Pressreader / UOL Banca / Nuvem



Siga, Curta e Compartilhe
#brasilemfolhas - #jonaldodia - #jornaldigital
#jornalbrasil - #newspaperbrazil - #jornalhoje


16 de Fev de 2019 - Jornal em tempo real - Expediente - Publicidade

 

 
Notícias
 Venezuelanos que chegam a Roraima encaram rota da fome até Boa Vista - Jornal Brasil em Folhas
Venezuelanos que chegam a Roraima encaram rota da fome até Boa Vista


o fim de dez horas de espera por uma carona que não chega e sem comer direito há quatro dias, as irmãs Cora Freites, de 58 anos, Carmen Freites, 51, e Elia Tarazona, 43, decidem, às 8h do dia 21 de fevereiro, descer a pé a serra de Pacaraima, que dá nome ao primeiro município brasileiro na fronteira com a Venezuela. De lá até Boa Vista –destino final da viagem– são 215 quilômetros na BR-174, uma rodovia isolada no meio da selva amazônica, estreita, cheia de curvas sinuosas e buracos mal tapados. "De manhã, nos deram pães, mas refeições não fazemos desde sexta [16]", diz Carmen.

Essa espécie de "rota da fome" recebe todos os dias uma média de 50 novos viajantes, segundo a prefeitura de Pacaraima. Nos dias 20 e 21 de fevereiro, o G1 fez o mesmo caminho seguido pelos imigrantes, percorrendo a pé e de carona o trajeto entre a fronteira e a capital de Roraima e acompanhando os viajantes.

“Minha amiga que já está no Brasil disse que aqui há comida e trabalho”, diz Carmen, enquanto caminha pela rodovia. Onde morava, em El Tigre, no leste da Venezuela, deixou a filha, uma estudante de engenharia de 19 anos, e o marido, agricultor. “Se puder, vou trazê-los para cá."

A venezuelana e as irmãs percorreram 800 quilômetros de onde viviam até Santa Elena de Uairén, na fronteira com o Brasil. Não tinham dinheiro para comer e tampouco para comprar passagens. Viajaram de barrigas vazias e pedindo carona por três dias.

No país natal, as três viram de perto a grave crise política e econômica que assola o país e deteriora a qualidade de vida dos venezuelanos. A superinflação na Venezuela, que já é a maior do mundo, deve atingir os 13.000% neste ano, segundo o Fundo Monetário Internacional, aumentando ainda mais a pobreza e sua incidência em emprego, educação, criminalidade, nutrição e saúde em geral.

Fugindo de tudo isso, as irmãs seguem rumo a um futuro ainda incerto em Boa Vista, como tantos outros têm feito desde o final de 2015, quando começou a imigração para Roraima, o estado menos populoso do país.

A capital hoje tem 40 mil venezuelanos, segundo os cálculos da prefeitura, o equivalente a 12% dos 330 mil habitantes locais. A sensação é que a cidade está cheia de imigrantes. Afinal, eles e sua língua são visíveis e audíveis para onde se vai. As escolas recebem um número cada vez maior de venezuelanos, os hospitais também.

Estado e município decretaram emergência, e o governo federal planeja levá-los a outras partes do país, numa tentativa de lidar com a imigração que cresce a olhos vistos e que em números já supera a haitiana. Em três anos foram quase 20 mil pedidos de refúgio de venezuelanos em Roraima contra 18 mil de haitianos entre 2011 e 2013.

Carmen, Elia e Cora, assim como tanto outros imigrantes, não têm dinheiro algum para chegar a Boa Vista - as passagens custam de R$ 30 a R$ 50 - e viajam da forma que podem. Em alguns trechos vão a pé e em outros conseguem carona para algum outro ponto mais à frente.

Caminho desconhecido
A maioria nem imagina o quão longe está da capital. Se têm sorte e obtêm ajuda pelo caminho, levam até dois dias e uma noite para chegar a capital. Se não, caminham por até quatro ou cinco dias num itinerário marcado pela falta de comida, sede e cansaço.

"Se são cinco dias caminhando de dia e de noite, são 10 dias caminhando somente de dia", estima Anaecí Rodriguez, de 36 anos. Antes de chegar ao Brasil, ela não fazia ideia do que teria de andar. "Nos disseram que é melhor aqui. Viemos provar para ver. O mal é que temos que ir a pé".

À medida que agrava a situação política da Venezuela, os imigrantes que estão vindo para o Brasil pela fronteira de Roraima são mais pobres. É o que afirma José Carlos Franco, antropólogo e professor da Universidade Federal de Roraima (UFRR).

“Os venezuelanos também vão à Colômbia, Peru, Equador, Chile Argentina e Uruguai. O contingente que a gente mais recebeu no Brasil foram primeiro os da classe média e depois os das classes mais populares. Com a tendência a aumentar a imigração e com a perda do poder aquisitivo na Venezuela, eles começam a chegar como podem até Boa Vista onde já têm amigos, parentes, ou alguma perspectiva de trabalho. Ir a pé é um caminho viável do ponto de vista físico, mas muito duro. É uma provação”, define o professor José Franco.

O percurso começa no município de Pacaraima, na fronteira com a Venezuela, no extremo Norte do Brasil. Lá, a Polícia Federal fez entre 1º de janeiro e 15 de fevereiro mais de 400 atendimentos diários a imigrantes. Nas filas, eles relatam histórias sobre o desabastecimento, o aumento constante nos preços dos alimentos e a desvalorização crescente do bolívar.

 

Últimas Notícias

Governadores pedem ao STF julgamento de processos sobre repasses
Ministro quer atrair investimentos privados para Jardim Botânico do RJ
Fies vai oferecer 100 mil vagas a juro zero para alunos de baixa renda
TJ libera R$ 13 milhões para Vale ressarcir gastos do governo mineiro
Vale pede mais tempo para analisar Termo de Ajuste Preliminar
Deputados do Rio presos podem ter posses suspensas
Vale suspende operação em barragem em Brucutu e de mina em Brumadinho
TRE-RJ mantém ex-deputado Paulo Melo inelegível até 2024

MAIS NOTICIAS

 

Sul do Chile enfrenta 45 focos de incêndios florestais
 
 
Governo de Minas oferece suporte psicossocial às vítimas de Brumadinho
 
 
Força Nacional de Segurança começa a deixar o Ceará
 
 
Licitação de ônibus em São Paulo tem contratos de R$ 71 bi em 20 anos
 
 
Força Nacional vai atuar em Belém na primeira quinzena de março
 
 
Fiocruz alerta para agravamento de doenças na população após tragédia

 

 
 
 
 


ÚLTIMAS EDIÇÕES DO JORNAL BRASIL EM FOLHAS

 
 




© 2008 - 2017 - BRASIL EM FOLHAS S/A - CENTRAL DE ATENDIMENTO +55 (62) 3040-8212