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 Dificuldade do governo com a reforma aumenta a cada dia - Jornal Brasil em Folhas
Dificuldade do governo com a reforma aumenta a cada dia


BRASÍLIA. Os principais articuladores do governo Michel Temer já admitem dificuldade em aprovar a reforma da Previdência neste ano. Depois de uma reunião com o presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), o ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, disse na quinta-feira (15) que o governo ainda precisa da próxima semana para buscar os votos necessários à aprovação. O ministro admitiu que há resistências em todas as bancadas, mas afirmou que isso ocorre entre os parlamentares desinformados ou que querem manter privilégios.

Carlos Marun disse que a reforma será colocada em discussão na próxima terça-feira e que isso nem foi colocado em discussão com Maia, que é quem pauta de fato a matéria. Ele disse que no próximo domingo o presidente Michel Temer deverá fazer reuniões de mobilização e que na próxima segunda-feira haverá um encontro de Rodrigo Maia com todos os líderes da base aliada para definir a estratégia e contabilizar os votos.

Já o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), disse que a votação da reforma deve aguardar um “momento propício”, em que haja maioria suficiente de votos para aprovar o tema, uma vez que, na avaliação do emedebista, existem outras “questões importantes” a serem debatidas pelo Congresso. A fala de Romero Jucá contrasta com a afirmação feita por Carlos Marun mais cedo na quinta-feira. O ministro disse que, “independentemente” de votos, a Câmara deve iniciar a discussão na próxima terça-feira. “A reforma terá que ser votada; se vai ser agora, se vai ser depois das eleições, se vai ser no próximo governo, ela vai ter que ser votada, porque ela é uma emergência fiscal brasileira. Tem que ser enfrentada”, afirmou Jucá.

“Então é muito importante se verificar. Se não se pode votar agora, que se mude a pauta, que se votem outras questões importantes e que se deixe para um momento propício, onde houver maioria para se aprovar o tema. Agora, que isso terá que ser votado em um determinado momento terá que ser votado. O país não pode fugir desse enfrentamento”, completou o emedebista.

O parlamentar voltou a dizer que a reforma previdenciária é uma “prioridade para o governo”, mas lembrou que caberá ao presidente da Câmara a definição sobre o momento em que o tema será levado à votação. “Na Câmara, junto com os líderes, junto com o presidente Rodrigo Maia, está sendo feita uma avaliação, e essa avaliação vai definir se vai se votar agora ou não. Essa decisão vai ser tomada pela direção da Câmara dos Deputados”, acrescentou Jucá.

“Precisamos ainda da semana que vem para buscar os votos. Trabalho com 40 votos (faltando), ou seja, temos que buscar um indeciso a cada dois. Temos resistências em todas as bancadas, seria injusto apontar uma”, disse Marun. As previsões do governo em relação ao número de votos que faltam não se alterou desde dezembro. “Até saí desta reunião (com Maia) com a confiança redobrada na vitória, na Câmara, ainda em fevereiro. Está prevista a pauta para terça-feira, e ainda temos um trabalho a realizar na semana que vem”, disse Marun.

Ele afirmou que Temer e Rodrigo Maia são os “protagonistas” da reforma. O governo precisa de pelo menos 308 votos para aprovar o texto e encaminhá-lo para o Senado.
Maia coloca votação na pauta

Brasília. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), decidiu pautar oficialmente para a próxima semana a votação da reforma da Previdência. O governo ainda não tem os votos necessários, mas resolveu pagar para ver. As discussões começam na terça-feira. Maia convocou sessão extraordinária, às 10h, com apenas a PEC 287 (da reforma) na pauta.

O vice-líder do governo na Câmara, deputado Beto Mansur (PRB-SP), disse na quinta-feira, mais cedo, que a ideia é começar a se discutir a partir da próxima segunda-feira uma emenda aglutinativa ao projeto e que se vote a reforma até o dia 28 de fevereiro. Mansur disse estar trabalhando intensamente junto a prefeitos e governadores para ampliar o número de votos, dos 270 já assegurados na semana passada, para se atingir os 308 necessários para a aprovação do projeto.

“Optamos por trabalhar com prefeitos e governadores para ver se eles convencem as bancadas de seus Estados a votarem pela aprovação da reforma”, disse. Ele afirmou que os prefeitos e governadores têm recebido sindicatos em seus gabinetes para tratar do tema.

Mansur disse que, apesar de haver notícia na mídia de que Maia estaria preparando discurso para engavetar a proposta, ele é a favor de que se paute a votação para que todos votem e “deem a cara para bater”. “A minha opinião, e já declarei isso em plenário, é a de que se coloque para votar e que todos votem porque não é possível que as pessoas ainda estejam em dúvida sobre o tema. Ou se está a favor ou se está contra”, afirmou.

 

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