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21 de Sep de 2018 - Jornal em tempo real - Expediente - Publicidade
 

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 Copom sinaliza fim dos cortes da taxa básica de juros - Jornal Brasil em Folhas
Copom sinaliza fim dos cortes da taxa básica de juros


SÃO PAULO. O ciclo de cortes da taxa básica de juros, a Selic, pode ser interrompido na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, em março.

Em ata da última reunião, divulgada nessa quinta-feira (15), o Copom afirmou que “caso o cenário básico evolua conforme esperado, o comitê vê, neste momento, como mais adequada a interrupção do processo de flexibilização monetária”, ou seja de redução da Selic.

Na reunião realizada nos dias 6 e 7 deste mês, a taxa básica foi reduzida para 6,75% ao ano, no 11º corte seguido. Entretanto, o Copom ressaltou que essa “visão para a próxima reunião” pode se alterar e levar a uma redução moderada adicional na taxa, se houver mudanças na evolução do cenário básico e do balanço de riscos.

O Copom afirmou que seus próximos passos continuam dependendo da evolução da atividade econômica e das expectativas para a inflação. Para o Copom, a inflação deve ficar em torno de 4,2%, em 2018 e 2019. A meta de inflação para 2018 é 4,5% e para 2019, 4,25%.

Nos dois anos, há um intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para baixo ou para cima do centro da meta. Em 2017, a inflação fechou o ano abaixo do centro da meta (4,5%) e do limite inferior (3%), em 2,95%.

Para alcançar a meta, o BC usa como principal instrumento a taxa Selic. Quando o Copom aumenta a Selic, a meta é conter a demanda aquecida, e isso gera reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Já quando o Copom diminui os juros básicos, a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle sobre a inflação.

O Copom reiterou que devido aos atuais níveis de ociosidade da economia, revisões pequenas na intensidade de recuperação do país não levariam a mudanças na trajetória esperada para a inflação.

Na análise para decidir sobre a taxa Selic, o Copom informou que levou em consideração as oscilações recentes dos preços de energia elétrica e dos combustíveis. O comitê também avaliou que “uma frustração das expectativas sobre a continuidade das reformas como a da Previdência” e “ajustes necessários” na economia brasileira podem afetar prêmios de risco e elevar a trajetória da inflação.

Cenário exterior tem sido favorável

O Copom avaliou na ata que a evolução da economia global tem sido favorável, com crescimento econômico bastante disseminado. O documento passou a considerar os sinais de que as condições no mercado de trabalho começam a elevar os salários em algumas economias centrais, e a perspectiva de retorno das taxas de inflação nesses países para patamares mais próximos de suas metas. “Isso reforça o cenário de continuidade do processo de normalização da política monetária nos países centrais, o que deve ocorrer de maneira gradual, no cenário básico. Mas a trajetória prospectiva da inflação de preços e salários pode tornar esse processo mais volátil e produzir algum aperto das condições financeiras globais”, avaliou o Copom.

Ainda assim, o colegiado voltou a destacar que a economia brasileira tem capacidade de absorver um eventual revés no cenário internacional. O BC citou o balanço de pagamentos robusto do país e o cenário de inflação baixa, expectativas ancoradas e perspectiva de recuperação econômica.

Evolução de preços foi tema do encontro

A ata do Copom dedicou dois parágrafos aos aumentos de preços verificados nos setores de energia elétrica e combustíveis. O documento mostra que os membros do colegiado debateram os impactos das alterações recentes das bandeiras tarifárias e a evolução dos preços dos combustíveis. A avaliação é de que “ambos os preços passaram a apresentar maior volatilidade ao longo do ano passado”.

Para os membros do Copom, apesar da elevação, a política monetária deve combater apenas os “efeitos secundários” desses choques.

Na ata do encontro de dezembro do Copom, os membros do colegiado já haviam discutido os impactos das bandeiras tarifárias de energia sobre a inflação, mas a questão dos reajustes dos combustíveis ainda não havia sido explicitada. Isso foi feito na ata divulgada nessa quinta-feira (15).

No documento, os membros também voltaram a destacar que “algumas medidas de inflação subjacente encontram-se em níveis confortáveis e outras em níveis baixos”, acrescentou o BC.


 

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