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 Ataques a ônibus são desafio para a polícia e geram prejuízos - Jornal Brasil em Folhas
Ataques a ônibus são desafio para a polícia e geram prejuízos


Prejuízo para a mobilidade urbana, para o transporte público e para quem depende do sistema: depois de um ano em que se registrou recorde de ônibus queimados em Belo Horizonte, o início de 2018 mantém a tendência, com pelo menos nove coletivos incendiados desde janeiro, na capital e região metropolitana. O crime que afeta comunidades inteiras deixou um prejuízo estimado em mais de R$ 3,6 milhões apenas neste início do ano. Ontem, a Polícia Militar apreendeu quatro adolescentes e um homem que confessaram ter participado da última ocorrência, na qual foram incendiados mais dois veículos, desta vez no Centro de Contagem, na Grande BH.


A alegação do grupo foi de que o ato criminoso seria uma retaliação pela morte do irmão de um dos detidos, circunstância que vem se tornando comum em episódios do tipo, frequentemente associados a alguma forma de “protesto”. Enquanto os casos avançam, forças de segurança não têm plano específico ou coordenação para combater esse tipo de crime, não havendo sequer uma investigação coordenada dos vários casos.

De acordo com o Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros Metropolitano (Sintram), em janeiro, 44 coletivos do sistema que serve à Grande BH sofreram algum tipo de vandalismo ou foram assaltados – sete deles em casos que incluem incêndio e outros tipos de depredação. A entidade informou que em 2017 houve 18 casos de ônibus metropolitanos incendiados. Pelo menos sete dessas ocorrências foram registradas em três dias, entre 27 e 29 de dezembro.

Já segundo o Sindicato das Empresas de Transporte de Belo Horizonte (Setra-BH), desde 2008 foram queimados na capital 67 ônibus, dois deles neste ano. O período que teve maior número de ocorrências desse tipo, de acordo com o Setra-BH, foi 2017, quando o sindicato contabilizou que 22 veículos foram danificados ou destruídos. O recorde do ano passado é atribuído, principalmente, a protestos de detentos da Penitenciária Antônio Dutra Ladeira, em Ribeirão das Neves, ameaçando promover mais atentados caso as solicitações de melhoria nas condições no presídio não fossem atendidas. As suspeitas da Polícia Militar indicam que líderes de facções estivessem comandando a investida de dentro da cadeia.

As ocorrências registradas pelo Setra-BH neste ano foram em 2 e 21 de janeiro. Nesse último caso, o ataque ocorreu no Bairro Piratininga, em Venda Nova, por volta das 22h35, no ponto final da Rua Zélia, em um veículo da linha 617 (Estação Pampulha/Piratininga via Rio Branco). O outro caso ocorreu no primeiro dia útil do ano, às 5h45, no ponto final da linha 1505. Em ambos os casos, os veículos ficaram totalmente destruídos.

Em relação à ocorrência mais recente, em Contagem, a polícia informou que um funcionário da Viação São Gonçalo ligou para a PM por volta de 20h de quinta-feira, informando que dois coletivos haviam sido incendiados na garagem. Os suspeitos do crime, segundo o funcionário, pularam o muro da empresa e acessaram o pátio onde ficam os veículos. Em buscas no Centro de Contagem, próximo à sede da viação, os policiais encontraram quatro adolescentes, de 17 e 16 anos, e um jovem de 18 anos. O grupo estava com galões contendo cinco litros de álcool.

Os jovens confessaram o crime e disseram aos policiais que ainda queimariam outros ônibus na cidade quando tivessem oportunidade. Sobre a alegação dos jovens de que a ação teria sido retaliação diante da morte do irmão de um dos detidos, supostamente ocorrida durante batida policial, a PM informou não ter registro relativo ao episódio.

Passageiros são os principais afetados

A queima de ônibus é um crime que não prejudica apenas as empresas donas dos coletivos. Os custos de reposição acabam sendo repassados ao sistema, e influem nos reajustes de passagens. Enquanto se espera a reposição dos veículos incendiados, os passageiros é que mais sofrem. Segundo o gerente do Departamento de Controle Operacional do Sintram, Marcos da Costa Negraes, colocar novos coletivos para rodar pode demorar até 180 dias. “Para além do ônus às empresas, os atos de vandalismo prejudicam os usuários das linhas afetadas, graças à redução forçada do quadro de horários e até que o ônibus incendiado seja reposto por um novo”, informou o sindicato.

“O principal prejudicado é o usuário. Cada coletivo novo custa em torno de R$ 400 mil”, afirma Marcos Negraes, lembrando que os custos oneram o serviço e podem ser repassados à tarifa. O gerente do sindicato afirma que reconhece o esforço da polícia, mas acredita que os criminosos deveriam ser enquadrados por leis mais duras. “A maioria é condenada por incêndio qualificado, mas acredito que deveriam ser processados por terrorismo. Assim, não voltariam para as ruas tão rapidamente”, defendeu.

O outro caso recente ocorreu na madrugada da última quinta-feira, no Bairro Kennedy, em Santa Luzia, também na Grande BH. Cinco homens foram apontados pelo motorista do coletivo linha 4100 (Santa Luzia/ Via Kennedy/ Terminal Vilarinho) como autores da ação. A vítima contou aos policiais que, quando se aproximava da Praça Kennedy, os homens entraram no coletivo. Ele chegou a avisá-los de que estava dirigindo para a garagem, mas os criminosos insistiram na ação, mandaram que o trabalhador descesse do ônibus, pularam a roleta e jogaram combustível no veículo.

A assessoria de comunicação da PM sustenta que estão sendo feitas “operações policiais e policiamento com atenções voltadas para a prevenção dessa ação delituosa”. Sobre o caso de Contagem, a corporação ressaltou que a identificação e a prisão dos criminosos ocorreram logo após o incêndio. Já a Polícia Civil informou que cada caso está sendo investigado pela delegacia que registrou a ocorrência, “sendo as informações compartilhadas entre as equipes policiais envolvidas”. As perícias já foram feitas, mas é necessário aguardar os 30 dias de praxe para a conclusão dos trabalhos. Não há previsão de uma força-tarefa específica para coibir ataques desse tipo.

 

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