humanitário da ONU na Síria, Ali al-Zaatari.

Volto a convocar todas as partes envolvidas e os que têm um poder de influência sobre elas: ponham fim a esse sofrimento humano intolerável, insistiu.

 

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